segunda-feira, 18 de março de 2013

Belo amigo, oi?


Bel-Ami, Guy de Maupassant




Ter é mais importante que ser.  Para ter vale qualquer coisa, se endividar,  viver na periferia da riqueza, bajular quem pode te colocar nos melhores lugares, fazer intriga, praticar extorsão, chantagear, entrar na política pensando em ganhos financeiros e até mesmo seduzir quem for preciso para chegar ao topo. O sucesso a qualquer preço e sem dor na consciência.  Você reconhece essa sociedade? Acontece que  tudo isso acontece na sociedade francesa  do século XIX.
Georges Duroy é um alpinista social numa Paris que vive de aparência e é altamente corrupta, ele não perde tempo com crises de consciência, moral ou ética e assim vai galgando seu caminho. Chamado de Bel-Ami por ser jovem bem apessoado ele é tudo, menos um belo amigo, Guy de Maupassant não tece nenhuma crítica ao seu personagem ou a sociedade que o produziu, ele simplesmente retrata o que vê em sua volta, é justamente esse o valor da obra. Não tem final moralista e não tem um final bonito.
Eu li pela Bel-Ami muito jovem, não me lembro de ter gostado ou não, acho que foi um livro que acabou passando em branco por mim, só deixou uma sequela, nunca mais me interessei por Guy de Maupassant, com tantos livros para ler sempre deixava o autor francês de lado. Como sou ferrenha defensora que devemos reler alguns livros, essa semana me reencontrei com Bel-Ami. Não me apaixonei nem pelo livro nem pelo autor, mas me choquei ao encontrar um retrato da sociedade desse começo de século, tão bem descrito por um autor do fim do século XIX.  Fiz também a triste constatação que vale fazer qualquer coisa em uma sociedade que incentiva conflito, concorrência e sucesso a qualquer preço e só os mais agressivos e sem qualquer conflito moral ou ético irão sobreviver e alcançar o topo onde ter é o que importa.
Recomendo a leitura de Bel-Ami não só porque é bem escrito como também nos leva a reflexões sobre a sociedade atual e ao que realmente devemos valorizar, afinal nada de nossas posses materiais irão para o nosso caixão.

“Cada um por si. A vitória é dos audaciosos. Tudo é egoísmo. O egoísmo é para a ambição e a fortuna e vale mais que uma mulher ou o amor.” Georges Duroy

SOBRE O AUTOR

Henry René Albert Guy de Maupassant (1850 - 1893) - escritor e poeta francês com predileção para situações psicológicas e de crítica social em estilo naturalista. Escreveu versos, romances e mais de 300 contos. Bel-Ami foi publicado em 1885 e em apenas quatro meses alcançou 35 edições. Não foram encontradas edições recentes no Brasil, pode ser encontrado em sebos.

12 comentários:

Celia na Italia disse...

Ju
Tudo tão atual. Que pena!

Luana disse...

Eu também acho.. tudo tao atual!

She disse...

Também achei tudo tão atual... mas ainda assim achei interessante... ;)
Beijo, beijo
She

Lúcia Soares disse...

Jussara, não li, ainda. A humanidade sempre valorizou mais o TER, acho eu. Estou lendo sobre a idade Média e é uma loucura o quanto o poder era absoluto e a riqueza estava sempre na mira dos poderosos. Até hoje, acredito que a maioria das pessoas ainda pensa que TER bens é melhor do que SER de bem. rs
Enfin, c'est na vie!
Beijo!

Regina Rozenbaum disse...

Que coisa né Ju? Tudo igualim e pra mais! Anotada mais essa dica.
Beijuuss

Teresinha disse...

Olá Jussara,
Realmente, uma leitura para nos levar à reflexões...
Beijos mil

Clara Lúcia disse...

Já tá anotado... parece interessante, instigante... vou ler!

Jussara, vou corrigir meu post sobre "museu medonho". Eu quis dizer o museu de minha cidade, que é velho... rsrsrsrs
Não conheço museus por aí e por isso essa minha falha em escrever generalizando.
Obrigada pelo toque.

beijos

Inaie disse...

post no gaiola sabado as 8 da manha,s e eu nao errei a conta de fuso
:-)

Calu disse...

Não deveria, mas nos assombramos com a tamanha igualdade de condições que há entre os três séculos consecutivos.Tal antes como agora, o poder e o dinheiro ditando regras esmigalhando valores, ignorando princípios...ô lástima.
Não li a obra, Ju,mas fica anotada a dica.
Belo fim de semana.
Bjkas,
Calu

Luma Rosa disse...

Leituras desse tipo feitas por pessoas negativas, acaba por detonar toda a esperança pela humanidade. Por outro lado, se lermos apenas com os olhos de um historiador podemos até sentir uma certa "evolução". Será que leio? :)
Bom fim de semana!!
Beijus,

Carlos Medeiros disse...

Li bastantes livros de contos dele, aliás, muito bons.

Nadia V. disse...

Não conhecia o livro ainda. Parece interessante, atual, mas muito negativo. Já tenho que ouvir tanto sofrimento no meu trabalho que ando procurando leituras mais leves. Mas qualquer dia eu me arrisco nesse. :)
Beijos.