terça-feira, 3 de julho de 2012

Buenas.Vá entrando e se abanque.

O Analista de Bagé, Luis Fernando Verissimo

Depois de cinco meses convivendo com o pai nada como dar umas boas risadas com o filho, como passei  esses meses em Bagé a escolha era óbvia. O analista é  um psiquiatra “mais ortodoxo que pomada Minancôra ou Pastilhas Valda” divertido, rústico, politicamente incorreto e sem a menor paciência com frescura, suas primeiras crônicas apareceram em 1981 e de lá para cá virou uma figura autônoma, já ganhou peça de teatro, história em quadrinhos e já vai pra lá de mais de 100 edições. Suas consultas são bem rápidas e sempre termina com uma das suas conclusões loucas e geniais, em geral se utilizando de expressões regionais. Eu já conhecia o analista e teve até gente que me perguntou se eu iria encontrá-lo em Bagé, risos... mas depois do tempo que passei por lá elas ficaram muito mais saborosas. Eu sei o que é um pelego (que ele usa por cima do divã), consigo vê-lo de bombacha e  chinelas com a cuia na mão. Ele é meio grosso mas como diz o próprio  autor ao apresentá-lo,  “certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vêm de Bagé (...) mas, pensado bem, o analista não poderia vir de outro lugar.” Concordo com o Luis Fernando.
Todas as casas do centro da cidade são iguais a essa!
Bagé é uma das cidades mais agradáveis que eu conheço, as pessoas são sempre simpáticas e acessíveis, por outro lado eles são completamente gaúchos no falar e nas maneiras, no começo você pensa que eles estão brigando com você... até entender todas as nuances do capaz, do merece  e do bah, aliás você entende no exato minuto que começa a usá-los. Com a perspectiva de ficar meses numa cidade, morando em um hotel, você tem duas opções: ficar infeliz e reclamar de tudo ou procurar se integrar, olhar as diferenças e as igualdades e se divertir. Eu optei por me divertir. Fui aos pré carnavelescos, assisti o desfile das bandas e desfilei numa das escolas de samba (aliás foi a campeã), bebi pinga com butiá, comi churrasco de ovelha, assisti o desfile da Semana Criola Internacional em suas ruas, fui ao Parque de Exposições da cidade ver uma gineteada (provas de cavalo e gado), aprendi o que é esquila (tirar a lã da ovelha), mexi com pele in natura (apesar do cheiro), ouvi música nativista e fui a uma apresentação desses músicos, aprendi o que é um tento (uma tira de couro cru, sem qualquer tratamento), comprei quatro bombachas (as melhores calças que já vesti na vida e gostei mais das masculinas) e como vocês sabem só andava de bota. Evidente que se você é bem acolhida tudo fica mais fácil, afinal eu tinha como base um prédio tombado o Palacete Osório, atualmente a Secretaria de Cultura do município, visitei e fui bem recebida em todas as casas, lojas, CTGs e estâncias que fui. Ninguém nunca me negou uma informação, mesmo quando eles achavam um absurdo eu não saber o que era um basto (uma peça que se coloca no cavalo, continuo sem saber o que é, exatamente). Apesar de ter nascido na Paraíba, morado anos em São Paulo e atualmente morar no Rio, posso dizer que me sinto meio bageense e, às vezes, meio como o analista sem a menor paciência com frescura.

“Hai mil regras pra comê mas nenhuma pra cagá”. Máxima do Analista de Bagé

As fachadas das casas são sempre coloridas.

O palacete que eu trabalhava.
Meus amados cachorros do portão.
Cavalos pelas praças.
Gaúcho sem cavalo não existe, nem que seja de pedra.

Desfile da Semana Criola, sempre a cavalo.

Para não esquecer o lindo céu de Bagé.

SOBRE O AUTOR
Luis Fernando Verissimo  (1936-  ) – jornalista e  escritor gaúcho e filho do escritor Érico Verissimo, o Analista de Bagé começou a aparecer em crônicas em 1981 ganhando o mundo em novos formatos e edições.

17 comentários:

SHEYLA -DMulheres disse...

Ju,
Muito legal se aprofundar nessa cultura tão rica! E vc curtiu bastante, quando pode, de Bagé. Amo as casinhas tudo iguais e coloridas.

Bjos, Sheyla.
P.S - Nos encontramos em Fortaleza, né mesmo?

Regina Rozenbaum disse...

Ah Ju, que ótima lembrança desse analista! Já ri muiiiito com ele e suas tiradas..."O gaúcho é o que é porque a bombacha dava espaço"
Beijuuss n.a.

Lufe disse...

Oi Jussara,

Meu xará é realmente genial e o seu "analista" é fantastico.
Os gauchos tem mesmo esta agressividade no falar e inicialmente nos espanta, mas em pouco tempo ao nos acostumarmos com este "parlar", vemos que são pessoas doces e recebem muito bem os visitantes.
Gostei da descrição e fotos de Bagé, deve ter sido uma temporada inesquecivel.
Como bem lembrou a Regina logo acima, nada como uma boa bombacha para favorecer e preservar a masculinidade gaucha.....rsrs


bjos procê

Luana disse...

