sexta-feira, 10 de agosto de 2012

100 anos de cacau e política


Jorge Amado - 10 de agosto de 1912/2012



Jorge Amado faria 100 anos hoje e a data está sendo comemorada com todas as pompas e circunstâncias, inclusive é o tema da Bienal do Livro de São Paulo (de 9 a 19/08), não perca se estiver pela Paulicéia.
Gosto de Jorge Amado, ele era um dos escritores preferidos do meu pai e tínhamos em casa a coleção completa de suas obras, então eu li boa parte de sua obra, mesmo que algumas fossem fora da minha idade, na época, mas censura não fazia parte da minha casa. Gosto mais de uns que de outros, alguns livros são terrivelmente datados, outros são atemporais e alguns parece que ele estava cumprindo contrato (acho que isso é meio maldade de minha parte, rs).
Gosto de Jorge, pois foi um homem de seu tempo, comunista quando isso cativou corações e mentes e meu pai compartilhou dessa simpatia, quando se tornou escritor fez disso sua atividade principal, foi (e é) um dos poucos escritores brasileiros que viveu exclusivamente de direitos autorais, nunca abandonou sua terra (como escritor) e pagou por suas convicções políticas sendo exilado, como tantos outros, e isso tudo não é pouco para os dias de hoje.
Gosto de Jorge por que uma das melhores lembranças relacionadas a livro que tenho da minha casa está relacionada a Capitães da Areia. Meu pai foi editor de um guia agropecuário, nós, os filhos, ajudávamos a embalar e etiquetar os guias para serem remetidos. A mesa grande lá de casa, somos seis filhos,  virava uma linha de produção (um embala, outro cola, outra amarra e etc.), uma tarefa infindável e chata, mas uma vez minha irmã resolveu contar a história do livro que ela estava lendo para ajudar passar o tempo e lá veio Capitães da Areia, como ela não tinha acabado de ler tivemos que esperar pelo dia seguinte. Ela era e é boa contadora de história, quando eu li o livro ele não me deslumbrou a versão contada foi muito melhor, até hoje não o reli. Já reli vários livros dele, alguns mais de uma vez, tenho especial predileção por Dona Flor e seus dois maridos e pelos Velhos Marinheiros.  Gosto de Gabriela Cravo e Canela e já o reli algumas vezes, talvez a obra dele mais famosa que já virou filme e novelas. Não esperem de mim uma crítica seja a novela ou ao filme, cada um desses suportes da obra são diferentes, precisa haver adaptações dramatúrgicas, gostemos ou não. Afinal cada um tem sua Gabriela, ou Tieta ou Dona Flor imaginária, é nisso que está a beleza de se ler!
Gosto de Jorge, pois ao longo de sua obra que contém 49 livros, sempre foi honesto com seu modo de escrever voltado as raízes nacionais e não deu muita bola para o que estava na moda ou para que o marketing dissesse que era vendável, por essa honestidade foi traduzido em mais de 40 idiomas, para o Braille e gravado para ser ouvido. Criou personagens que ficaram no imaginário nacional, mesmo para quem nunca leu uma só linha do que escreveu. Viu sua obra ser adaptada para cinema, TV, teatro e rádio. É um dos autores mais conhecido fora das fronteiras do país e um dos mais festejados, tornando-se assim um autor para ser lido em qualquer época e lugar.

Gosto de Jorge, simplesmente. Salve Jorge!


20 comentários:

Valéria Cruz disse...

Salve Jorge!
os filhos da terra exultam seu ilustre rebento.
Adorei o post!
Bjão
V.

Juliana disse...

acho que li o jorge amado errado e na época errada.

tô amando a novela da Gabriela e fiquei curiosa pelo livro.

VaneZa disse...

Tu sabes que hoje em dia, depois de velha, que eu ando tendo vontade de ler Jorge Amado. Tava pensando justamente em começar com Capitães de Areia.

BeijoZzz

Pandora disse...

