sexta-feira, 15 de julho de 2011

Apontamentos de Viagem

Andanças pela Europa: 1927, José Celso de Azevedo

Lá pelos idos do começo do século passado e até mesmo antes disso, fotos eram raras e difíceis, a comunicação em geral era feita por cartas que demoravam a chegar, então como guardar todas as lembranças de um passeio ou de uma longa viagem? Fazendo um diário de apontamentos, na volta estava garantido que não nos esqueceríamos de nada e teríamos para sempre as lembranças. Relatos de viagens sempre foram presentes no mundo dos livros, um dos mais conhecidos desses relatos é o de Marco Polo. Eu gosto desse tipo de livro, pois viajamos com o escritor e vemos os lugares pelos olhos insuspeitos de quem vê pela primeira vez e principalmente quando ele é espontâneo, sincero e honesto, Andanças pela Europa: 1927 está totalmente inserido nessa modalidade de escrita.
José Celso de Azevedo não é escritor, não fez carreira escrevendo qualquer coisa, pelo ao contrário foi um contador e administrador de empresas que passou quase toda a vida lidando com números, mas em 1927 passou mais ou menos oito meses na Europa e escreveu seus apontamentos de viagem, como muitos viajantes da época.  Seus escritos eram de conhecimento só da família e poderiam ter ficado pulando de gaveta em gaveta de uma casa para outra, mas ele teve sorte, sua filha achou tudo interessante, mostrou para uma neta para que esta escaneasse as páginas que já estavam a se perder, a neta gostou do que leu, digitou todo o diário em português mais atual, o resto é história e está aí: um livro.
Andanças pela Europa fora o delicioso relato de José Celso de Azevedo, contém uma biografia do autor, o que é ótimo para compreendermos o viajante, o editor e a família juntaram fotos da viagem e de algumas cidades na época entre outras, cada capítulo é precedido de um quadro dos acontecimentos do ano de 1927, para que nunca percamos a perspectiva do mundo em que nosso viajante esta. E assim lá vamos nós, embarcando num navio no porto de Santos, passeando por Salvador e Recife, atravessando o Atlântico, uma parada rápida na Ilha da Madeira e o desembarque em Lisboa, daí prá frente é só passeio Madrid, Paris, Londres, Bruxelas e outras cidades. Seus relatos são pessoais, se a rua é suja e mal calçada ela até pode estar em Paris, mas ele aponta mesmo. A peça que ele viu no teatro é ruim, pode até ter sido encenada no melhor teatro, mas ela é ruim! Ele descreve as igrejas, os museus e os parques, quando são bonitos e bem cuidados ele elogia, quando não são... Nosso viajante sempre tem uma palavra para os viajantes que encontra em hotéis, em passeios e para os habitantes locais. É delicioso ver a Europa pelos olhos de José Celso, pois ele não tem nenhuma ideia pré-concebida, não é blasé e não se faz de inferior ou superior. Em 1927 os viajantes andavam com seus cadernos de notas, hoje eles andam de laptop e fazem um blog para guardar suas lembranças, se o autor viajasse hoje com certeza teria um blog que seria muito gostoso de acompanhar.
Este post esta dentro da proposta de novos autores do Desafio Literário, escolhi o livro de José Celso Azevedo por ser um autor novo no cenário de autores, por ser um relato de viagem, por retratar uma época e porque, como ele, ainda tem muitos tesouros escondidos por aí, que podem estar perdidos em alguma gaveta.
“Podemos viajar por todo o mundo em busca do belo, mas se já não o trouxermos conosco, nunca o encontraremos.” Ralph Emerson

SOBRE O AUTOR
José Celso de Azevedo (1899-1968) – paulista de Tatuí, contador e administrador de empresa, escreveu seu relato de viagem em 1927 que foram publicados em 2003 pela Editora Átomo em parceria com Edições PNA.
*O livro pode ser adquirido em livrarias on-line.

19 comentários:

Lufe disse...

Eu sempre gostei de romances de viagens, principalmente os que descreve o cenário, o povo os costumes.Marco Pólo foi um deles. Depois me deliciei com o egípcio, o etrusco e o romano de Mika Waltari. Gostei muito dos romances de Agripa de Vasconcelos sobre o Congo Soco, Chica da Silva, Joaquina de Pompeu, Dona Beja e outros, embora sejam romances mais pesados, baseiam-se em fatos históricos e documentos de época. Gosto muito deste tipo de romance. Tenho certeza que vou gostar dessa "andança de viagens."A gente ve povos e lugares com um olhar peculiar, isento, diferente.

bjos

Rogério Pereira disse...

Precisava de que ele "nos viajasse" agora...

Inspirador. Incentiva-me a continuar a escrita... Continue com a sua.

