segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Capa, espada e Paris

Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas


Andar por Paris faz a gente se lembrar de todos os romances que já leu e que aconteceram na cidade, afinal os palácios e os palacetes ainda estão lá, o rio Sena continua sua jornada pela cidade, as igrejas são testemunhas da história e as pontes continuam a unir as margens. Senti uma vontade enorme de reler alguns deles, relembrar os locais e colocar os personagens dentro deles, algo bem francês, bem Paris e bem o clima de época (é, eu adoro uma época!). Os Três Mosqueteiros foi a escolha lógica, ainda mais que fiz por terra e mar o caminho Paris-Londres. Uma delícia reler, colocar os personagens nas ruas e nos lugares que conheci, não tem preço!
Os Três Mosqueteiros é uma história bem conhecida, o que primeiro chama atenção é que os heróis são quatro e segundo os nomes dos mosqueteiros – Athos, Porthos e Aramis. O quarto elemento, D’Artagnan, é um jovem aspirante a mosqueteiro do Rei. Sim, do Rei. Porque existem os mosqueteiros do grande vilão do livro, o Cardeal Richelieu.  Escrito no século XIX, conta as peripécias dos quatro heróis durante o governo de Luís XIII, no começo do século XVII. Como o romance nasceu como folhetim, tem reviravoltas, mistérios (os nomes dos mosqueteiros são pseudônimos, pois são nobres com algo a esconder), duelos mesmo que proibidos, amantes, gente do povo, empregados fiéis e, para mim, a grande sacada do romancista: um Rei e uma Rainha reais, Luís XIII e Ana da Áustria, um vilão real o Cardeal e Primeiro-Ministro Richelieu, um inimigo galante, o inglês, Duque de Buckingham também um personagem real e os quatro personagens principais também são reais, fora outros personagens menos famosos.
Alexandre Dumas não estava muito preocupado com rigor histórico, pegou o espírito da época, as desavenças e, literalmente, mandou ver no seu romance. O Louvre, o Rei ainda morava nesse palácio, pois Versalhes foi construído por seu filho Luís XIV, parece uma peneira. Peneira, aos olhos de hoje, onde os dignitários são tão protegidos que o povo que os elege não pode chegar nem a 500 metros dos mesmos. No romance é um tal de entra e sai do palácio e  ninguém é impedido,  aliás só se escondem para não se verem uns aos outros, uma criada com livre acesso no palácio é quem articula a trama para salvar a Rainha (inclusive combinando estratégias com ela),  levando e trazendo gente para dentro do Louvre. Espionagem e intriga é feita nos corredores do palácio, nas tavernas mal afamadas, em algumas alcovas, nas igrejas e quase todo mundo se mete, seja sapateiro ou capitão de guarda,rs
Os personagens são tão bem construídos que mesmo quem nunca leu o livro os reconhece: Athos é sério, sempre melancólico e bebendo até cair para esquecer um terrível engano do passado. Porthos é vaidoso ao extremo e vive sem dinheiro, então usa seu belo porte para abrir as bolsas de suas inúmeras amantes. Aramis é o pensador, educado e ético, pretende ser um religioso, algum dia, durante o romance tem amantes e não pensa duas vezes em aceitar um duelo. D’Artagnan é jovem, impetuoso, ambicioso e não tem o menor problema de usar subterfúgios pouco éticos para conseguir o que quer, inclusive cortejar a criada da rainha que é casada com seu locatário ao qual ele deve muitos meses de aluguel.  Heróis, sim! Mas cheios de defeitos, portanto perfeitamente reconhecíveis para seus leitores como homens possíveis. O sucesso do folhetim foi tão grande que no mesmo ano (1844) foi lançado em livro daí por diante são incontáveis as reedições no mundo todo. Alexandre Dumas escreveu mais dois livros com os mesmos personagens e sem sombra de dúvida estabeleceu para todo o sempre o que é um bom romance ou filme de capa-espada.
Os Três Mosqueteiros já teve mais de 200 versões e adaptações cinematográficas, todo mundo já viu uma e tem até seu preferido. Eu gosto muito da versão de O Homem da Máscara de Ferro (1998), não é fiel ao livro, mas é impagável ver John Malkovich (Athos), Jeremy Irons (Aramis) e Gérard Depardieu (Porthos) interpretando os mosqueteiros, mais velhos, mais sábios e por que não dizer, mais blasés. Só para constar, é o filme em que Leonardo Di Caprio faz o Rei Luís XIV e D’Artagnan é interpretado por Gabriel Byrne.
No Brasil existem inúmeras versões, para criança e para a juventude, algumas versões inclusive “facilitadas” para quem não se dispõe a apreciar a linguagem original. Não caiam nessa, todas essas versões são higienizadas, ou seja; amantes somem, sovas dadas em criados desaparecem, a vilã que transa com os dois lados, não só politicamente, passa a ser uma mulherzinha vingativa, o Rei poltrão fica na história, o Cardeal é o vilão, mas foi quem preparou a França para o esplendor do reinado de Luís XIV , além do que  reconhece os préstimos dos mosqueteiros para o  bem da união francesa,  inclusive é quem empossa D’Artagnan como mosqueteiro do rei, é relegado a um homem que só quer fazer intriga entre o Rei e a Rainha. Leiam a versão integral é muito mais divertida!
“Um por todos! Todos por um!” – lema dos Mosqueteiros do Rei.
SOBRE O AUTOR
Alexandre Dumas, pai (1802-1870) – romancista francês, filho de um General de Napoleão Bonaparte e de uma escrava (não se sabe se liberta ou não) de Santo Domingo (hoje Haiti). Foi um homem famoso que gostava de mulheres e boa vida. Seu mais famoso romance Os Três Mosqueteiros foi lançado em 1844 e já foi traduzido em mais de 100 idiomas. A versão original do texto em português pode ser encontrada nas Edições Martin Claret.

