segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quanto vale um livro?




Catálogo de 1909

Está correndo um meme pelos blogs que falam de livros (que talvez eu até faça), que traz a pergunta qual o livro mais caro que você comprou? Gostei da pergunta, sou ferrenha compradora/trocadora de livros em sebos, mas algumas vezes preciso comprar. Compro livros que estão ligados a minha profissão e preciso guardá-los, alguns pela raridade de serem encontrados no Brasil e a grande maioria pelo preço. Já postei alguns por aqui como o Africa, O negro na fotografia e a Coleção da Princesa Isabel, todos eles são de fotos e muito caros. Caros para os padrões brasileiros, pois há livros mais caros por aí.

Aparelho de surdez - 1902

Livros de fotografias e pinturas são importantes para o que eu faço, mas nem todos são de fotos e desenhos. Pensei que se eu resolvesse responder a pergunta em qual livro me deteria, os que custaram mais de um salário mínimo? o que realmente foi o mais caro? ou o que me é caro? O que me é caro, não custou um tostão, ganhei, é de uma edição pequena e desconhecido (qualquer dia falo nele), o que foi mais caro é de fotografia, então fiquei no meio termo, um fac símile do catálogo da Sears de 1902. Não foi o mais caro, mas foi caro. Não tem foto, mas é inestimável como fonte de informação.

Catálogo de 1909

No começo do ano fiz um post, onde me propus a desvendar o que realmente um diretor e/ou produtor de arte faz, esse catálogo é um tesouro nos meus afazeres. Há uma infinidade de coisas que está há tanto tempo no nosso cotidiano, que simplesmente ninguém sabe quem inventou, como apareceu, quando começou a ser usado e quem fez as melhorias, fica muito difícil encontrar referências seja em quadro, foto ou descrição, aí é que entra esse catálogo, pelo menos para o século XX.

Catálogo de 1922

A Sears, Roebuck and Co foi fundada em 1886 e começou vendendo por Posta Restante, só depois de mais ou menos 5 anos foi que tiveram uma loja física. Desde a primeira venda (relógios de bolso) Richard Sears mandava um folheto, dando garantia e oferecendo outros produtos. O primeiro catálogo foi impresso em 1888 e em 1894 já tinha mais de 300 páginas e daí pra frente só cresceu e praticamente passou a ser uma instituição nos EUA, principalmente no meio rural. A Sears se tornou a maior loja de departamento americano e vendia de tudo, móveis, roupas, ferramentas, implementos agrícolas, seus itens iam de carro a bíblia, passando até por ópio quando essa substância era medicinal. Os catálogos foram impressos até 1993, pois havia chegado a internet e o consumidor não mais precisava esperar chegar pelo correio, bastava acessar.
Não é cinto de castidade, é para segurar
as famosas toalhinhas. 1916
O catálogo de 1902, ao custo de cinquenta centavos de dólar na época, é um oráculo, deu briga? surgiram dúvidas? Abre-se o catálogo e descobre se já existia ou não. Se estiver nele, existia. Isso é válido para o século XX. Já usei para ver armas, torneiras, ferramentas, latão de leite e até cadeiras entre outros. Vejam bem, não é só abrir o catálogo é preciso colocar o elemento no Brasil, aí entra experiência e bom senso. Um cenário de 1910: se for em Manaus (auge da borracha) ou Rio de Janeiro (capital) e a casa for de classe média ou chic, pode mandar ver. Em São Paulo já precisaria ser de um milionário e no interior de Minas nem pensar. Meu catálogo tem 1162 páginas em papel bíblia e parece uma lista telefônica, mas não largo mão dele, valeu cada centavo que paguei por ele!
A Sears entrou no Brasil em 1963 e saiu em 1993 e nunca publicou um catálogo em português. Conheci bem a loja de São Paulo, além de ser perto de onde eu morava, era enorme (hoje em seu prédio é um shopping) e aos meus olhos infantis a coisa mais chic que eu tinha conhecido, foi lá que comi o meu primeiro cachorro quente, que eu me lembre, pelo menos!
“Se não ficar satisfeito terá seu dinheiro de volta.” Slogan criado por Richard Sears para o catálogo de 1903.

Eles vendiam realmente de tudo!

21 comentários:

Carolina Lima disse...

