terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lobinhos para o mundo



O Livro da Selva, Rudyard Kipling

 
Eu tenho uma neta, ó novidade a cada três post ela nos lembra disso, que é lobinho. Lobinho?!? Lobinho de lobo?!? Sim. A Alice (a neta) pertence ao Movimento Escoteiro é um movimento que se preocupa com o desenvolvimento dos jovens numa sociedade pluralista e que não está ligado à religião ou partidos políticos, há mais de 100 anos. Os jovens são aceitos como escoteiros após os 11 anos, antes (entre 7 e 11 anos) eles são lobinhos. São lobinhos que convivem como uma alcateia e pertencem a uma matilha, porque os princípios na qual está baseada essa fase tem como inspiração O Livro da Selva de Rudyard Kipling.
Vocês devem não estar ligando o nome a pessoa, então... é nesse livro,  com sete contos, que está a história de Mogli. O menino que se perdeu na selva bem pequeno e foi criado por uma família de lobos. Junto aos lobos ele aprendeu o que é viver em grupo, apoiar a família e uns ao outros, respeitar os mais velhos, cuidar de suas próprias coisas e que o mundo pertence a todos nós, animais e humanos.  Devemos respeitar cada um, seja ele selvagem e indisciplinado como o tigre, brincalhões como os macacos ou sérios e trabalhadores como os elefantes, a história se passa na Índia e lá elefantes trabalham. Esqueçam quase tudo daquele gracioso filme da Disney, a música do Baloo (o urso professor do Mogli) é muito boa, de resto... o nome do livro é O Livro da Selva, então é a lei da selva. Tem traições e disputas de poder. Nada é lindo, os lobos jovens adultos mais dia ou menos dia vão derrubar o chefe da matilha numa luta sangrenta e está na natureza da cobra ser pérfida apesar de sábia e inteligente, é a vida! Como é a vida, no livro original, Mogli é incentivado por seus amigos animais e sua família lobo a retornar para sua verdadeira matilha, os humanos. O problema está em quem disse que os humanos o querem? A aldeia para a qual Mogli tenta retornar manda-o de volta á floresta, como entender um garoto que fala com os animais? Os feiticeiros, assustados e meio desmoralizados, torturam o casal que o aceitou como o filho a muito perdido e convence a aldeia a expulsar o menino. Mogli fica só, pois não pertence aos lobos nem aos homens. Lei da selva, você precisa pertencer a um grupo que o proteja e o apoie, talvez essa seja uma das razões que Sir Robert Baden-Powell, o fundador do movimento escoteiro, escolheu O Livro da Selva para fundamentar a vida dos filhotes. Apesar do livro ser classificado como literatura infantil oferece importantes reflexões sobre nosso comportamento nesse mundo.
Eu devo ter lido O Livro da Selva, entre 7 e 10 anos, nunca mais o reli, e para dizer a verdade só lembrava que era uma grande aventura. Ao reler agora, pois a Alice está com esse livro em pauta, os chefes leem trechos para os lobinhos e discutem as lições nele contidos, percebi o quão cruel é e como continua ser um grande livro. Redescobri Mogli e descobri o Movimento Escoteiro, da qual não sabia nada e a cada dia admiro mais seus princípios, para um mundo melhor.

“A Organização Mundial do Movimento Escoteiro define como Princípios do Escotismo:
    Dever para com Deus (crença e vivência de uma fé, independentemente de qual seja);
    Dever para com os outros (participação na sociedade, boa ação, serviço ao próximo);
    Dever para consigo próprio (crescimento saudável e auto-desenvolvimento).”

Sempre existe um grupamento escoteiro perto de você, caso queira saber mais  http://www.escoteiros.org/

“Não persiga filhotes de estranhos, de irmãos e irmãs você os deve chamar.” Máximas de Baloo

SOBRE O AUTOR

Joseph Rudyard Kipling (1865 - 1936) - contista Inglês, nascido na Índia Colonial, poeta e romancista, foi o primeiro britânico a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1907. Publicou pela primeira vez O Livro da Selva em 1894, no Brasil é editado, atualmente, pela Editora L&PM POCKET.

