sexta-feira, 20 de julho de 2012

Odeio Sopa!


Eu sou a Mafalda... bem...  depois dos 50 a gente fica mais pragmática como o Manolito e a Suzanita, mas a Mafalda ainda habita em mim.  Se você não sabe de quem eu estou falando ou você nasceu nos anos 80 do século XX, ou morava muuuuuito longe de qualquer coisa impressa ou era tão desatento que perdeu uma das melhores coisas dos anos 60/70 do mesmo século, na América Latina.
Mafalda é uma menina argentina, sem papas na língua que gosta de fazer perguntas bem simples, os famosos “porquês”, a questão está que as perguntas dela em geral precisam de uma tese para serem respondidas! Como ninguém responde, ela tira conclusões geniais e nos coloca para pensar. Mafalda nasceu em 1963 e “morreu” em 1973, ano em que seu criador resolveu não mais desenhá-la. Na época fiquei super triste, mas hoje tenho certeza que ele estava certo, todas as perguntas já estavam feitas! As respostas... bem essas você deve responder ao longo da sua vida. Por isso Mafalda é atual, é instigante, é fashion e é eterna. Você anda precisando se situar no mundo, leia a Mafalda.
Nas palavras de Umberto Eco , “na realidade, a Mafalda, em matéria de política, tem ideias muito confusas, não consegue entender o que acontece no Vietnã, não sabe porque existem os pobres, não confia no Estado e a presença dos chineses a preocupa. Só uma coisa ela sabe claramente: ela não se conforma.” É isso, o não conformismo é que nos prende a ela, não interessa que você não entenda muito de tudo que te rodeia, importante é perguntar e tentar responder...
A Mafalda não vive sozinha, como tantos personagens dos quadrinhos, ela tem família, um irmão menor,  muitos amigos, vai a escola, vê TV (adora o Pica-pau), ouve rádio, anda pela rua, brinca e odeia sopa. Seus amigos são crianças iguais a ela, têm caracteristicas distintas e com certeza você se verá em algum momento igual  a um deles, eu por exemplo amo o Filipinho, até hoje me pego tendo pensamenos iguaizinhos ao dele, principalmente quando estou com preguiça, rs...  Mafalda ainda tem um diferencial, é uma menina! Num mundo (1963) em que quadrinho era coisa de menino, povoado de super-heróis e seus companheiros nas bancas de jornal são meninos, Quino teve a clarividência de ver que as mulheres iriam mudar a face do final do século XX e no século XXI chegariam a ser mandatárias em seus países (aqui, na Argentina e em outros países) eleitas democraticamente e isso num momento histórico que a democracia não era uma prioridade latina.  Ela é minha heroína!
Há muito tempo queria fazer um post sobre a Mafalda, não achava uma oportunidade, está semana o Quino fez 80 anos, então corri  até minha coleção de Mafaldas (é, ainda tenho todos) e os reli todinhos, até sei que deveria fazer um post menos emocional, mas não dá, rs...  Conheci a Mafalda em espanhol, depois li traduções em português em edições portuguesas e algumas em traduções para o português brasileiro, até que um dia ganhei de um querido amigo Toda Mafalda, o livro já está bem caidinho pois sempre estou relendo e já ilustrei muito trabalho (meus e das filhas) com tirinhas da Mafalda. Quando o Humberto Eco escreveu sobre a Mafalda nos idos de 1965, disse que a geração dele queria criar filhos como a Mafalda (totalmente contestataria) mesmo  sendo difícil suportá-los, ele reconhecia que o remédio mais importante da casa era o Nervo-calm, eu tentei!
Mafalda foi e é um fenômeno editorial e um sucesso eterno, foi traduzido em várias línguas e  tem uma praça  em sua homenagem em Buenos Aires (que eu conheci), o Quino já publicou inúmeros livros de charges com sucesso, mesmo sendo o eterno pai dela, agora, estranhamente nunca, vou repetir, NUNCA foi publicada nos EUA, por que será? Hahaha...
Para os apaixonados, como eu, é impossível olhar o mundo e não ser como a Mafalda, cada leitura dá uma nova interpretação as suas indagações, sempre aprendo ou me faz pensar algo novo sobre velhas questões indiferente se já é a milésima vez que leio. Quem diria que uma menina de 8 anos, com 10 anos de “vida” e totalmente anos 60, seria um dos maiores símbolos de liberdade, contestação e pensamento livre até hoje?
Aquilo que eu penso da Mafalda não tem qualquer importância. Realmente importante é aquilo que a Mafalda pensa de mim.” Julio Cortázar
SOBRE O AUTOR
Quino (Joaquín Salvador Lavado Tejón ) 17 de julho  1932 -  desenhista gráfico e chargista  argentino, criou a Mafalda em 1963 e começou a publicar suas tiras em  jornais argentinos em 1964, Toda Mafalda é uma edição da Editora Martins Fontes.

