segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Vossos filhos não são vossos filhos"



O Lufe é um dos meus primeiros leitores e dono de um os botecos mais bem frequentados da blogosfera. Somos amigos e temos muito mais coisas em comum do que ser da mesma geração, o livro que ele nos apresenta é daqueles livros que mudam as nossas convicções, ampliam nosso mundo e se tornam inesquecíveis!

Jussara, quando recebi seu convite imediatamente comecei a pensar no que escrever. São tantos os livros lidos e tantos me envolveram de alguma forma. Foram dramas, livros de aventuras, de contos, fabulas, romances, historia, realidade crua, biográficos, ficção, li de tudo um pouco. Minha cabeça deu um nó! Que responsabilidade!!!!
Mas como não tenho o costume de me furtar a um convite, principalmente vindo de você, quebrei a cabeça dias e dias e por fim me decidi a escrever sobre um livro que marcou bastante a minha juventude. Fui criado em família católica romana, onde meu avô era participante ativo nas liturgias e minha mãe sempre atuou junto à diocese nas pastorais. Frequentei catecismo e tudo mais a que tinha direito. No final da minha adolescência comecei a questionar seriamente a religião, não só a católica, mas todas as outras que conhecia. Essas reflexões me levaram a questionar muitos dogmas impostos e comecei também a perceber que todas elas partiam praticamente de um só fundamento. Mas eu não acreditava nos seus representantes. Nesta época, cai em minhas mãos um livro, que mexeu comigo, me instigou a pensar e que iria nortear o meu pensamento e minha conduta espiritual ate os dias de hoje...
É um livro escrito com uma profundidade e simplicidade impressionantes, que nos leva sem duvida à reflexão.


 O Profeta, Khalil Gibran Khalil



No livro, um líder espiritual muito respeitado de uma comunidade decide deixar seus seguidores e partir em uma longa jornada da qual possivelmente não retornaria. Seus seguidores ficam apavorados com isso, e tentam convencê-lo a não partir. Eles começam rapidamente a questionar como poderiam viver sem seus ensinamentos e conforto e se declaram incapazes de viver suas vidas sem ele. A partir de então, cada capitulo do livro apresenta uma série de questionamentos e respostas conforme as pessoas se dirigem ao profeta, a quem chamam de Mestre, sobre como devem conduzir suas vidas.
O profeta, pacientemente, oferece novas respostas para mostrar aos seus seguidores que eles podem achar o que procuram dentro de si próprios. Ele procura dar um aspecto divino à própria condição humana, à interiorização de cada um, ao invés de buscar a divindade no mundo exterior.
Ele deixa claro que o homem podia prescindir das religiões organizadas, institucionalizadas, para comunicar-se com o divino.
Gibran nos mostra através de sua obra, que ele enxergava uma espécie de fonte comum na origem de todas as religiões (que era dos meus questionamentos) e que era diluída pela humanidade através do tempo e do espaço, de acordo com as circunstâncias.
Era o pensamento de Gibran: “Não siga ninguém nem acredite em coisa nenhuma a não ser em sua própria imortalidade”.
O livro, sem dúvidas, tornou-se um dos mais conceituados trabalhos sobre espiritualidade já publicados.
Em um dos capítulos, “Os Filhos”, eis a fala do “Profeta”:

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
“Vossos filhos não são vossos filhos.           
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.           
Vêm através de vós, mas não de vós.           
E embora vivam convosco, não vos pertencem.           
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,           
Porque eles têm seus próprios pensamentos.           
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;           
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,           
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.           
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,           
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.           
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.           
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força          
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.           
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:           
Pois assim como ele ama a flecha que voa,           
Ama também o arco que permanece estável.” 
Lufe
SOBRE O AUTOR

Khalil Gibran (1883-1931) – filósofo e pensador libanês, publicou em árabe e inglês. O Profeta (1923) é sem duvida o seu livro mais famoso. Ao mesmo tempo em que escrevia, Gibran se dedicava também a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos. Seus quadros foram expostos em Boston e Nova York.

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23 comentários:

Vanessa disse...

Adoro Gibran, em especial este livro e esta passagem específica, da qual tento me lembrar sempre que estou perto de cair em tentação e achar que meu filho é propriedade minha :-)

Bela escolha Lufe, parabéns !

Celina Dutra disse...

Mais um FERA, Jussara!
Não conheço Gibran. A excelente sinopse do Lufe me fez colocá-lo na lista. Parabéns!

Girassóis nos dias da Jussara e do Lufe.
Beijos

Glorinha L de Lion disse...

Nossa, adorei a resenha do Lufe! Eu tb nunca li Gibran e já me interessei...ó céus, minha lista não para de crescer e meu bolso a ficar ainda mais vazio....Talvez não responda aos meus questionamentos que são quase certezas, mas como nada é certo nessa vida, só a morte...vou ler para ver....beijos aos dois!

Glorinha L de Lion disse...

Jussara, esqueci de dizer, essa sua série está impecável. Cada um melhor que o outro! beijos, parabéns!

Beth/Lilás disse...

Jussara!
Fiquei também bastante impressionada com o livro que teu amigo Lufe apontou e lembrei-me que já o li, num tempo longínquo, quando era moda ler este tipo de livro filosófico e espiritual. Li também alguns de Lobsang Rampa que eram quase na mesma linha. Agora, lendo o que ele colocou fiquei pensando o quanto eu já ali buscava a espiritualidade de uma forma diferente da que fui criada, em igrejas e suas liturgias e dogmas.
Foi tão bom reler este texto magnífico, pois ele me situou mais uma vez a respeito de meu filho - nossos filhos são espíritos, esta é a verdade.
um beijo grande, carioca

Mônica disse...

