quinta-feira, 25 de julho de 2013

As avós da minha família






Minhas duas avós foram mulheres incríveis! Vejam lá, a materna se formou no Normal (quando se saia desse curso falando francês) em 1918! E aos 19 anos foi morar sozinha no interior de São Paulo e começar sua carreira no magistério. Se casou aos 26 anos (velha para época), pôs no mundo sete filhos e criou seis. Era uma bordadeira de mão cheia e foi bordando que conseguiu se formar e também fazia crochê. Minha avó paterna nasceu no sertão de Pernambuco, mal e mal se alfabetizou, casou-se aos 14 anos (meu avó tinha 18), teve 15 gravidezes e também criou somente seis filhos. Aprendeu a costurar à mão e quando os filhos ficaram em idade escolar se mudou para Paraíba. A vida era bem dura, então ela montou um ateliê de costura, comprou sua primeira máquina e cismou de aprender francês para poder comprar e entender as revistas de moldes francesas que ditavam a moda. Conseguiu tudo, teve o maior e melhor ateliê de costura da Paraíba e vestia a sociedade do estado, do batizado ao enterro, passando pelo casamento e pelas festas. Até hoje uso o que aprendi com ela na matéria costura. Formou os filhos e tinha muito orgulho de uma das filhas ser médica, quando a Faculdade de Medicina era domínio masculino.
 




O que aprendi com elas? Além de costurar e bordar, aprendi que nada é impossível e que ter perseverança é tudo, mesmo quando tudo concorre ao contrário. O que não aprendi? A cozinhar, risos... Ambas detestavam cozinhar, só o faziam quando não tinham jeito mesmo, então eu sou aquela neta que nunca disse: ”Ah, o feijão de minha avó, ou o bolo, ou o doce...” Não que não se comesse muito bem em ambas as casas. Como avós foram incríveis, apesar de serem rigorosas, tenho ótimas lembranças, principalmente quando se juntava vários primos e elas permitiam e participavam de algumas travessuras.

Minha mãe foi uma avó que adorava brincar, então ela fazia roupas de boneca, montava carrinhos e deixava a molecada se espalhar pelo quintal. Seus 14 netos vieram de seis filhos, ela cuidava da casa, costurava para a gente, estudava com os mais atrasados e ainda dava meio expediente no escritório do meu pai. Gostava de cozinhar? Não! Quando os netos começaram a chegar, se especializou em fazer bolos de liquidificador e segundo reza lenda entre os netos também fazia maria-mole de caixinha. Adorava o Natal e começava a planejar com meses de antecedência, fazia presentes para todos. E quando eu digo fazia é isso mesmo, um ano fez malas para todo mundo! As lembrancinhas compradas estavam dentro, a bem da verdade ninguém se lembra das lembrancinhas, mas todos ainda têm a mala.

Colcha que bordei e costurei para a Alice
Hoje eu sou avó, minha neta é uma fofura. Eu costuro para ela camisolas longas! Todo ano tem uma. Já fiz sapatinhos de crochê, uma manta única, vestido caipira e saias para apresentação. Gosto de viajar e passear com ela e frequentamos a academia juntas. É por ela que fico sabendo os sucessos musicais do momento, os desenhos que estão bombando na TV e é de quem eu empresto os gibis do Chico Bento. Seguindo a tradição familiar, não cozinho! Faço pouquíssimas coisas bem, não sei fazer brigadeiro, mas bato um bolo de liquidificador que é uma maravilha.
Avós são mães com doçura e mais paciência e sapiência. Minhas avós fora exemplo para mim e até hoje desfruto das lições aprendidas, minha mãe foi um exemplo para as netas, hoje eu tento deixar boas lembranças, boas lições e algumas “artes” compartilhada com minha neta. Se você é avó sabe a delícia que é, se ainda não é um dia vai chegar lá!