Quino e Mafalda em 2009

20 comentários:

Adelaide Araçai disse...

Amo a Mafalda, mas só a conheci na minha fase adulta, pois lá no interior onde eu morava não brotava tanta coisa impressa assim..rsrs

Mas gosto de sopa...rsrs

Muita Luz e Paz
Abraços

Angelo Miranda disse...

Olá Jussara, estou encantado com o seu blog. Não o conhecia. Entrei nele por meio do comentário que você fez no meu (geopraticando.blogspot.com). Fui um dos selecionados para a antologia de contos que você é uma das juradas. Que bom que gostou do meu conto. Estou muito feliz e espero poder conhecê-la em breve, no lançamento da obra. Um abraço e sucesso!

Lufe disse...

Oi Jussara,

A Mafalda embalou os sonhos ou os pesadelos de muita gente.
Muito legal este seu post.
Me deu uma tremenda vontade de rele-la. Vou agora mesmo procurar o "toda Mafalda" pra comprar. Espero achar!!!

bjo procê.

Beth/Lilás disse...

Nossa, Jussara que vergonha, eu nunca li a Mafalda, embora já a tenha visto sempre desde minha adolescência, mas eu na verdade sempre fui da turma do Pato Donald, tio Patinhas e aquela pataiada toda. Eu era bem 'aézinha' só gostava de água com açúcar e assuntos mais complexos não me atraiam, gostava das besteirinhas, estórias de fadas e príncipes.
Agora que você me apresentou com todos esses detalhes a esta personagem encantadora e inteligente, fiquei super curiosa em ler mais sobre ela. vou fuçar os sebos de Petrópolis para ver se acho algumas revistinhas dela. Valeu!
bjs cariocas

Beth Blue disse...

Simplesmente amei este post! Tão gostoso de ler quanto as memoráveis tirinhas da Mafalda...eu também adoro esta menina esperta.

E como você mesma disse, tão atual. Perguntas sempre existirão, desde que existam mentes inquietas e almas rebeldes para fazê-las!

Tati disse...

Mafalda é muito genial! Tenho um livro com algumas tirinhas dela que guardo com todo o carinho. Sempre que preciso de algum puxão de orelha vou lá kkkkkkkkk Sempre me identifiquei muito com ela, pela simplicidade do pensamento infantil que muitas vezes o adulto não sabe responder justamente porque é simples!
Amei o post e amei seu blog! Te convido a conhecer o meu e se gostar, deixar um comentário, um oi, sinal de fumaça, qualquer coisa ;)
Beijos
Tati

Cissa Branco disse...

Ju,

Que delícia de texto, viajei agora. Concordo com o Eco, o ideal é criar filhos como a Mafalda, mas tem que ter muita paciência, eu que o diga.
Grandes beijos e que a Mafalda permaneça, junto a suas indagações, em nosso imaginário!

O Guri disse...

Eu também tenho Toda Mafalda. Na verdade, uma vizinha minha retirou ele na biblioteca da escola e "esqueceu" de devolver. Depois ela me emprestou e acabou indo embora. Foi tão rápido que eu também esqueci de devolver a ela. Mas nem sei o que seria de mim se eu não tivesse a Mafalda junto comigo.

Um vez eu queria ser que nem ela, queria que a minha mãe limpasse a casa e que meu pai trabalhasse fora. Mas não deu, fazer o quê?

