domingo, 3 de julho de 2011

Por Tutatis!

Asterix, o gaulês - René Goscinny e Albert Uderzo

 O mundo ficou louco, todos os preconceitos estão à solta, o fundamentalismo religioso esta a toda, hedonismo é a ordem do dia, resistir é preciso! Dá para resistir? Lógico, com argumentos, com cara feia, com longos discursos que ninguém ouve, com marcha pelas ruas. Você tem a impressão que está perdendo terreno porque os preconceituosos, os religiosos fanáticos e outras tribos, gangues e a massa em geral grita mais alto? Não desanime, não é a primeira vez que a humanidade passa por isso, todo império cai, por maior que seja e toda unanimidade é burra. Quer aprender resistência para preservar seus valores culturais, resistência pra preservar seus heróis, resistência para preservar sua diversificação de ideias,  tudo isso com muito humor? Aprenda com Asterix e seus amigos.
O Império Romano está em seu auge, Julio César é um semideus, toda a Europa ocupada, toda? Não, uma pequenina aldeia gaulesa cercada por fortificações romanas resisti e esculhamba diariamente com os romanos. Julio César perde o sono, os centuriões perdem o cargo, os soldados só reclamam, mas a aldeia continua alegremente sua vida, Automatix e Ordenalfabetix continuam a brigar diariamente sobre a qualidade dos peixes que vendem,  Panoramix continua a fazer suas poções, Chatotorix continua compondo, Abracurcix continua chefiando, Obelix continua fazendo menires, Asterix continua suas visitas e os romanos? Que romanos, pergunta Obelix, aqueles que frequentemente Roma troca nas guarnições? Excelentes esses romanos, apanham tão bem! Eles não têm medo de nada, ops!! Só têm medo que o céu caia em suas cabeças.
Eu adoro Asterix e Obelix, já ri até engasgar com suas histórias. Releio frequentemente e dou risadas em todas elas, a cada leitura uma descoberta, uma referência desenhada em um cantinho do quadro, como um bom vinho francês, cada dia melhor. Suas histórias passeiam pelo Império Romano: Grécia, Egito, Helvécia, Bretanha, Hispânia e outras terras e costumes, o tema é sempre o mesmo a vitória dos mais fracos sobre o mais forte e todas as referências são do século XX, prestem atenção no nome dos personagens que aparecem!  Os nomes dos personagens da aldeia é inspirado na história real do gaulês Vercingétorix que enfrentou de verdade, por dois anos, as legiões romanas.
Asterix é história, pois as aventuras sempre são contextualizada na época, 50 anos AC, fazem referências conhecida dos episódios do período, usam frequentemente o latim, a língua do Império, descreve usos e costumes, a fauna e flora dos locais das aventuras. É uma ótima desculpa para ler Asterix: “Estou estudando!” A melhor professora de história que eu tive, D. Margarida, usava esses álbuns para ilustrar as aulas dela, isso lá pelos idos de 196..., eu estudava em escola pública ( estudei a vida toda) e havia vida inteligente em salas de aula. Hoje eu nem sei se os professores conhecem o Asterix e companhia.
Esses fanfarrões e irredutíveis gauleses têm mais de 50 anos, foram criados em 1959 e seu primeiro álbum Asterix, o gaulês, foi editado em 1961.  Viraram clássicos de HQ, já venderam milhões de exemplares e foram traduzidos em mais de 100 línguas, incluindo latim (para o Império Romano, como consta em um número que tenho) e em esperanto. São um patrimônio francês e já mereceram  até exposição no  Museu Cluny  em Paris, já inspiraram animações e filmes. Os filmes não são tão bons quanto os desenhos, já que estes são satíricos o que nem sempre dá para transpor para tela grande. Se você não conhece Asterix e Obelix (não acredito!) pode começar por qualquer dos álbuns, eles são 34, sendo que os últimos nove escrito e desenhado por Uderzo, após a morte de Goscinny.  A autoria dos álbuns ainda indica Goscinny e Uderzo e se antes saia em média um álbum por ano, a média passou a ser a cada três ou até cinco anos. Se encontrar dois bigodudos, um baixinho e outro fortinho (Obelix não se considera gordo) na capa de um álbum de HQ não deixe de comprar, ler, se divertir e aprender a resistir.
“Estes romanos são uns neuróticos” Asterix
SOBRE OS AUTORES

René Goscinny (1926-1977) – roteirista francês de HQ, entre outros personagens foi um dos criadores de Asterix e companhia.
Albert Uderzo (1927-  ) – desenhista francês que deu vida a aldeia gaulesa que resiste ao Império Romano, hoje  e sempre. Os álbuns são publicados no Brasil pela Editora Record.