Ju, eu adoro esse livro! Eu nunca fui para o Rio Grande do Sul, o maximo foi ir ate o Parana, de onde Maridon eh (voce ja sabe disso!).

Mas na comunidade hippie onde morei, na divisa de sao paulo com minas, usavamos algumas palavras dessas que voce citou... nao me pergunte porque!

E cavalos... Ahhh cavalos! Eu poderia morar em Bage so pelos cavalos... Eu moraria em qualquer lugar apenas pelos cavalos... FIM... =)

Lindo o palacete... lindo! E adoro churrasco de ovelha, me perdoem os vegetarianos....

beijos

Glória Maria Vieira disse...

Juh, meu amor, por que você teve que ir morar por uns tempos em Bagé?!Acho que perdi algum detalhe da história. =/ No mais, que poste gostoso. Interagir com uma cultura diferente da nossa é sempre uma delícia. Eu gosto.

Lúcia Soares disse...

Jussara, seu trabalho a enriquece muito e isso é uma delícia. Adoro os Veríssimo, mais o filho que o pai, acredite! rsrs Por que adoro gente que tem humor. (embora ele mesmo diga que não tem, mas será de onde que tira tanta coisa pra nos fazer rir desbragadamente?!).
Nunca li o Analista, nem conheço Bagé. Agora um pouquinho, pelas fotos. O gaúcho é dos brasileiros mais tradicionais, pelo visto.
Beijo!

Linda disse...

Querida obrigada pela força.De verdade!
Você como sempre nos presenteando com cultura e conhecimento. Obrigada!
Um abração!

Nanda Pezzi disse...

Jú, adoro! Amei o post ;) Li e ainda leio o Analista de Bagé! Rico! Parabéns ;)

Abraços, ótima quinta!

nandapezzi.blogspot.com

Kézia Lôbo disse...

Sempre ouço otimos elogios a essa obra e sempre me recomendam, mas sempre vou deixando passar, sinceramente sua opinião me deixou bem curiosa, quero ler para ver o que vou achar...

Márcio Mór disse...

Jussara,

Muito legal teu blog! Tu já havia me falado dele, mas assim como tu não estava tendo muito tempo ultimamente ...risos... É muito bom saber que sentes um pouco "Bageencidade" na tua vida agora e que algumas coisas daqui ficarão marcadas na tua lembrança.
Só poderia dar nisso, (ficares um pouco gaúcha), fruto de todo o trabalho de pesquisa e reconhecimento da nossa cultura e te aprofundando dessa maneira nessas duas obras primas da nossa literatura (O Analista de Bagé e O Tempo e o Vento) que fizeste com extrema dedicação, fato que fui testemunha nesses cinco meses.
A lástima fica por conta do meu relatório. Lembras?...(risos)...Mas não te preocupas, já me virei por aqui e quem sabe fica para uma próxima, já que agora temos uma "paraibanocariocaúcha" especializada na cultura e literatura gaúchas.

Abração e que o sucesso continue te acompanhando! Bjs

Ana disse...

Oi, Jussara!

Obrigada pela visita à estante Mágica. Estou comentando aqui, mas fui aos posts antigos para ver o rancho da Ana Terra. Maravilhoso o trabalho do qual você participa e divulga aqui no blog. Passarei a segui-lo e espero voltar sempre.

Abraços!

Regina Rozenbaum disse...

Nananinha...vortei pra te puxar pelas palavras. Tudo bem que teve sua eleita, mas trate de me ajudar nessa nossa construção. Logo vc Ju? Doutora na arte de bem palavrear! Vorte lá. Pensa uma(s) aí, deixa fluir e deita lá, ok? Num é concurso rsrsrs
Beijuuss, amada, n.a.

Pandora disse...

Luis Fernando é uma delicia de se ler, ao menos foi o que eu pensei depois de ler "As mentiras que os homens contam". E sim, também é uma delicia ler suas crônicas de viajem e o mergulho pelo mundo gaúcho só aumenta ainda mais a vontade que a gente tem de sair de casa para ir ver o filme no cinema!!!

Celia na Italia disse...

Luis Fernado Verissimo assim como a sua postura na cidade, dispensam palavras!!!
Super abraço

Inaie disse...

Eu li!!! E adorei. Lí no exílio e aproveitei pra azucrinar muito meu amigo Gaúcho, que dividia o exílio conosco!!

consegui um programa que me deixa acessar blogs aqui no vietnam - quanto tempo vai durar eu nao sei!! Aproveito enquanto posso.

Graça Pereira disse...

Gosto de aprender e saber sobre a cultura brasileira que acho muito rica nas suas expressões.
Beijo
Graça

Geíza Bolognani disse...

Jú, vc morou em Bagelo?
Atualmente moro em Santa Maria!!!
Acho o palacete lindo, especialmente os cachorros. Coincidências da vida... na praia no Rio (nessas férias) conheci A (ela se diz) herdeira do Osório. Aí falei do casarão de Bagé e cia... mas ela disse que aí estão os parente colaterais, que direto... é ela mesma. Gauchada se liga muito nisso de família e árvore genealógica. Bjks.