Eu nunca tive muita curiosidade com Jorge Amado, só li Capitães de Areia, foi uma choradeira só, achei emocionante... E olha que eu nem era professora ainda... Nos últimos tempos tenho sido fisgada pela vontade de ler outras histórias dele, acho que vou ler Gabriela mesmo \o/

E sim, é muito bom ter histórias com livros no meio, fofa sua história com Os capitães.

Nanda Pezzi disse...

Salve Jorge ;)

Beijos Jussara, um maravilhoso final de semana para vc!

nandapezzi.blogspot.com

Evanir disse...

Com saudades da sua casinha virtual
estou com meus dias um pouco complicado,
mais se Deus quiser tudo volta ao normal um dia.
Desejo um feliz dia dos pais perto ou longe
da sua presença seja um domingo dos pais
de amor união e paz.
No meu blog tem dois selinhos a esquerda do blog
convido você a pegar os dois selinhos e fazer sua
incrição nos blogs onde será feito o sorteio dos blogs do Brasil.
Dia 10/09/012 será meu aniversário será feito o sorteio
de 2 livros meus.
Com os 2 selinhos você tera 2 oportunidades de ganhar.
Conto com sua colaboração ficarei feliz com sua participação.
Estou sorteando também 2 livros só para Portugal
assim me sinto mais a vontade tenho grandes amizades Além do Mar
assim como todos os blogueiros também tem.
PS:Só vale inscrição para blog.(Facebook)
Não:
Um beijo carinhoso lindo final de semana beijos,Evanir.

Misturação - Ana Karla disse...

Salve!
Jussara, você é mesmo um espetáculo em crítica.
Li pouco de Jorge Amado, mas -re-conheço e sei de todo o seu merecimento pela autenticidade.
Grande homenagem.
Grata a você, por sua sempre presença carinhosa "lá em casa".
Tenhas um ótimo final de semana, cheios de alegrias, de paz e saúde sempre.
Xerossssss

Rosa de Paiva Lopes disse...

Eu trouxe livro de Jorge na mala.
Tenho até hoje e às vezes leio pra família, adoro as observações sobre dona Rosilda, sua douçura, simpatia, aquela maneira de ver a vida sem interesses da mãe de dona Flor, a gente ri demais!!

Bj

Tati disse...

Salve Jorge sempre. Que lindo post e homenagem. Eu estava vendo o GN Literatura ontem e o Edney perguntou a um amigo e historiador do Jorge se ele foi injustiçado por não ter recebido o prêmio Nobel. Ele respondeu que Jorge é amado e lido até hoje, enquanto vários autores que ganharam o Nobel são facilmente esquecidos. Então o Nobel é que foi insjustiçado, sem a presença de Jorge hehehe
Os personagens dele foram figuras presentes na minha infância e devo muito da minha atual forma de ver o mundo a ele, desprovida de muitos preconceitos.
Beijo enorme e faz sim o post com os marcadores, vou adorar ver os seus!!
Tati

Lufe disse...

Oi Jussara,

E salve Jorge!
Jorge Amado foi realmente um dos maiores auitores brasileiros. Com sua escrita regional nos cativou e ainbda cativa leitores de todo o mundo.Ele nos trouxe a magia do reconcavo baiano, das cidades movidas a cacau e do seu povo, com suas caracteristicas impares.
Gosto muito de Jorge, que leio e releio sempre com novos olhares.

bjo procê

Luma Rosa disse...

Engraçado... eu também já escrevi um texto que no final saldei Jorge Amado, pois é isso que devemos fazer quando nos lembramos de pessoas que enriqueceram a nossa alma.
Achei muito bonito o cotidiano da sua família e visualizei todos trabalhando juntos com sua irmã contando histórias. Se à mim gerou nostalgia, você deve sentir muita saudade! São as nossas raízes que nos fazem relembrar o que de melhor aconteceu em nossa vida e os livros fazem parte dessa trajetória, pois se são compartilhados, há muito mais que se lembrar do que aquilo que neles foi escrito.
Salve Jorge!! Bom fim de semana!! Beijus,

Beth/Lilás disse...

