segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vidas desperdiçadas

Nada de Novo no Front, Erich Maria Remarque

“Cidade líbia de Misrata tem combates neste domingo de Páscoa.”
“Aeronáutica da Itália é autorizada a bombardear alvos na Líbia.”

“Forças de segurança sírias voltam a atirar na população.”

“Repressão a protestos deixa feridos no sul do Iêmen.”

“Ataque na cidade no noroeste da Síria causou mortes neste domingo.Contagem de mortos na sexta-feira e no sábado chegam a 120.”


Em Bruxelas, a OTAN anunciou ter realizado um ataque seletivo em Trípoli, capital da Líbia, contra "um centro de comunicações utilizado para coordenar os ataques contra civis”.
Estas são manchetes de hoje, ou seja, nada de novo no front das guerras que estão pelo mundo. Contagens de mortos, exércitos e estratégias envolvidas tudo bem limpo e informativo, já pararam para pensar que por trás dessas notícias existem serem humanos que sofrem, são mutilados, são feridos e mortos e que têm sonhos para o futuro?
O livro Nada de Novo no Front se trata justamente do ser humano que esta em batalha, o soldado que perde os amigos, vê mutilados e sangue. Paul Baumer é o narrador, tem 19 anos e com sete amigos sai direto dos bancos escolares para as trincheiras da Primeira Guerra (1914-1918), para ele os dias são essencialmente a procura da sobrevivência possível, comer quando é possível, se esquentar quando puder, viver cheio de lama sob chuvas de granadas e tiros. Até fazer suas necessidades fisiológicas pode ser um momento de lazer entre tantas atrocidades, ele aos poucos vai perdendo os amigos e percebendo que a guerra não tem lógica nenhuma, pois lutavam por algo que não compreendiam e que não chega a ter importância pois as batalhas só serviam apenas para conquistar pequenos e inúteis pedaços de terra, sem qualquer explicação. O livro não retrata atos de bravura, nem batalhas épicas só as dificuldades e as perdas de ilusões dos soldados que vão de trincheira em trincheira somente porque são mandados, sonhando pela volta para casa e suas vidas, ao mesmo tempo em que percebem que não voltarão os mesmos depois de tudo que sofreram e viram, são seres humanos comuns, não são ministros e generais como constata o narrador, sofrem de medo, solidão e desilusão. E ao olhar de perto um inimigo constata que também é um rapaz igual a ele e para quem a guerra é de uma estupidez sem igual.
Erich M. Remarque lutou na Primeira Guerra e chegou a ser ferido, constatou de perto a imbecilidade de se matar jovens em nome de um ideal qualquer, com esse romance, que publicou primeiramente em forma de folhetim, firmou sua posição: radicalmente pacifista. O livro foi publicado em 1930 e banido em 1933 na Alemanha que já se encaminhava para o nazismo. Acredito que seja um livro obrigatório, pois não conheço nenhum outro livro que seja mais real em sua descrição da guerra, em sua futilidade e na banalidade com que se trata vidas humanas. Ser pacifista é uma posição política pelo bem da vida e pelo não desperdício de gerações de jovens.
“Nossos livros de escolares glorificam a guerra e escondem seus horrores. Eu preferiria ensinar a paz as nossas crianças.” Albert Einstein

SOBRE O AUTOR
Erich Maria Remarque (1898-1970) – pseudônimo do escritor alemão Erich Paul Remark, por perseguição nazista emigrou para os EUA em 1939. Publicou Nada de Novo no Front em 1929 em forma de folhetim. No Brasil é publicado pela L&PM Editores.

25 comentários:

Pandora disse...

Acho "Nada de novo no front" um livro doloroso é impossivel não se emocionar quando a gente pega nele e começa a transitar pela história dos meninos... A Guerra é mesmo muito estupida, nós somos muito estupidos mesmo!!!

Daniel Brazil disse...