Jussara,
obrigada por sua visita e comentário no meu blog. Você sabe como nós, blogueiras, ficamos felizes com isso!

E obrigada também pelas dicas fundamentais sobre a FLIP. Pode ter certeza de que todas foram de grande importância e serão bem utilizada!!!

Alguns livros possuem um valor maior que o do dinheiro em si.

Uma semana feliz para você! :)

Beijinhos,
Carol
Sorteio de uma camiseta no 'Um blog simples'

Daniel Brazil disse...

Na mesma loja (Sears Paraíso), vi a primeira pista de autorama de minha vida!

Belo post, Ju!

Pandora disse...

Caraca!!! Isso sim é um livro caro em todos os sentidos, da uma dissertação, se é que não existem dissertações sobre ele ou tendo ele como fonte!!! Invejinha branca batendo na porta rsrs...

Eu adoro Sebos também, tanto o de sempre, como outros, as vezes quando visito uma cidade diferente até gosto de explorar os sebos sempre encontro coisas legais.

E sim, sobre preços de livros, depois que fiz o meu meme e vi alguns outros lembrei dos manuais da minha irmã estudante de fisioterapia parece que todos os livros que ela precisa são de "mais caro pra lá" aff... me fazendo pensar que o povo das ciências humanas reclama demais rsrsrs

Bia Jubiart disse...

Oi Ju!

Pois, tenho coragem de pagar uma boa soma num livro, já até parcelei no cartão, mas não dou numa roupa de grife. São as nossas escolhas...
Ju, quanta relíquias! Aqui tenho algumas também, uma revista da década de 70 sobre a guerrilha do Araguaia, um livro de 1973 sobre a "Arte Popular do Pará", com fotografias preciosas em preto e branco (este comprei num sebo).
Maridão trouxe um livro "Crime do Padre Amaro" de Angola, na época em que era proibida a leitura dele por lá...

Bella está tarde... Sonhe com anjos!

Bjooooooooooo

Luana disse...

Ou seja, esse catalogo era o Google do começo do outro seculo... =)
Eu me lembro da Sears de Sao Paulo, eu ia ate la com meus pais no final dos anos 80.

Audizio Xavier disse...

Parabéns pelo post, prima Jussara! Muito interessante esse catálogo da Sears!

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Muito boas, as suas considerações. Penso, ademais, que o "valor" de um livro ultrapassa, e muito, o monetário. Implicitamente, você concorda. Pena que por aqui esse "valor" tenha sido substituído pelo embuste do número de edições e o "fator mercadológico" que nivela TUDO por baixo... pena mesmo!

Misturação - Ana Karla disse...

Aprendendo.
Muito curioso o catálogo.
Ju, penso que o livro caro é aquele que é mais importante pra nós.
Gostei da sua opinião.
Xeros

Tati disse...

Que post ótimo! Não conhecia a história desse catálogo apesar do nome Sears não ser estranho hehehe
Também acho que o valor do livro ultrapassa a questão financeira. Meu livro mais valioso é meu primeiro livro de Clarice Lispector, que eu "roubei" do meu pai! Um livro que mudou minha vida e será enterrado comigo.
Beijos
Tati

Nanda Pezzi disse...

Jussara, aprendi muito com seu post ;)

Tenho alguns livros (poucos), que são tão importantes para mim, que não tem preço ;)

Beijão, boa quarta-feira

nandapezzi.blogspot.com

navirj disse...

Certamente o valor de um livro está muito além do seu preço. Ultimamente acho que o livro que me é mais caro é um que emprestei há 2 anos e até hoje não me devolveram. Tornou-me ainda mais caro pela falta que sinto.
Gostei muitíssimo do seu blog. O meu está apenas no comecinho, mas se quiser dar uma olhada é http://navirj.blogspot.com.br/

Beijoss, Nadia

Regina Rozenbaum disse...

Ju amaaaada!
Que coisa interessante...estive em SAMPA e ainda peguei a Bienal (me perdi, enlouqueci, etc e tal nunca tinha ido, mas isso é outra estória)e andando de metrô vi boxes - nas estações - com livros para que fossem pagos com o valor que quisessemos...ficamos parados por um bom tempo nos questionando: quanto vale??? Achei a ideia bacanérrima (tb não conhecia)para popularizar o hábito da leitura, mas confesso que achei difícil valorar! O que sinto é que é tão particular os nossos valores... O que me foi caro (nos dois sentidos) um dia, com o passar dos anos deixa de ser e o mesmo o contrário...sei não! Outra coisa: obriagada pelo carinho lá no meu natal!
Beijuuss n.a.

