sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A brasa é minha e a sardinha também

Eu sou bem brasileira em certos aspectos, tenho complexo de vira-latas e certo pudor em elogiar algo meu, mas estou lutando bravamente contra esse estado de alma. Se é bom, se é meu por que não elogiar e propagar aos quatro ventos? Vou fazer exatamente isso aqui!
Tenho um irmão escritor, tenho um irmão editor, tenho um monte de primos (alguns escritores também) e irmãos que são leitores vorazes (obrigado aos antepassados que nos legaram isso) que dizem: o Fábio é um escritor dos grandes! Já falei dele quando resenhei seu livro Bola da Vez e ganhei de presente um poema seu que define o meu blog. A semana passada ele lançou seu último livro Gota de Sangue.
O lançamento foi concorrido e quem foi o viu declamar poemas (sniff eu não pude comparecer), a Maca do Agenda Ilustrada postou sobre a grande noite com muitas fotos. A capa do livro é linda e foi ilustrado com fotos do autor e tem tratamento gráfico do Júlio Xavier. O Júlio é irmão e é o editor... e vamos que vamos. A Digitexto está procurando um caminho alternativo em suas publicações e distribuição de seus livros, por isso Gota de Sangue só pode ser comprado em sua loja virtual, vão lá! Existe uma outra oportunidade de obter o livro, mas é preciso ter sorte. A Elaine Gaspareto, Um pouco de mim, está fazendo um sorteio de um volume, não custa tentar.
Tá, já elogiei a família toda, não... no blog Fósforo (de um primo que  tem um texto maravilhoso e que também logo,logo vai lançar um livro) tem uma ótima resenha, não deixe a curiosidade te matar! Agora sim já elogiei todo mundo! Vocês se perguntam: e você não vai resenhar o livro? Eu vou. Não agora que as emoções de sonhos realizados estão tão afloradas e não dá para escrever com um mínimo de isenção, só digo: adorei! Quer saber como nasceu Gota de Sangue? Conheça o blog que conta os bastidores do livro.
De alhos para bugalhos, mas ainda dentro do tema, o último livro de poesia publicado por Mário de Andrade, Lira Paulistana, contém o poema abaixo, uma declaração de amor pela cidade de São Paulo, amor compartilhado pelo Fábio, leia o poema, leia o livro e descubra o que eles têm em comum.

Quando morrer quero ficar, Mário de Andrade

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade…

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade…

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

SOBRE O AUTOR
Mário Andrade (1893 — 1945) - poeta e romancista paulista, um dos fundadores do modernismo brasileiro. Publicou Lira Paulistana em 1945.

24 comentários:

Mônica disse...

Ju, odeio este jeito de brasileiro. Eu chamo isso de falsa modesta, pois no final há sempre um jeito de todo mundo saber de tudo. Porque também, oh povin fuxiqueiro!
Bem, quanto a sua letrada família, muito me orgulha conhecê-la, por não toda, mas pelo menos, siberneticamente, um membro muito importante, você.
A minha também tem uma veia poética, pelo lado de meu pai. O povo dessa banda é dado a ser poeta, cronista, autobiográfico, humorista, etc. E eu adoro ler algo deles, pois sinto a minha cultura interna, as minhas raízes vibrarem literalmente.
Eu imagino o que você sinta ao ler algo de seus irmãos ou primos, é algo que emociona de verdade.
Adorei seu post.
Bju

Bia Jubiart disse...

Que família talentosa Jussara!

De vez em quando me dá crise de "Policarpo de Quaresma", temos que cantar e bradar as nossas riquezas, talentos e criatividade! Temos que parar com a síndrome do coitado colonizado...

Uma boa noite de sexta p/ vc!

Beijoooooooooo

Beth/Lilás disse...

Oi Jussara!
Eu vi lá pelo blog da Macá o lançamento do livro do teu irmão Fábio e espero que ele tenha muito sucesso de vendas, pois o primeiro foi muito bem, né mesmo?
Parabéns a ele e a toda a família!
bjs cariocas

M. disse...

bem...vejo que o talento para a escrita está no vosso ADN...

Lufe disse...

Jussara,

Junta o complexo de vira latas com a formação cristã e um senso critico apurado......só faltava ser mineira.....Rs

Tem mais é que elogiar mesmo!
E a gente te conhecendo, atraves deste tempo todo, sabe que se não fosse bom, mesmo sendo irmão, voce não indicaria. Acertei?
Andei dando umas voltas lá no blog,já há algum tempo, vendo como se construiu o romance e da forma como foi escrito, com o cuidado como foram feitas as pesquisas, ele só pode ser muito bom mesmo.
Estão todos de parabens!

um beijo procê

Rogério Pereira disse...

Jussara
faz um favor para mim
recolhe esse corpo todo
para plantar em meu jardim


Passarei com mais tempo para conhecer a família... Entretanto... fale bem dela,
porque é boa,
porque é bela.

Anônimo disse...

Mãe,

não pode elogiar? Então nem vou falar. Afinal ter uma mãe blogueira das primeiras, um padrinho editor, um tio e cumpadre escritor e não pode elogiar ou falar bem é muita "falta de sacanagem". Risos

Estou super curiosa com o livro. Quando acabar me empresta.

Beijos

• Ӗwerton Ľenildo. disse...

kkkkkk Se sua família só tem talentosos? O jeito é falar deles mesmo rs hehe
E Blog, só serve para falar do que agente gosta, hoho
Seguindo aqui, achei magnífico :D
Parabéns, abraços.

http://papeldeumlivro.blogspot.com/

Regina Rozenbaum disse...

kkkkkk tô rindo do Lufe, conterrâneo...é assim messssmo! Parabéns pro irmão, procê, enfim pra toda a família. Sucesso!
Beijuuss n.a.