Alice, a minha lobinho.


18 comentários:

navirj disse...

Interessante. Não conhecia esse livro nem sua ligação com o escotismo. Assisti à animação da Disney, Mogli o menino lobo, quando criança e adorava.
Linda sua lobinho. :)
Beijo. Nadia

Beth/Lilás disse...

Ahhh que 'bunitinha' a sua Alice e lobinha ainda por cima, admiro tanto!
Eu nunca li este livro que nos fala, mas vejo que deve ser de grande essência, principalmente para quem quer criar bem seus filhotes nos dias de hoje.
Adorei os princípios básicos dos escoteiros, admiro-os muito e seria maravilhoso ver mais crianças engajadas em grupos como estes do que em redes sociais, por exemplo.
beijos grandes, cariocas


Marinho de Pina disse...

Li o livro quando era criança, e também as várias versões da história. Mas sinceramente não me lembro dos ensinamentos, e tudo o que sei é que se fala da casa, da honra, do grupo, da lealdade e do sentimento da pertença. Também já fui escuteiro, e foi assim que tomei o conhecimento de Mogli, no entanto, nos escuteiros atentava-se mais ao lado fabuloso da história do que nos ensinamentos psicológicos mais profundos, de tal maneira que o que mais se conhecia da história era a versão da Disney do que propriamente do Kipling. Em resumo, apesar de ter sido há muito tempo, ainda me lembro de O Livro da Selva como um grande livro.

Augusto Sperchi disse...

Olá! Adorei sua matéria. Discuto sempre a questão de que a linguagem é um dos quesitos para que o homem se torne humano, pois sem ela não há como ser também racional. Se possível, leia um texto meu "Por que usar bem a linguagem", em Comportamento. Um abraço!

Clara disse...

Quantas e quantas crianças e adolescentes precisam de um curso desse de escoteiro? É uma aprendizagem pra vida.
Mas que coisa mais fofa a Alice! Vou dar uma mordida na bochecha dela!!!

Beijos

Luana disse...

Que linda a Alice! Aqui em Narnia tem muitos e muitos grupos de escoteiros, eu nao sei qual linha eles seguem, talvez seja tudo uma coisa so? nao sei.. so sei que acho a ideia muito, muito boa! pelos valores, pela camaradagem.... Se meus gatos fossem aceitos, eu mandava Curie e Tesla pros escoteiros... haha

Cissa Branco disse...

Ju,

Linda a Alice, parabéns, deve ser toda orgulhosa da linda neta!
Parabéns pelos dois anos de blog, não pude passar aqui antes, mas agora venho para dizer que é um dos meus cantinhos preferidos, nem sempre comento, mas sempre leio o feed que chega pelo email.
Quanto as suas visitas, isso acontece, se você perguntar para a FErnanda Sahira o que aparece nas palavras de busca no blog dela, você fica apavorada, principalmente finais de semana.
Tenho um carinho pela palavra vagabunda, acho tão ampla, tão possível, pena que sou uma das poucas, rs.
Grandes beijos e obrigada pelo carinho sempre!

Regina Rozenbaum disse...

Lobinha linda de viverrr...sempre alerta! Também faz parte, nem tenho dúvidas,que convive como uma alcateia e pertence a uma matilha admirável! Por aqui não os vejo mais (nos parques, praças) como era comum na minha infância.Em tempos de tantas modernidades cultivar esses valores é ser bem di-fe-ren-te. Então, há que se ter um orgulho, especial, por essa lobinha né Vó?!
Beijuuss n.a.

Calu disse...