Abraços

Carlos Medeiros disse...

Conheci Mafalda muito por alto, embora seja do meu tempo. Na época, eu curtia outros tipos de quadrinhos: heróis, super-heróis, os da Disney, os do Maurício de Souza. Etc. Abraços.

Mundo da Lu Roque disse...

Quem não curte a Mafalda? Ela é fantástica, adoro.

Érika Freire disse...

Uma amiga foi pra Argentina recentemente e me trouxe um marca livro da Mafalda. Muito fofo!!!

E você foi uma das juradas do concurso, né? Tomara que tenha gostado do meu texto. beijos, Érika

Nanda Pezzi disse...

Jussara, eu sou mega fã da Mafalda...
Que lindo seu post, uma super homenagem ;)

Beijos, ótima tarde!

nandapezzi.blogspot.com

Linda disse...

Ah que delícia!
Eu sempre gostei das tirinhas da Mafalda e hoje que sou mãe percebo que a minha filha menor tem esse mesmo jeitinho dela. Odeia sopa e vive de perguntas de nos tirar do sério. rsrsr
Não conhecia a história por trás dessa deliciosa leitura e agora gosto ainda mais.
Um abraço!

Anjo Canhoto disse...

http://anjocanhoto.blogspot.pt/

Deusa disse...

Me lembro vagamente da Mafalda,mas nem sei porque,acho que como a Adelaide Araçai,eu morava no interiorrrrr e pouca coisa me chegava facilmente as màos.
Mas sabe que vou procurar no youtube,fiquei curiosa.
Pois e amiga,eu e que coloco graça emtudo,passei foi vergonha,mas também....dois olhos roxos e com esta minha cara de boaconversa,acabei dando margem a imaginação daspessoas,mas sabe que até acho interesante,o mundo anda tào violento que as pessoas ja temlogo pensamentos de dor,ninguém me olhou e pensou em uma plastica.
Acho que os meios de comunicação(TV,internet,radio,jornal)se especializaram tanto em noticia ruim e as pessoas nào tem mais o costume de ler livros aoponto de ficar estagnados em um ponto de vista no minimo curiosamente negativo.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

Marina disse...

A gente vai se tornando mais pragmático mesmo, né? (Acho que é de tanto quebrar a cara e também um pouco por cansaço e senso de praticidade). Eu adoro a Mafalda, tenho a obra completa e a conheci quando tinha uns 8 aninhos e não entendia muito bem as tirinhas. Também detesto sopa (comida salgada líquida é algo completamente sem sentido pra mim), então tenho isso em comum. Fui à Argentina e não tirei foto com a famosa estátua da Mafalda, acredita? Vou ter que voltar lá só pra isso(desculpa esfarrapada, né?!). Abraço!!!

Nanda Pezzi disse...

Jussara, vim agradecer seu carinho e desejar uma ótima tarde!

Beijos

nandapezzi.blogspot.com

Luma Rosa disse...

A primeira vez que vi alguma coisa da Mafalda foram as tirinhas animadas, não as traduzidas por Daniel Mallo, mas as posteriores trabalhadas em dupla com Juan Padrón.
Cabe-nos agradecer de coração o traço e sobretudo a imaginação e sensibilidade de Quino, que nos deu uma personagem tão encantadora e consciente...
Faz falta nos jornais, tirinhas para crianças, mas daí fico pensando se as pessoas ainda lêem jornais. Que acontecerá com essa geração Bob Esponja?
Bom restinho de semana!! Beijus,

Misturação - Ana Karla disse...

Oi Ju!
Quando comecei a ler as tirinhas da Mafalda eu era recém alfabetizada e re-li várias vezes os quatro livrinhos da Mafalda que pertencia a minha irmã.
Também nunca vi uma garotinha tão inteligente e seus amiguinhos eram sensacionais. Completavam o todo.
Bom demais relembrar aqui.
Xeros

Inaie disse...

eu amoooo a mafalda, me identifico um monte com ela. mas nao sabia que ela tinha "morrido" dois anos depois de eu nascer.

:-)

Adoro sopa.