Primeiro ponto que aprendi aos 7 anos

 26 de Julho Dia dos Avós

*****
Hoje um dos meus sobrinhos publicou no Face o texto abaixo falando da casa dos meus pais, seus avós. Chorei!

Todo dia no caminho pra casa passo na frente da casa do Vovô e da Vovó, e morro de vontade de entrar, simplesmente tocar a campainha e entrar.. como fazia sábado de tarde, sem motivo algum, só para bater um papo, só para sentar com o vovô para ler o jornal, só para contar as novidades para a vovó, só para falar dos meus problemas, só para falar mal dos meus pais, só para receber cafuné do vô, só para ver a vó costurando, só pra arrumar as fotos do baú da vovó, só pra montar o presépio, só para comer pão com manteiga, só para ficar na garagem brincando na Brasília, só para ter medo do Toby, só pra vó cuidar de mim como se tivesse 6 anos, só pra jogar 7 ½, só para ir na padaria comprar pão pra lanche, só para sentar no sofá verde, só para montar mil empresas com o vovô, só para contar que terminei a faculdade e estou fazendo uma pós, só pra ver o sorriso da vovó qto contar as coisas que estou conquistando, só para contar pro vovô que comprei meu primeiro carro zero, só para apresentar a Carol pra eles, só para sentar na ponta do sofá e tomar o sol da janela no final da manhã, só para tomar café requentado, só pra eles verem que eu cresci... só para ter eles ali, do meu lado... e falar que eu to morrendo de saudade!!  Felipe Mussi Xavier

35 comentários:

Cris Mussi disse...

Ju, ainda nao sou vovó,mas treino tudo isso com os netos da minha irmã, que pego emprestado, com minhas afilhadas e sobrinhos pequenos.
Crianças sao alegria na vida da gente e nos trazem a vida, as novidades,os abraços...
Sua mãe foi um exemplo de mãe e avo para todas nós, e apesar de nao gostar de cozinhar, nunca se chegava ou saia da casa dela sem um lanchinho,um bolinho, uma merendinha....
Você, com certeza, deve estar feliz ,curtindo dividir a vida com sua neta..que delicia!!!!
Bjs

Fernanda Reali disse...

Texto lindo, emocionante! Compartilhando.

Carol Vieira disse...

Nossa, que lindo! Tão simples e com amor... As boas atitudes ficaram, isso que importa.
Antecipando, feliz dia da avó!!!
Beijos :o))

http://claudiaaoextremo.blogspot.com/ disse...

Muito emocionante !
Saudade da minha tb
Já está juntinho de papai do céu

Roberta Lito disse...

Esse texto mexeu comigo, lembrar da avo e da representacao dela em nossas vidas e formidavel. Bjs

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida Jussara
Também aprendi Francês no curso Normal e apesar de ser de uma geração anterior da sua vó, pude aprender corte e costura e bordado... as Irmãs eram super prendadas e foram belos tempos onde minha alma foi formada com benevolência...
Muito lindo o seu post e vc não está participando da BC da Norma? Vale a pena incluir o seu post pois está super bem feito (tem amor)!!! Parabéns!!!
"Neta de peixe"...
Bjm de paz e bem

Bia Jubiart disse...

Ju, terminei de ler o texto e fiquei com gostinho de quero ler mais...
Morro de inveja de quem teve convivência com avó, não conheci nenhuma, desencarnaram logo que nasci... Chamava de avó, as avós das minhas amigas, pode???
Como tenho dois "varões" presumo que um dia serei avó, acho que não serei muito aquela padrão.
Amei saber um pouco da história destas mulheres valentes de sua família!

Bjãooooooo

Pandora disse...

Aaaah Avó é tudo de bom! Minhas avós são incríveis, verdadeiras inspirações! Voinha é uma saudade latente, e uma falta também porque ela participava tanto da minha vida que vai fazer falta sempre, ela também veio de um sertão só que da Paraíba e tinha muito orgulho de ter um filho engenheiro e uma neta na universidade chorei no dia da colação de grau por ela não está presente, ela ia adorar aquele momento... E Mãe Gilda é simplesmente mãe néh?!?! Aliás, mãe também é costureira e detesta cozinhar, herdei dela apenas o dom da bagunça e a obsessão por responsabilidade e manter contas em dia! Parabéns Jussara por fazer valer o legado de suas avós.... quero muito fazer valer o legado das minhas!!!

Lúcia Soares disse...

Linda a colcha, Jussara. Eu não tenho habilidade nenhuma, só sei fazer um crochê, mas nunca fiz nada para os netos. Ou ainda não fiz nada para os netos. Não sei bordar nem costurar, coisas que minha mãe faz magnificamente, mas nenhuma das filhas seguiu...Cozinhar, cozinho o trivial e não bato bolos, nem faço docinhos... (nossa, sou uma negação em matéria de avó prendada!). Mas sou muito atenciosa com os netos e acho que me adoram. rs
Conheci minha avó materna, apenas. Amava-a muito, tem uma linda história de vida, e triste.
Minha avó paterna morreu antes do meu nascimento e acho que foi uma santa mulher, tenho muito carinho por ela.
Enfim, sou uma vovó muito orgulhosa de todos os exemplos que tive, mas realmente sem prendas alguma!
Beijo.