Jussara,
poucos são os adultos que se detém em algumas histórias classificadas como literatura infantil, mas que são celeiro universal de importantes reflexões.O ciclo que revivemos através dos netos nos traz estes gratos reencontros.Há títulos imperdíveis agora e sempre.Qualquer dia deste farei uma seleção e postarei meus escolhidos.Talvez a tua lobinha linda se entusiasme por algum que encante a vovó também.
Bjkas,
Calu

Luís Coelho disse...

A minha filha também andou nos escuteiros e esse movimento fez parte da sua vida e dos seus amigos.
Muitas coisas que por lá aprendeu estão a ser-lhe muito úteis na vida profissional e familiar.
Respeito e ajuda aos que precisam.
Amor e conservação da Natureza

JAN disse...

Oi Jussara,
Livros infantis costumam conter bons ensinamentos nas entrelinhas e, graças a Deus, as crianças de hoje são mais "antenadas"... pena que estas mesmas crianças sejam ligadas em joguinhos eletrônicos.
Feliz as 'Alices' que tem um uma vovó sempre alerta;-)

Abração
Jan

Inaie disse...

A Alice é uma fofa... e eu nao sabia que o livro nao tem nada a ver com a "interpretação"da Disney...

Christine disse...

Ai que lindo, Ju... vc sabe que eu sempre quis ser lobinho...hehehe
Morei no Paraná qdo criança e o movimento era forte. Mas meu pai dizia que não era coisa de menina. Balé também não podia, pq não era coisa de menina de familia...affhhh.
Só me sobrou o piano e dele nada lembro além do Hannon n°5 que era tocado exaustivamente. Minha cabeça estava com os lobinhos ou com as saltitantes bailarinas...rs Sorte dessa geração que não enfrenta tantos preconceitos ntro da pp casa como nós enfretamos. Linda a sua lobinho, muito sucesso na vida de escoteiro que ela terá em breve. E interessante pq jamais havia ligado esse livro ao movimento e ao nome dado aos pequenos...

Adelaide Araçai disse...

Linda sua Lobinho Alice.
Adorei saber que existe um livro com estas "LIÇÕES" tão preciosas que deveriam ser mais respeitadas.

Já coloquei em minha lista para le-lo, aja visto que está maravilha ainda não caiu em minhas mãos....rsrs

Muita Luz e Paz
Abraços

Lúcia Soares disse...

Sempre quis fazer parte dessa matilha, mas acho que era algo meio elitizado, nem sei pq nunca fizemos parte, eu e meus irmãos. Na minha época de criança e adolescente eles fervilhavam pela cidade, hoje quase não os vejo, os lobinhos e os escoteiros.
Alice é linda, a começar pelo nome. Adoro!
Beijinho nela e ...sempre alerta!
(não sei se é a fala só dos escoteiros ou os lobinhos a usam tb).

O Guri disse...

Fofinha a Alice. Eu queria ser escoteiro por causa do escotismo dos sobrinhos do Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho. Mas acho que não há um manual do escoteiro mirim que contenha todos os segredos históricos do mundo né?

Mesmo assim, não custa sonhar.

Adorei sua lobinho ^^)

Elaine Gaspareto disse...

Jussara, não sei se foi porque ouvi uma estupidez outro dia com críticas de um padre equivocado sobre protetores de animais mas a frse que fecha seu texto me trouxe lágrimas:
“Não persiga filhotes de estranhos, de irmãos e irmãs você os deve chamar.”
Muito importante ensinar isso às crianças. Creio firmemente que uma criança que aprende respeitar os animais se torna um adulto melhor, mais capaz de compaixão e afeto.
E que linda sua neta Alice!
beijossss

Beriour disse...

Olá Jussara,
fui escuteira e relembro esses tempos com afeição. Foi nos escuteiros que fiz o meu primeiro acampamento, também lá foi que vi que muitas das vezes o corpo diz uma coisa mas a cabeça ainda dá mais e fiz boas amizades. Gostaria muito que o meu filho também fosse, a ver se quando tiver idade quererá ir. Bj