domingo, 11 de setembro de 2011

O fantástico e o sagrado

A Pandora é uma pessoa muito especial, historiadora que gosta de mangás, uma professora de educação infantil que tem uma infinita paciência com suas crianças, pernambucana e sensível ao mundo que a rodeia.  Uma das coisas que mais admiro nela é sua religiosidade, por isso amei sua resenha. Para conhecê-la melhor a visite aqui.


Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis

A primeira vez que eu ouvir falar sobre as Crônicas de Nárnia eu estava nas vésperas do vestibular e a ultima coisa na qual eu tinha tempo de me deter era uma história enorme de literatura fantástica, então o que pude fazer foi arquivar e deixar para a próxima e como essa próxima demorou a chegar... Foi apenas um dia desses que eu pude me voltar para essa história, mais de cinco anos depois do nosso primeiro encontro.
As Crônicas de Nárnia são um conjunto de sete histórias onde C. S. Lewis narra desde a criação do mundo de Nárnia até o seu fim. É uma história encantadora de um mundo que surge a partir de uma canção, o Leão, símbolo de poder é também um símbolo de ternura, afeto, proteção e provisão nos momentos de necessidade. Os personagens principais, em quase todas as crônicas, como todos que já viram os filmes sabem, são crianças que estão sempre viajando da Terra para Nárnia. Para mim, tudo nesse livro é encantador, a narrativa, Aslan (o grande Leão), a forma como as crianças vão amadurecendo ao longo das aventuras. O mundo de Nárnia é incrível, a forma como C. S. Lewis dá forma a esse mundo é um prato cheio para uma imaginação fértil e crente na mitologia cristã.
C. S. Lewis foi um professor e teólogo o pensamento cristão permeia toda a narrativa dessa obra, impossível a qualquer criança não associar Aslan à Cristo, impossível não se lembrar das aulas da escola dominical, dos muitos momentos dedicados a aprender sobre as Sagradas Escrituras. No entanto, Nárnia é leve, é um livro que fala sobre um Deus amoroso, que auxilia, perdoa, ampara, um Deus que não acusa, não cobra dízimo, impõe valores ou costumes arbitrários, um Deus que eu tenho a impressão que muitos, parecem, vão reconhecer.
Eu fico pensando enquanto vou folheando as páginas da minha edição de Nárnia e escolhendo as palavras para escrever; se realmente é verdade que a mesma Bíblia e o mesmo Jesus que inspiraram Lewis nessa história tão terna e doce é a mesma que inspira esses homens escandalosos apregoando castigos a torto e a direito sobre a terra enquanto tiram das formas mais miseráveis possíveis e imagináveis dinheiro de multidões de pessoas carentes de uma palavra de fé. Não pode ser verdade!
Possivelmente esses homens espalhafatosos que falam alto demais realmente não conhecem, verdadeiramente, as histórias da Bíblia, Lewis conheceu e soube transformar essas histórias em um livro que é capaz de encantar gerações, inspirar filmes e tantos outros autores.
E sim, a titulo de conclusão, minha crônica preferida ainda não chegou ás telas de cinema, ela é "O cavalo e seu menino", nela se conta como um menino com a ajuda de um cavalo vai se descobrir um verdadeiro príncipe, nela está o meu trecho preferido entre todas as crônicas é quando Aslan diz a Shasta, algo como:
"Fui eu o leão que o forçou a encontrar-se como Aravis. Fui eu o gato que o consolou na casa dos mortos. Fui eu o leão que espantou os cavalos a fim de que chegassem a tempo de avisar o rei Luna. E fui eu o leão que empurrou para a praia a canoa em que você dormia, uma criança quase morta, para que um homem, acordado à meia-noite, o acolhesse." (O cavalo e seu menino, C. S. Lewis)
É engraçado como toda vez que penso em Nárnia me lembra de uns versículos no Evangelho de João onde Jesus diz:
"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis um aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13. 34, 35)
Pandora
SOBRE O AUTOR
C. S. Lewis (1898-1963) - escritor britânico, nascido na Irlanda do Norte foi professor universitário, teólogo e poeta. As Crônicas de Nárnia foram escritas entre 1949 e 1954 e foram publicadas durante 1950 a 1956. No Brasil é publicado pela Editora Martins Fontes.

15 comentários:

Mônica disse...