Chris Ferreira disse...

Oi Jussara, lindo demais o seu texto. Muito bom ter lembranças assim das avós e proporcionar essas lembranças para a sua neta.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Lis S. disse...

Lindo texto, Jussara. Eu não tive uma participação muito forte das minhas avós em minha vida. Uma morava longe, mas qdo vinha me visitar, sempre trazia presentes, gostava de sentar na rede comigo e cantar músicas, mas mtas vezes eu era chata com ela, que pena... Acho q pela falta de intimidade. A outra, a materna, sempre nos dava dinheiro para comprar coisas, e dava caixas de chocolate nas datas comemorativas, dava coca-cola qdo estávamos doentes, e deixava-nos fazer coisas que os nossos pais não permitiam. Mas, diferente de vc, nunca aprendi nada das minhas avós. Eram mtos netos, e a atenção era dividida. Ainda não tenho filhos, mas sei que a minha mãe será uma ótima avó. :) Bjs e parabéns! Ah, eu sou da Paraíba. :)

Misturação - Ana Karla disse...

MAravilhoso Ju!
Imagino tamanha emoção sua ao relembrar dessas avós nesse texto tão lindo.
Parabéns pra você!
Xeros

Neanderthal disse...

Oi Ju, hoje é dia das avós. Coincidência ou não, gostei de ler a trajetória delas, que no final das contas, faz parte da sua história e da sua família. Eu ainda tenho as duas!
Minha avó materna me ensinou a costurar, fazer crochê, tricô... Mas nunca pude me dedicar. Cheguei a fazer uma toalha de mesa toda torta de crochê que a minha mãe guarda e usa bastante até hoje!
Não sou muito chegada na mãe do meu pai. Minha avó é a mãe da minha mãe. E acho que vai ter um dia que ela será uma recordação muito gostosa como as suas são. Vó é uma coisa muito boa!
Beijos

Luana disse...

Ai Ju, que post mais lindo!
que saudades das minhas avos, mais da minha avo materna, com quem convivi mais.
minha avo paterna cozinhava maravilhosamente bem. A minha mae tentou aprender as receitas dela, mas minha avo era tinhosa e ensinou tudo errado! hahahaha
Minha avo materna nao sabia cozinhar, tricotar, costurar, nem nada... mas era uma querida e tentava com muita paciencia e carinho me apoiar quando era cismei de ser punk e ia na casa dela toda vestida de preto...
=)

Tenho certeza que vc eh uma avo maravilhosa!

Regina Rozenbaum disse...

Vou chegar lá sim! Como você Ju, não cozinho nada...diferente de minha avó materna e mãe que eram artistas nessa arte e nos almoços, lanches preparados para os netos! As lembranças são tão vívidas que tem dia(s) que chego a sentir o aroma que exalava da cozinha. Também eram costureiras e bordadeiras de mão cheia...coisas da época. Só sei mesmo pregar botão e fazer uma bainha (risos)então, será que resta alguma esperança para euzinha? Dá pra ser avó contando histórias, desenhando, dançando, cantando?! Parabéns pelo seu dia Ju!!! Imagino que sua neta deve ter um orgulho danado docê.
Beijuuss

Sheyla - DMulheres disse...

Oi, Jussara

Vivi pouco com minhas avós dos dois lados.. rsrsr Mas, com meu voinho, tenho o privilégio de conviver até hoje. Lindo post,parabéns!! E o texto do Felipe foi emocionante mesmo, parecia que estava vendo Tio Cardoso e Tia Neta.
Espero que eu seja uma boa vó, melhor de que sou mãe rsrsrs

bjosssss, Sheyla.

Carlos Medeiros disse...

Bonita história das suas avós, lutadoras, vencedoras, exemplos de vida. Bom fim de semana.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida Jussara
Tem um meme pra vc aqui:

http://www.poesia-espiritual.com.br/2013/07/12-livros-em-12-meses.html

Bjm ainda festivo de paz e bem

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

um dos posts mais bonitos que li...
tenho mtas saudades das minhas avós, grandes mulheres.

um grande beijo, querida amiga Jussara

Celia na Italia disse...

Ju
Linda história de amor ao longo de gerações!
Aproveite este fase maravilhosa da vida!
Imagino ser de fato um grande presente!

David Ramos disse...