23 comentários:

Pandora disse...

Ei!!! Nós conhecemos sim, bem em Asterix é leitura quase obrigatória no curso de História da Universidade de Pernambuco, meu irmão é de lá e ele leu e fez trabalho enorme sobre ele justamente na disciplina que trata da História de Roma, foi assim que conheci ele e sua turma para além dos desenhos animados rsrs...

Realmente uma leitura divertida, instrutiva e critica... Faz crescer e fortalece os ossos e os dentes contra todo e qualquer tipo de opressão.

Sem contar que é de dominio público e dá para baixar... não tem desculpa para não ler se der vontade!!!

Cheros Jussara, parabéns pela precisão de sempre!

Como sempre uma ótima postagem Jussara!!!

Celina Dutra disse...

Maravilha de trabalho! Faz tempo que não (re)leio Asterix e Obelix! Que consigamos resistir aos vendavais da intolerância como esses heróis e com o mesmo bom humor!

Post maravilhoso!
Excelente semana!
Girassóis nos seus dias!

Beijo

Luana disse...

Amo as historias de Asterix! Agora que comeco a arranhar a lingua francesa pretendo ler tudo novamente... vamos ver se consigo... =)

Roberta M. disse...

Realmente Jú, é muiiiitoooo divertido, meu marido morre de rir e pensando bem, acho que Pandinha já pode curtir!! Beijocas e boa semana querida!!!

Cinderela Descaída disse...

Amo Asterix e Obelix e adorava a versão deles na Bretanha onde os saxões bebiam: fervida água - já que o chá veio anos depois das colônias inglesas na India. E os jantares à base de fondue no que seria a Suíça? Sensacional!
bjs

Beth/Lilás disse...

Ah, isso deve ser muito bom e hilário ao mesmo tempo!
Eu só li Asterix quando era jovem e minha irmã é que era dona das revistas, tinha maior ciúme delas, mas me emprestava.
Acho que estou precisando reler estas coisas.
bjs cariocas

Fatima Valeria disse...

Viva a resistência!!!! AAAdddorreeeiiiii!!!!!!Bjs

VaneZa disse...

Eu conheço... de ouvir falar... já vi um filme... mas não li. Mas pode deixar que agora depois desse relato eu vou me empolgar.

Eu nunca te perguntei... vc já leu 'A Mulher de 30 Anos' do Balzac? Se já... qualquer dia desses escreve sobre ele. Eu ainda não li.

BeijoZzz

palavrasdeumnovomundo disse...

Olá amiga bibliotecomaníaca...(risos...de admiração)
Li um pouco Asterix há muito, digo, alguns anos atrás....rsrs
Na época não me empolgou a leitura e como já disse aqui a formação que tive nas escolas públicas foi muito deficiente. Meu gosto pela leitura despertou com força na fase adulta e como sabe professora tem muito pouco tempo de sobra para leituras que não sejam as voltadas para o trabalho.
Mesmo assim me esforço e tenho lido o que é possível. Suas resenhas me deixam com água na boca para ler cada vez mais. Já tenho uma listinha dos livros que preciso adquirir, fora os que já comprei. Asterix entra para lista para quem sabe agora eu descubra o que não entendi naquela época.
Grande beijo Jussara...parabéns sempre!
Rosa

Lufe disse...

Adoro o Asterix.
A transferencia das mazelas do mundo moderno para a antiga Galia é genial.
Na verdade é uma historia para pessoas que já tem uma visão critica de mundo mais desenvolvida. Não é uma historia para crianças, embora elas possam perfeitamente le-las e se divertir. Mas as criticas ironicas e mordazes são perceptiveis para quem tem olhos para ve-las.

bjos

Edlena Franklin disse...