Oi Ju, eu não conheço a Pandora, mas seu texto é muito bom. Apesar de eu ainda não ter nenhum deste livros, li outras resenhas sobre eles. Parece que estes livros são muito bons e de acordo com Pandora são maravilhosos.
Bju

Pandora disse...

Ai que honra está aqui Jussara, sem palavras e ainda levemente emocionada pelas palavras carinhosas que você me dedicou!

Obrigada pelo convite, que alegria participar de sua festa que ela se repita muitas vezes porque temos muitoooo a aprender com você!!!

Luana disse...

Meu livro favorito... Ou melhor, minha sequencia de livros preferida!
Acho lindo como o autor traca as historias de acordo com a de Cristo... Maravilhoso mesmo!

Glória Maria Vieira disse...

Mentira, né?!:O Olha só! Eu tô com esse livro aqui em casa pra ler. :D A minha questão é parecida com a de Pandora: A UFAL anda me consumindo e tempo pra devorá-lo que é bom? NADA! :(

Lufe disse...

Gostei muito do olhar critico e singular sobre as Cronicas de Narnia.
Li essa obra de Lewis que me foi apresentada por uma de minhas filhas e confesso não a ter percebido com a profundidade apresentada pela Pandora.
Ela praticamente me obrigou a rele-lo, só que agora sobre uma nova otica.
Parabens à Pandora pela resenha.

bjos

M. disse...

Muito bom como fazes a sinopse (ou lá o que é:)).

Este não vou ler...Mas já o mandei ler...lol

Celina Dutra disse...

Conheci Pandora lá na África, no blog do poeta Namibiano Ferreira. É da turma de FERAS! Embora não seja o tipo de leitura que me entusiasme, a apresentação da Pandora merece todos os aplausos.

Girassóis nos dias da Pandora e da Jussara!
beijos

Aleska disse...

Eu não tinha feito essa comparação com Jesus Cristo, eu via Aslan como Deus mesmo. Mas muito interessante sua resenha. Eu li algumas histórias de narnia, parei na cadeira de prata. Adoro histórias infantis! Gostaria de um dia conseguir fazer uma bem interessante também. Beijos!

Aleska disse...

Pode deixar que eu voltarei! rsss vou gravar o link lá no meu blog pra não esquecer de voltar. beijos!

Fernanda Reali disse...

Bom dia, jussara! MUITO OBRIGADA pela dica da Unipsico. Jpa atualizei o post com tua sugestão e com o s links.

Não li Nárnia, só vi o filme, mas não gostei muito. Tenho mania de gostar de biografias e de autoajuda e reluto muito ao ler ficção. Quem sabe um dia...

Te agradeço pela visita e pela contribuição!

beijoooo

Ana Seerig disse...

Adoro Nárnia. Um baita livro.
Mas, como já disse à Pandora, não gosto de vê-lo como uma história religiosa, mas sim como uma grande crônica do ser humano.

=)

Drixz disse...

Hum... Esse eu li e não gostei. Deixando de fora a mitologia cristã, que realmente não atrapalha a história, achei muito preconceituoso. Os animais subordinados aos homens, os mouros aos brancos, as mulheres aos homens. Tudo bem que o livro é de outra época e a gente tem que contextualiza-lo, mas acho que não leria para os meus filhos. Além disso, em termos de aventura, gosto mais de Harry Potter. hehe Mas cada um na sua.

Cinderela Descaída disse...

Olha, não posso comentar porque não li, mas sabia do aspecto religioso. Se não me engano, o autor morreu no mesmo dia que Aldous Huxley, veja que coisa.
E Jussara, obrigada pelo elogio ao meu conto!
Beijo,

She disse...

Ah que interessante! Adorei! Beijo, beijo!
She

Macá disse...

JU
Esse livro me fez voltar um pouquinho no tempo. Em 2006 quando o Ivan foi para a Nova Zelândia, e a gente comprando as coisas que ele precisava levar, gastos e mais gastos e ele me falou que queria muito esse livro. Então eu comprei, guardei, e entreguei pra ele no aeroporto com uma cartinha dentro. Nossa, que saudades que eu senti na época.
Mas, voltando ao livro. Não tive interesse em ler, mas agora, com os olhos da Pandora me entusiasmei. E como ele está aqui pertinho, está fácil.
beijos