22 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Dei ontem pro meu filho ler...

Ivan disse...

Quem não conhece essa história? Pelo uma versão cinematográfica já deve ter visto! E com essa sua resenha,tenho certeza que quem não leu, irá perguntar pelo livro na próxima visita a um Sebo!

Luana disse...

Meu filme preferido também eh o "Homem da mascara de ferro"... =)

Bia Jubiart disse...

Viajei na história e arquitetura...
Já li duas versões... Também gostei muito do filme " O Homem da...", os atores são excelentes! Apesar de não gostar da interpretação insossa do Di Caprio.

Jussara, uma semana iluminada p/ vc e Fernanda!

Beijosssssssssss

Ana Seerig disse...

Adoro "passear" por Paris através das palavras de Dumas. =)

Kinha disse...

Nossa, Jussara, amo esse livro. Foui um dos primeiros clássicos que li e até hoje releio de tempos em tempos. Muito bom mesmo.

Mayara disse...

Oi Jussara! Embora conheça a história através de filmes, nunca li o livro, e você me deixou com vontade. Depois te conto o que eu achei... eu estou lançando o primeiro desafio literário do blog, gostaria que você participasse se pudesse, pois gosto das formas como vc vê livros, das análises de lados que deixei passar batido na leitura. Um abraço e boa semana!

Misturação - Ana Karla disse...

É mesmo Jussara, todos conhecem os Três Mosqueteiros, mesmo quem nunca leu.
Gosto dessa história,,, para ler e reler sempre.
Boa semana
Xeros

mirtes disse...

Sabe que ainda não li "Os três mosqueteiros"? Acho até que tenho um exemplar em casa...
Incrivelmente acho que essa é uma das histórias que só conheço através de filmes (e o filme nem sempre conta a mesma história que o livro, né?).

Bjs

Sheyla Xavier - DMulheres disse...