Caramba, este é uma lacuna para mim! Muitas vezes passei o dedo pela lombada, mas acabei adiando a leitura.
Um livro mais recente, que mostra toda a podridão e inutilidade da(s) guerra(s) é Os Cus-de-Judas, do Lobo Antunes. Além de ser o maior escritor português vivo, serviu como médico em Angola, vendo de perto as atrocidades e idiotices da guerra colonial. Recomendo!

Glorinha L de Lion disse...

Oi Jussara, este é mais um dos que li muito jovenzinha. Lembro-me que me emocionei muito, mas da estória em si, pouco me recordo...Meu pai o tinha em encadernação de capa dura...hj está com minha irmã, pois ela ficou com todos os livros de meu pai, infelizmente, poucos vieram pra mim. Vc hj me fez recordar uma linda parte de minha pré adolescência, quando li os os grandes clássicos e livros como este, imperdível, sempre, beijos,

Mônica disse...

Puxa, nunca li este livro!!! Mas pela sua resenha vou ter que ler e urgente!Por varias vezes na vida o tive nas mãos e não o li, agora vou correr atrás.
Obrigada por me lembrar dele.
Beijos

Guará Matos disse...

Albert Einstein... Perfeito.

Bj.

Lufe disse...

Jussara,

Como sempre, minha amiga, você vai no cerne da questão. A inutilidade das guerras. O desperdicio da vida de nossos jovens, que nem sabem porque ali estão. Quase sempre uma geração ceifada por nada.Como você bem destacou, este livro retrata a futilidade e a banalidade com que se trata vidas humanas.

Obs: Não tinha visto a sua carinha.....se já estava ali, desculpe não ter visto e comentado. Se não estava, adorei.
Que carinha boa você tem, menina!

bjos

Fernand's disse...

vejo que é um livro de fazer chorar.
ainda assim fico com einstein.



bjs, querida.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Jussara, eu te invejo, sabia? (mas não é daquela inveja que quer mal rs). Eu queria saber fazer umas resenhas tão bacanas assim dos livros que leio, adoro seu texto.

Eu li esse livro qdo era adolescente. Me marcou muito...a gente nunca imagina como é uma guerra de verdade né, o olhar de quem vivencia toda a dor, a morte, o sofrimento causado por uma.

o filme tb é muito bom, não sei se vc já viu...
bom dia!

yanne passos disse...

Oi Jussara,

Mais um livro para a minha lista: o que não li. Mas um dia chego lá, goetei muito da citação de Albert Einstein e concordo plenamente.
Sabes, aquela foto que você perguntou aonde eu tinha tirado? É no jardim da casa da minha mãe, onde eu tenho algumas plantas, é o lugar onde devo morar até o fim deste ano e se Deus quiser em dezembro vou para o apêzinho.
Beijos e uma abençoada semana.

Cinderela Descaída disse...

Oi Jussara!
Adorei a dica e recomendo que você assista o documentário "The War you Don´t See" no youtube. Me lembrei tanto do Orwell! E do Chrurchill, que foi prêmio Nobel e que disse: "A História vai me tratar bem porque eu a escreverei!"
Boa semana

Cintia Branco disse...

Ju,

Mais um tema que precisa ser discutido sofre outro aspecto. Quando li as notícias do início do post não sabia a que época se referia, como pode né? Adoro o Renato Russo e a Canção do Senhor da Guerra, simples e objetiva, mas contundente.
Grandes beijos e ótima semana

Deusa disse...

Oiii
Tenho este livro a muitos anos,leio e releio,adoro,vi também o filme.É um livro que só li,porque na época me caiu nas mãos como presente,mas normalmente não compro ou pego livros de guerra para mim,no entanto este foi um marco pra mim,muito emocionante e realista,triste demais.
Beijinhos
Deusa
vasinhos coloridos
OBS:Estou lendo a História de uma Alma,escrito por Maria Francisca Theresa...Santa Terezinha do Menino Jesus....muiiiiiiiiito,mas muiiiiitoooo bom,tento não terminar,pois pra mim e como entrar no mundo desta Santa que tantos milagres me fez...eu diria que este livro e surpreedente,lindo.
Deusa
vasinhos coloridos

Deusa disse...

obs:Perdão pelos *pra mim*...rsrsrsrs.
Deusa

Nei kS disse...