Ju, que palavras deste seu amigo!
Quanto ao Gibran, já perdi a conta de quantos livros dele eu já comprei na vida, pois sempre que compro um, logo o dou de presente. é um livro maravilhoso para se presentear, assim aleatoriamente.
Muito lindo seu post.
Bju

Rogério Pereira disse...

Bom texto do Lufe
Estou certo, que se tivesse lido tal livro ele mexeria comigo.

Fico com um pensamento retido: “Não siga ninguém nem acredite em coisa nenhuma a não ser em sua própria imortalidade”.

(acho que vou falar sobre um livro. È até ao fim de Setembro, certo?)

Pandora disse...

Eu já ouvi falar muito em Gibran, muito mesmo, mas nunca li nada dele... Depois dessa do Lufe fiquei instigada! Realmente os filhos não são dos pais, são do mundo, muito sabia essas observações... as crianças realmente moram no amanhã.

Regina Rozenbaum disse...

Êita que esse moço Lufe - da terrinha - arrasou na escolha e resenha...arrasou tumém na minha viagem no túnel do tempo...bons tempos de Colégio Santo Antônio e Frei Danilo "subvertendo" a ordem franciscana e indicando-nos Gibran para leitura do mês! Gosto entre tantos dizeres dele mais esse:
Aprendi silêncio com os falantes, tolerância com os intolerantes, e gentileza com os rudes; ainda, estranho, sou ingrato a esses professores.
Beijuuss n.a.

Lufe disse...

Jussara,

É uma delicia participar dessa sua festa e mais gostoso ainda receber suas palavras carinhosas e generosas.
Fazer uma resenha para publicar em seu espaço é uma responsabilidade única, pois a considero uma mestra nesse quesito.
Que seu blog continue a nos deliciar por muitos anos mais, com as suas sugestões de leitura e o seu olhar peculiar sobre as obras dos mais diversos autores.
Você nos ensina a cada postagem que os livros sempre tem algo a nos acrescentar, basta olha-los com um olhar critico e a mente aberta.

bjos

Cinderela Descaída disse...

Gostei, apesar de ser absolutamente agnóstica. Já havia lido trechos de Gibran antes, mas gostei desse sobre os filhos porque, apesar de certa aura espiritual, ele toca em um conceito científico: os filhos são a perpetuação dos pais. Sim, flechas atiradas para o futuro.
Muito bom. Parabéns!

Adriana Alencar disse...

Vou procurar este livro agora mesmo, muito obrigada pela indicação!
Adri

Inaie disse...

querida, obrigada por me dar animo pra voltar a blogar! Beijos no coracao...

Celina Dutra disse...

Jussara,

Viu isto?

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2011/09/caixa-tira-do-ar-progaganda-que-mostra-machado-de-assis-branco.html

Nossos e-mails devem ter ajudado.

Girassóis e beijos pra vc.

Sheyla Xavier disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
。♥ Smareis ♥。 disse...

Adoro Gibran, mais não li o seu livro. Esse texto é maravilhoso.Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Desejo uma ótima quinta-feira com final de semana maravilhoso. Bjs!
Smareis

Deusa disse...

Nossa...cheguei aqui para uma visitinha e cai o queixo com o livro escolhido pelo Lufe,preciso ler este livro,tão impressionante...este trecho do livro chegou a me arrepiar....Obrigada pela indicação.Fiz um cantinho de leitura e vou aproveita-lo.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Lufe é o cara! e já escolheu um livrão pra apresentar. Eu li e gostei muito.

na maior inveja de vc, dele. é sério, adoro gente que sabe apresentar, resenhar um livro sem encher o saco, sem contar o mistério, e sem falar o óbvio ululante.

é isso ai, Jussara!
bom dia pra vc
bjs

Ivan disse...

Boa escolha! Eu não li, mas com essa resenha e tantos comentários a favor, o livro só pode ser ótimo! rsrs
Esse blog é um boteco com frequentadores de muito bom gosto!
Abraço

Adelaide Araçai disse...

Parabéns Pela bela escolha, eu amei ler esse livro e o mais interessante é que ele me cai nas mãos justamente em um momento similar ao descrito pelo Lufe - ou seja ele veio como uma resposta aos meus questionamentos. Adorei relembrar...vou buscar para reler.

Abraços

Macá disse...

Ju
O Lufe arrasou também heim?
Eu li esse livro mas foi há um bom tempo. Devo tê-lo aqui na estante. Acho que vou separar para ler novamente.
Me lembrava muito desse poema, e embora eu derrape de vez em quando, e não ser nada fácil, procuro seguí-lo.
bjs

Mayara disse...

Oi Jussara, alem de adorar o Gibran, eu amei o profeta! O Lufe mandou muito bem na escolha!

Irene Moreira disse...

Oi Jussara
Como está gostoso estar aqui e ver resenhas de livros de livros que confesso que deste posts não li.

O Profeta é um livro que sempre pensei em ler e fui deixando, mas depois do que o Lufe brilhantemente descreveu esse pensar já é querer.

A vida nos ensina muitas coisas e hoje aprendi um pouco mais com seu post e com as palavras que deixastes no comentário da minha participação na Blogagem Coletiva da amiga Elaine Gaspareto.

Beijos