Jussara,
Assim você falando, a gente se transporta a época rapidinho!Li há muito tempo, mas adoro mesmo os filmes de "capa e espada" que retratam essa bela época e os lugares...
Excelente semana,
bjokasss

Lufe disse...

Oi Jussara,

Voltou afiada, hem?
De Paris temos varios romances, né?
Alem desse genial que voce citou ainda poderia citar tambem o Fantasma da Opera e o Corcunda de Notre Dame, que tambem retratam outros monumentos franceses da época dos Luises.
A sua resenha dos mosqueteiros foi irretocavel, inclusive sua critica sobre as traduções "resumidas".
Assisti esse filme lançado agora em 2011. Parece que misturaram Julio Verne com Dumas. Achei uma M....!

bjos procê

Cissa Branco disse...

Jussara,

Esse já faz parte da biblioteca do Felipe, mas acho que ainda vai um tempo para ele ler, enquanto isso eu vou lendo vez ou outra para ver se a história não muda,rs.
Beijos

Celina Dutra disse...

Jussara querida,

Voltou animadíssima, hem? Ri com sua imagem da "peneira". E "vi" pela sua descrição o povo todo dentro do palácio! Sensacional resenha! Também gostei do O Homem da Máscara de Ferro.
Girassóis nos seus dias. Beijos.

HugoBrasil disse...

Estou pensando se compro o Gota de Sangue.

Autor desconhecido, editor duvidoso.

Faça a sua resenha imparcial.

Confio no seu "paladar".

HugoBrasil disse...

Em tempo e de acordo com o tópico.

Deu-me vontade de ler novamente o livro.

Sua descrição e analise foi perfeita, acho que isso deveu-se ao fato de ter visto os cenários que eram apenas imaginários.

Tenho certeza que a cada passo que perpetrou no Velho Mundo um livro e uma história, real ou imaginária, veio-lhe a cabeça.

Legalzão.

Bjs

Inaie disse...

as vezes eu acho que a gente acaba sabendo das historias por "osmose"pq eu nunca li o livro, mas cito os personagens como se fossem velhos conhecidos.

Vou procurar.

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Lembro-me dos dois volumes grossos, com mancha de impressão grande e tipo de letras também grande. Creio que era primeira edição... Ou terá sido segunda. Lembro-me também que mamãe emprestou o primeiro volume que jamais retornou à estante. Uma pena... Deu vontade de reler "Os miseráveis". Como os "mosqueteiros", leitura de juventide que me dá saudade... Pena que o Eça não lhe desça. Insista... quem sabe um dia. Perder você não vai, nada, tenho certeza!
beijinho

Rogério Pereira disse...

"No Brasil existem inúmeras versões, para criança e para a juventude, algumas versões inclusive “facilitadas” para quem não se dispõe a apreciar a linguagem original. Não caiam nessa..."

Excelente conselho...
Independentemente da qualidade da obra original é essa a que deve ser lida. Quanto muito leia obra resumida...

Rogerio Rinaldi e Glorinha Rinaldi disse...

Adoramos o seu blog,é super bem feito e sempre estamos por aqui conferindo todas as novidades.
Desejamos a vc uma ótima sexta feira.
Estamos sorteando 2 pares de brincos.
http://sbrincos.blogspot.com

Glória Maria Vieira disse...

Juh, minha querida. Esqueci de comentar no poste anterior que as fotos estão lindas, assim como você...
E sobre os três mosqueteiros, lerei. (como os 912389238213 livros que tenho pra ler, né?! kkkkkk :~)

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida
Vc sempre nos dando boas dicas de boas leituras e nos incentivando na cultura... fato primordial do bem viver...
Bjm de paz

Pandora disse...

Acabei de ler esse livro, e quem me impressionou foi Milady, talvez porque os heróis eu já conheça bem pelas adaptações, pela paixão das amigas, mas a vilã, essa me deixou de queixo caído!