Aline M. Gomes disse...

Nossa, Ju!!! Se é bom tem que divulgar mesmo!
Parece ÓTIMO!!!
Parabéns por essa família super talentosa! Um abraço!

Dandara Valença disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SHEYLA XAVIER - DMULHERES disse...

Jussara
Eu tenho muito orgulho dessa família letrada! Amo vocês!!
Cheiro grande.

Beth Blue disse...

Nossa Jussara! Que família letrada você tem...deu até uma certa inveja agora, rsrsrsr.

Na minha família, que eu saiba, só mesmo a minha mãe e a irmã dela (tia de POA) que amavam (amam) livros...minha mãe sempre comprava do círculo do livro, tínhamos uma bela biblioteca em casa...depois que ela faleceu, meu pai se desfez de tudo - ele não dava valor aos livros, só lia religiosamente o jornal (ao menos isso). Eu já morava aqui na Holanda e só soube depois. Confesso que até hoje tenho dificuldades em perdoá-lo.

Deve ser muito bom ter uma família de escritores e gente letrada.

Julio disse...

O que falar além do que já disse no Fósforo? Somente agradecer pelo carinho e pela força. Não. Não vou fazer o batido discurso e de que escrever e editar livros nesse país é uma luta ingrata. É, mas adianta ficar chorando? Enquanto houver bons escritores como o Fábio, que merecem ser publicados, vamos continuar na batalha. E já que a sardinha, a brasa, a grelha, a cerveja e a casa são da família, vou puxar um tantinho pro meu lado: a diagramação, a "cara" que ficou esse livro é um dos trabalhos que mais me orgulham na vida. Achei que ficou lindo.

Adelaide Araçai disse...

Jussara, eu sou conhecida na minha familia por uma alta auta-estima, traduzindo tudo o que é meu é maravilhoso. Não tenho pudores em enaltecer o que amo. Faço valer a máxima:
"Se eu não gavo o Zeca gava."
Vou correndo conhecer essa familia que segue no meio literário. Adorei essa inversão dos seus principios para nos mostrar que aí livros fazem parte da genetica....rsrs
Muita Luz e Paz
Abraços

Rafaela Bento disse...

Demorei um pouco, mas por aqui vim, e ja vou logo conhecendo toda a sua família....rs!

Bjus!

Cinderela Descaída disse...

Adorei o poema e vou conferir os livros e os blogs. Andei trabalhando como uma alucinada (não gostei muito, mas vá lá, é assim mesmo) e mal tive tempo para ler.
Queria comentar com você: terminei recentemente de ler o Túnel do Sábato. Me apaixonei. Gostei tanto que agora estou lendo Sobre Heróis e Tumbas.
Fiquei pensando: como a Argentina tem um contingente rico de grandes prosadores, não? Não que não tenhamos, mas, contemporâneos, parecem e aparecem poucos...pode ser impressão minha.
Bom domingo!

Heat disse...

Parabéns ao seu irmão.

te contar, chorei lendo o poema...

Queria amarrar tanta gente que ja morreu...

Teresinha Ferreira disse...

Êita família arretada essa sô!
E porque não falar das maravilhas que temos em nossas famílias? Adorei!!
Tudo de bom.
Bjs mil

Pandora disse...

Jussara eu estava pensando com meus botões depois de ler a postagem lá no Fósforo que "Isso é muito injusto, eu estou sendo "viumente" seduzida para ler um suspense... Logo um gênero que não curto..." (Eu sei, sou dramatica), mas depois de comentar fui ler os outros comentários e li a fala do autor sobre a questão da clássificação e tudo o mais... Enfim... estou menos indignada por ter sido "tão viumente seduzida" rsrs, vai ser uma boa leitura... quando estiver de posse do livro te conto...

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Claro que quero ler, estou na fila! Se é via Macá, seu irmão, tem parecer da Elaine, diz pra mim se não é ótimo???

E outra, deixe a modéstia de lado, o medo do elogio, pq vc é uma pessoa que merece milhões deles. Gosto muito de vc, Jussara.

boa semana

A. Marcos disse...

Quiando eu vejo como determinados escritores sabem lidar com tamanha graça com as palavras e com os pensamentos eu fico até envergonhado das poesias que escrevo.

Bjs.

Celina Dutra disse...

Oh família abençoada, Jussara querida. Elogie e tenha certeza você é boa demaisssss! Sucesso para todos, pois o trabalho já foi feito, agora é correr pro abraço, pro elogio e pro dindin.
Girassóis nos seus dias e nos dias dessa talentosa família. Beijos.

Fábio Brazil disse...

Ju, elogio é que nem sorvete e pipoca: sempre gostoso! Mas como sei de onde esse vem, então ele ficou gostoso e importante! Sabe aquele negócio de "livro escrito, nos livramos dele", não é bem verdade, ainda estou reverberando um pouco a escrita e sentindo os comentários das primeiras leituras, parece que está indo pelo bom caminho, não sei se vai causar "paixões" como o Bola da Vez (um amigo me disse que ainda não começou a ler porque acha uma traição eu ter escrito outro rsrs), mas o GOTA vai levar o seu recado por aí. Porém há uma outra verdade que você conhece bem, se "livro escrito, livramo-nos dele", "livro lido, nunca mais nos livramos dele", acho que o GOTA vai por aí, sedimentando no leitor como vem sedimentando em mim, gostosamente. Mas como aqui a vez é de elogiar a parentela, adoro essas suas Palavras Vagabundas e é preciso ressaltar o trabalho do Júlio (editor Digitexto) é bom demais, o livro ficou realmente lindo, às vezes torço pelo GOTA mais por ele do que por mim, eu escrevi o texto, quem fez o livro foi o Júlio! Eta família porreta!