Eu também Jussara, gosto de Jorge Amado por sua brasilidade por toda a vida.
Li quase todos dele e o mais interessante, na minha época de escola, ginásio. Engraçado, naquele tempo de que tudo era feio e proibido, as escolas davam pra gente ler seus livros. E tem coisas nele que chegam a ser pornográficas né mesmo? Mas, a gente gostaaaaaaaava! hehe
beijocas cariocas

Lúcia Soares disse...

Não gostava dele, Jussara, o que tinha lido foi por "obrigação". O primeiro que li foi "Capitães de Areia" e fiquei um pouco incomodada com o erotismo. Depois li quase todos, por gosto. Gostei de Gabriela e de D. Flor, também por contas das adaptações da TV, era bom ver os personagens tendo vida.
Agora estou implicadíssima com essa Gabriela atual, primeiro pq não acho que a Juliana Paes a represente bem e tb porque a história está muito modificada, nem os poucos diálogos que aproveitam estão de acordo com o livro.Reli Gabriela, para tentar ver a novela, e gostei mais e mais, agora posso dizer que verdadeiramente me apaixonei por Jorge. Tb tenho a coleção dos livros dele, vieram da casa do marido, mas não são 49 livros, preciso verificar os que tenho e os que ainda não li.
Vc escreve bem por demais, não tem ninguém melhor pra falar de livros!
Beijo.

Teresinha Ferreira disse...

Olá Jussara,
Jorge Amado sempre nos encantou com seus livros.
Orgulho por ser brasileiro.
Beijos mil

Drixz disse...

No que diz respeito ao Jorge, não tenho muito o que falar. Sempre fui atraída pelos párias não reconhecidos. Quanto ao seu post lá de baixo, eu gostei de um livro, mas não é "grand chose". Chama-se "O cemitério de livros" e o autor chama-se Zafon. Outro que vale a pena, é The Help, título em inglês. Eu não sei o nome em português.

O último livro que eu li nacional foi um da Elvira Vigna, Nada a dizer. Mas eu não gostei. Achei meio repleto de clichês literários. Mas tem um autor nacional consagrado que eu a-do-ro os 2 primeiros romances. Milton Hatoum. Dois Irmãos e Relato de um certo Oriente vc lê numa sentada. É simplesmente magnético. Tem um livro chamado "Mario e Vera" que é do séc XX que é muito legal tbm. Mas muito difícil de achar pra comprar.

E assim que eu souber de um escritor saído do forno talentoso, te aviso. ;)

Bjs!

Portal de blogs Teia disse...

Olá.
Seu blog é muito legal,gostei muito.
Quer ter seu blog divulgado no Portal Teia,basta fazer uma visitinha.
Até mais

Rogério Pereira disse...

Salve o Jorge, meu Amado!

Inaie disse...

me arrepiei com o seu post, sentadinha na area de embarque de Dubai, a caminho de Londres.
mas o que eu mais gostei foi da linha de produção e da sua mae, contadora de histórias... :-)

Inaie disse...

na minha casa tinha censura, aos 14 anos, li Olga, acordando toda madrugada e lendo enquanto meus padrinhos dormiam...minha mae teria deixado, provavelmente, mas eu estava em férias. me lembro de passar a noite em claro devorando o livro e todo mundo reclamarq ue eu era uma dorminhoca, que passava o dia na cama.

Inaie disse...

na minha casa tinha censura, aos 14 anos, li Olga, acordando toda madrugada e lendo enquanto meus padrinhos dormiam...minha mae teria deixado, provavelmente, mas eu estava em férias. me lembro de passar a noite em claro devorando o livro e todo mundo reclamarq ue eu era uma dorminhoca, que passava o dia na cama.