Ahhhhhh, falar desta dupla gaulesa é algo que necessitaria páginas e páginas... Foi com menos de oito anos que descobri um exemplar perdido de ASTERIX E OS NORMANDOS lá pela casa da minha avó. Foi uma loucura, ficamos todos assanhadíssimos com a leitura deliciosa da obra de Goscinny e Uderzo, famintos por mais! Meu pai muito tempo depois encontrou a coleção completa nas Lojas Americanas e homeopaticamente fomos devorando todos os fascículos! Excelente trabalho histórico, humor de primeiríssima qualidade, um primor de traço e um aguçador de nosso paladar mais selvagem (éramos loucos para comer javali assado). Doutrinei meu marido no assunto (emprestei timidamente no começo do namoro, depois ele cobrava)e mais tarde li as histórias para meus filhos antes de dormirem. Até hoje eu e meus irmãos temos nossas piadinhas particulares inspiradas nas leituras gaulesas, a maioria em latim... O TEMPORA, O MORES!
:))

A. Marcos disse...

Já leu Millo Manara?

Drixz disse...

Ai, que lindo, Jussara! Eu estava esperando o dia em que vc falaria do Asterix. Eu comecei a ler com o meu pai e até hoje ele tem um gostinho especial. Foi um dos meus primeiros desafios na aula de francês, ler uma história inteirinha em francês. Quanto mais vc conhece, mais gosta. Quando era criança gostava das brigas e do Obelix, depois de um certo conhecimento, passei a rir da "quente água" (pois os fraceses usam a mesma ordem que a gente e os ingleses invertem o adjetivo e o substantivo), das piadas históricas e dos nomes, que passei a entender melhor com o tempo.

Parabéns pelo post, Jussara. E como diria Obelix, "Ils sont fous les gens qui ne lisent pas Astérix".

Mônica disse...

Adoro também este quadrinho, Asterix é tudo de bom!
Beijos

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

nossa, que saudade que me deu...como eu gostava de Asterix. Via os desenhos, lia os livros...

Ah, Jussara...esse seu texto introdutório, aonde assino? vc resumiu tudo o que sinto, acho que muita gente tá com esse mesmo sentimento. como tudo tá esquisito, será que a Idade média voltou e não nos avisaram?

tenha um ótimo dia! bjs

Lúcia Soares disse...

Jussara, acho que este foi o melhor post que já li aqui.
Você falou pouco e bem.
Adoro Asterix, só não gostei do filme, embora os personagens tenham sido fiéis.
Prefiro as revistas, com as quais me diverti muito. Até há pouco tempo tinha uns exemplares, que não sei que fim levaram. Uma pena, pois eram das primeiras revistas que sairam.
Sempre bom ler você!

Macá disse...

Olá Jussara
Eu li algumas histórias, mas meu marido acho que tem todas.
Agora, com essa sua explanação, deu vontade de reler.
bjs

Fernand's disse...

show teu post!
amo asterix.


=)

bjsmeus

Glória Maria Vieira disse...

Primeiro queria deixar claro que ando sumida daqui porque a minha internet não anda colaborando, Juh. Mas ler, eu leio sempre. (Quis dizer sumida dos comentários. =\)
MAS ENFIM, meu amor, eu tenho uma simpatia milenar por esses gauleses. Acho graciosos por demais! Aquele filme que a Globo já cansou de passar sobre eles é mara. Os conheço de lá, mas quero conhecer a fundo e melhor com essa sua indicação.

Adoro você, viu?! Muito.

Adelaide Araçai disse...

Jussara eu adoro Asterix, e na minha infância aprendi a ler com HQ conheço um pouco da história americana, através dos Tex, Acho que é a melhor forma de aprendizado...o aprender com prazer.
Adorei ver a sua analise sobre esse icone da HQ, despertou-me a vontade de reler
Abraços

Pentacúspide disse...

Puff, há muiiiiiito tempo que não leio Asterix. Na verdade, não me atrai assim tanto quanto antes. Mas tenho boas memórias dele. Na minha terra havia duas bibliotecas com livro infantis, uma Portuguesa, muito pobre, e outra Francesa, superenorme, eu li toda a colecção existente de Asterix (e de outros títulos em banda desenhada), na altura, praí em 1994, em francês, porque os desenhos muitas vezes dispensavam as compreensão textual. E foi assim que comecei a aprender o pouquíssimo do meu francês, porque depois abriu uma biblioteca perto da minha casa, com livros em portugues, e eu já não via mais motivo para andar 5 quilometros para aquela francesa, e só por lá passava quando matava a aula.

Daniel Brazil disse...

Geniais, para dizer o mínimo.

Rueiro Verde disse...

Excelente post Jussara! Li muito pouco de Asterix e deu vontade de ir atrás de mais.