Allan Robert P. J. disse...

Quantos diários de viagem acabaram desfeitos em alguma gaveta? E quantos desses poderiam ter desvendado ao mundo um bom escritor? Quem tem a coragem de escrever um livro deveria ser publicado, mesmo que em pequena tiragem. O problema é arranjar tempo pra ler tudo. :)

Mônica disse...

Relatos de viagens sempre me seduzem, pois na sua maioria estão repletos de surpresas e emoções, além disso geralmente são escrito por pessoas que não são originalmente escritores, tornando-se assim ainda mais interessante. Muito boa sua proposta para este mês. bju

Pandora disse...

O povo de história também gosta de viajantes, as memórias deles acabam virando preciosa fonte para compreender sua época, seus sonhos, venturas e desventuras.

Interessante pensar que talvez daqui a 100 anos ou menos os nossos blogs virem fontes para a pesquisa!!

Cheros Jussara, ah, acabei de ler "A casa dos espiritos", foi uma ótima aventura, me apaixonei por Jaime e o velho Trueba parece o meu pai, intempestivo e dado a exageros... Enfim, qualquer dia desses quando minha coragem voltar escrevo sobre esse livro também, foi uma leitura encantadora! Uma vez mais, obrigada pela indicação!

Valdeir Almeida disse...

Olá,

Eu também gosto deste gênero literário. Os diários de viagem, mesmo em tempos de máquinas fotográficas digitais, nunca perdem sua função: registrar o sentimento do autor ao ver o cenário pela primeira vez, algo que para as fotografias é impossível registrar.

Abraços.

Beth/Lilás disse...

Nossa, Jussara, este livro deve ser bárbaro!
Também gosto de leitura assim, com história e enredo, acho demais.
beijinhos cariocas

VaneZa disse...

Deve ser bárbaro o livro... e essa proposta dos novos autores é bem legal. Quem sabe um dia a nova autora serei eu. Pretensão teu nome é Vaneza com 'Z'. rs

BeijoZzz

Ivan disse...

Hoje, qdo viajamos para algum lugar, já sabemos quase tudo sobre o local, inclusive se é "bom" ou "ruim", ler relatos sem a idéia pré-concebida de pontos famosos é interessantíssimo.

Evanir disse...

Que Deus abençoe você
e a mim também.
Que a nossa amizade tão linda
nunca chegue ao Fim.
Que a paz que trago no
peito seja cada dia maior.
Que sinceridade seja
minha maior virtude
Que o amor que sinto no coração
seja tão grande
o maior que uma pessoa pode ter.
Que sua semana seja uma
benção Divina.
Com carinho beijos no coração,,Evanir..

palavrasdeumnovomundo disse...

Está aí uma coisa que eu gostaria de fazer...um diário de viagens. Não que eu seja uma viajante constante nem tão pouco conheça tantos lugares, mas seria uma maneira agradável de guardar as memórias e histórias que se passaram.
O problema é tempo para mais essa tarefa, enquanto isso nos encantamos com os relatos de quem de fato fez.

Grande beijo querida Jussara.

Anônimo disse...

oi minha querida, estou amandoe star aqui no Brasil, revendo amigos queridos.
nao consegui ir a SP ainda, engastalhei aqui em Campinas. :-)

Mas e a minha listinha - sai?

Mil beijos

Inaie

Adelaide Araçai disse...

Jussara, hoje estou de volta a vida virtual, vim apenas lhe deixar um carinho, voltarei com mais tempo para me atualizar sobre suas leituras...

Abraços

Vivi disse...

Diários de viagem é uma seara desconhecido para mim. Ainda preciso desbravá-la. E esse livro me parece um bom começo. =D

Teresinha Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teresinha Ferreira disse...

Olá Jussara,
Minha viagem foi ótima. Aproveitei cada momento. Viajar é sempre bom. Através das leituras também, né?
Vou procurar este livro para comprar, pois só o título me despertou curiosidade.
Bom final de semana.
Bjs mil

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

esse livro parece tão interessante! como era conhecer o mundo de navio, anotar nossas memórias no lápis...registrar tudo em desenhos ou em uma única foto!

como era o mundo nesta época? e acho que essa questão de "elogiar o bonito, mas meter a bucha no que é feio, impiedosamente", é um jeito nosso, brasileiro, pelo que noto por ai rs.

bom domingo!

Luana disse...

mais um pra lista!

Estou de volta... Logo te mando fotos de Cambé!

Flávia - Compartilhando Idéias... disse...

Oi Jussara! Obrigada por sempre estar presente no meu blog. Adoro a sua presença por lá.
Olha só, eu curto muito todas as dicas de leitura que você põe aqui. Este realmente deve ser muito bom!!!
Bjs