Beth/Lilás disse...

Bem legal teu post Jussara, pois o que para uns tem valor para outros nada vale, digo isso por mim, pois considero livros ou peças de arte coisas muito próprias nos valores que seus 'artistas' assim o querem.
Estive este final de semana almoçando lá em Botafogo, no alto do prédio que hoje abriga um shopping e que no passado, se não me engano, era a Sears, não é isso mesmo?
bjs cariocas




Deusa disse...

Ju,os livros mais caros que EU comprei são as coleções dos escritores preferidos do marido:
-Bernard Cornwell
-Conn Iggulden.
Eu adoro coleções de Ramses e Cleopatra,Julio Cesar,Malba Tahan.
Eu amo ler,marido também,mas agora ando tão sobrecarregada que nao ando lendo.Mas quer agradar meu marido e só lhe dar um livro.Maitezinha ja esta montando uma mini-bibliotequinha.
Sabe que eu fiquei foi chateada com Maitezinha anda precisando e de pracinha,Sol,crianças.Ja estou levando no balezinho e na pracinha.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

Adelaide Araçai disse...

Amiga o livro mais CARO que comprei foi numa revistaria de uma cidade de interior, eu louca para ler, qualquer coisa entrei e paguei o preço pedido, resultado, na semana seguinte passeando na capital encontrei o mesmo livro por pelo menos 5x menos...rsrs Mas já tinha satisfeito meu vício...rsrs

Acho esse trabalho de inserção de época aos programas, uma arte fantástica.

Muita Luz e Paz
Abraços

Lufe disse...

Eu não acho nenhum livro caro.
Na verdade ele vale o valor que ele tem para nós.Livro que não nos interessa é caro a 1 real.
Esse seu catalogo é de um valor inestimavel.
Sempre me encantou o sistema de venda postal americano, assim como a saga de seus vendedores ambulantes, percorrendo todo o territorio americano e seus rincões.
Adorei o post, como sempre rico e surpreendente.

bjo procê

Augusto Sperchi disse...

Olá Jussara. Adorei seu post. Também sou aficcionado por livros e frequentei muitos os sebos de São Paulo, onde encontrei verdadeiras raridades. Tenho uma biblioteca com mais de três mil volumes e ela está sempre aumentando. Pena que a prática da leitura não seja mais um valor em nossa sociedade. Sou professor de Filosofia e sinto isso nos meus alunos, aquela preguiça insuportável de ler até os menores textos. Mas alguns ainda podemos salvar, não é? Um abraço!

Teresinha Ferreira disse...

Olá Jussara,
Fantástico essa sua postagem!!!
Os valores nem sempre são iguais para as pessoas, pois para muitos o valor pago em livros é dinheiro jogado fora.
Infelizmente, né?
Agora, você tem um relíquia em casa, heim? (Quer dizer, deve ter diversas). Esse catálogo da Sears deve ser fabuloso. Tem coisas que guardamos, que independente do preço tem um outro valor... O valor sentimental.
Bom final de semana.
Beijos mil

Carlos Medeiros disse...

Não sei quanto pagaria por um livro, mas sei que alguns valem muito, nem tem preço. Bom domingo.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

eu me lembro da Sears tb... do Mappin, Mesbla... pena q não tem mais né.

olha que interessante...por um catálogo a gente pode desvendar como se vivia em uma época. o que se comprava, o que era caro ou não, o que era bonito, etc. é verdade, eu nunca parei pra pensar nisso.
e devem ser tão interessantes esses catálogos antigos... tanta coisa diferente. uma vez vi um que anunciava um filtro d'água com elemento radioativo pra trazer saúde rs.

bjs


Beatriz Paulistana disse...

Boa tarde Jussara!!!
A cada dia me apaixono mais pela arte da leitura.
Bons livros...estão ocupando meus horários livres. E estou mais feliz!!!
Jussara:
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
Tenha uma semana feliz e abençoada.
Bjokas...da Bia!!!
http://pequenosgrandespensantes.blogspot.com.br/