Obrigado por passar na minha estrovenga, Jussara.

Agora estou aqui também.

Já vou te linkar.

david era uma vez... disse...

Oi Jusssara!!
Quanto tempo que eu não entro e comento aqui!! Mas existe uma explicação, eu, grande parte do tempo estou no serviço (triste sina minha) e lá seu blog e barrado.. engraçado isso, mas ele é barrado pelo nome, 'perva', vagabundas, o sistema simplesmente entende q eu estou tentando entrar em algun site erótico e bloqueia... Uma maravilha isso, fora os bloqueios preconceituosos, tipo o do blog do papai gay que tambem é bloqueado pelo mesmo motivo, como se a palavra gay fosse associada a promiscuidade.
Bom deixamos meu general das forças informáticas de lado, vamos ao seu post.

Menina, que achado é esse? lembro me vagamente do titulo desse livro no catálogo do Circulo do livro, lá pelos anos 70, mas não imaginava como seria bom. Claro que sua resenha sempre nos deixa com agua na boca! Vou rocurar esse livro!

Beijos Ju!

Misturação - Ana Karla disse...

Bom dia Jussara!
Hoje passo para desejar-lhe um ótimo dia.
Xeros

Larissa, Lara, Lalá, .... disse...

Jussar
Eu nao gosto muito deste tipo de assunto mas gostei muito da sua resenha e achei que o tema apesar de ser a guerra, caminha por outra visao. Vou anotar na minha lista.
Me manda a receita do cordeiro que vc faz com vinho branco, acho que vou gostar mais. Beijos e obrigada

Glória Maria Vieira disse...

Temática altamente importante, viu Juh?! Ainda mais agora com mais esse conflito, pra não dizer guerra, na Líbia. Se o tempo desce, eu o leria pra ontem... :~ sniff Mas como vivo dizendo entre meus "mimimi's", a UFAL não deixa. UASHAUHSUAHSUHASHAHS Or!:/

Pentacúspide disse...

Eu sempre fico atento ao livro que alguém lê e se deu ao trabalho de descrever, quer dizer, alguns géneros, e como sou mais de ler os "clássicos", este já ficou debaixo dos olhos.

palavrasdeumnovomundo disse...

Nossa, suas sugestões de leitura são excelentes, não tenho o que acrescentar sobre o livro nem quanto as manchetes destacadas por ti.
No entanto, como Educadora teria muito a falar sobre as sábias palavras de Einstein, mas só acrescento que hoje além dos livros escolares, temos essa mídia inescrupulosa que vende violência em troca de audiência e a impunidade da justiça, que faz com que nossas crianças e jovens sejam estimulados a praticar todo tipo de violência.
É inesgotável a questão muito bem colocada por você, mas por hoje paro por aqui.
Bjs querida

PS: É a primeira vez que vejo sua foto, gostei muito...é como se sentíssemos mais próximos.

Allan Robert P. J. disse...

Triste e necessário.

Reforço a sugestão da Cinderela acima: assista ao vídeo "the war you don't see", ou com legendas em português: "A guerra que você não vê". Dura uma hora e meia, mas é muito esclarecedor, apesar de muito duro.

Fernanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda disse...

Gostei da dica, anoto e ainda repasso para a minha mãe, leitora das mais vorazes desde que se entende por gente.

Anne disse...

Ótima resenha! Já disse que vc descreve de um jeito que o mundo todo fica querendo ler, rrs

Beijos, ótima sexta!

Monica™ disse...

Esse deve ser ótimo. Me lembro qdo era pirralha e um amigo sempre me emprestava uns livros de guerra pra ler. Eu adorava. Acho q chamavam SOBS ou algo parecido ... Beijo.