Poxa chorei... mesmo!
Lembrei dos meus avós e fazia tão parecido com ele, achei que nunca estaria preparado para perde-los, alias nunca estive, mas a vida não quer saber se você esta preparado!
Ter os avós ou os pais são coisas que nada nesse mundo paga!
Não vejo a hora de ser avô! mas não fico falando em voz alta pra ninguém ter ideiazinha e fazer as coisas antes da hora!
Jussara! Vá fazer um curso de culinária já! to ligado ficar usando a genética pra justificar, sei sei sei

pensandoemfamilia disse...

Olá Jussara
Lindos textos, seu e do seu filho. Ambos falam de sentimentos intensos.
Ganhei minha primeira neta há 6 dias e já estou entregue as emoções.
bjs

Marli Borges disse...

Lindo texto. Parabéns!

Beth/Lilás disse...

Que geração de avós mais bonita a sua!
Lindo texto, parabéns!
beijos cariocas

Calu disse...

Ai, Jussara, este post é teste pra coração de manteiga...o meu derreteu com tamanha amorosidade derramada em cada linha.Imagino tuas avós, duas guerreiras inovadoras e corajosas.Minha avó formou em 1922 e também falava francês aprendido no curso Normal.Como as tuas vozinhas, foi uma vanguardista e também não cozinhava nada(rs).
Como nos faz bem renovarmos estas lembranças queridas, não?
A carta de teu sobrinho lavou nossos olhos com toda a emoção declarada.
Um abração,
Calu

ONG ALERTA disse...

Belas lembranças de bons carinhos, beijo Lisette

Luma Rosa disse...

Oi, Jussara!!
Como não se emocionar e remeter aos nossos próprios avós e para um tempo onde sentíamos amparados pelo carinho expresso nos gestos?
Não era tudo falado, mas sempre sentido - um olhar bastava para dizer tanta coisa! Toda essa convivência permanece gravada em nossa alma!!
Parabéns pela homenagem!!
Beijus,

Inaie disse...

Jussara, minha amiga,
Você me trouxe tantas memórias gostosas da minha propria infancia.
Li o texto de cabo a rabo com bolinhas de arrepio nos braços. Admirando essas avós pioneiras e maravilhosas que você teve, e que como você e eu, poderiam transformar a cozinha num comodo mais útil.
Uma sala de leitura, outro quarto para receber os amigos??

Que gostoso! Obrigada por dividir um pouquinho de você!!

Milhoes de beijos

Malu Machado disse...

Que delícia de vós! Não tive essa sorte, por isso acho um luxo quem teve vó e vô. Eu tive e tenho avós de contarem histórias do que eles foram. Também dá um gostinho bom de pertencer a algum lugar. Mas ficou faltando aprender tanta coisa. Lendo seu texto, fiquei com saudades do que não vivi. Saudade boa, viu? Obrigada por compartilhar.

Bah disse...

Ai que delícia! Minhas avós são japonesas. Uma já está no céu e era cabelereira. Me sentia privilegiada por sempre cortar meu cabelinho de graça rs. Mas infelizmente ela foi embora cedo. Minha outra veio do Japão, véia dura na queda, mas faz um sushi e um manju (doce de feijão japonês) melhor do que eu comia no Japão.

Mas nenhuma me ensinou a costurar e nem cozinhar, aprendi com as necessidades rs.

KisU!

Aline Netto disse...

Lindo blog!

Bjs
Aline
http://www.devaneiosdemadrugada.com.br/

Elaine Gaspareto disse...

Seu, que nem conheci seus pais, chorei ao ler o texto de seu sobrinho, calculo o quão emocionante foi pra você...
Texto lindo, suas avós dariam um filme... daqueles épicos, sabe?
beijossss

Inaie disse...

Um mes sem post!!!!!!!
Bora voltar a escrever Dona moça!

Mundo da Lu Roque disse...

Nossa que lindo! Não conheci minhas avós,morreram cedo, ou melhor, no tempo de Deus. Mas minha mãe é uma avó meiga, permissiva e muito divertida e meu pai como avô nem se fala, preciso providenciar netos de minha parte pra eles kkkkk. Sou fã de bordado, porém não possuo o dom das artes manuais. Parabéns pelo belo texto.

Marli Soares Borges disse...

Oi querida!
Texto lindo, gostei da história de suas avós. E o texto de seu sobrinho é realmente emocionante. Também faço algumas coisas legais para meus netos, claro que são outras coisas, afinal são outros tempos. Mas tenho certeza que quando eu me for eles terão uma porção de boas lembranças. Lembro dos meu avós maternos, foram eles que me criaram. Os avós paternos não os conheci, morreram muito cedo. Minha avó também foi uma mulher fantástica. Acho que fantástica é atributo das avós! Beijos e parabéns pelo post.