terça-feira, 5 de abril de 2011

São Crispim rogai por nós!

Azincourt, Bernard Cornwell


Eu tenho um irmão que diz que santo também entra e sai de moda, se você quiser uma graça deve escolher um fora de moda, ele terá mais tempo para você! São Crispim está nessa categoria, um sapateiro romano que com seu irmão Crispiniano se converteu ao cristianismo no século II, fugiram  de Roma e se estabeleceram na Gália (atual  França) mas os braços romanos eram longos, eles foram acusados  e  como não abandonaram a fé cristã foram degolados, são mártires da igreja Católica Romana.
No tempo de Henrique V (1387-1422), esses santos estavam na moda e apesar de poucos de nós sabermos que  eles sequer existiram, São Crispim é sempre lembrado, por duas razões : “O Discurso do Dia de São Crispim” da peça Henrique V de  Shakespeare e porque a batalha de Azincourt  foi  travada no seu dia, 25 de outubro de 1415. Essa batalha se deu em território francês,  entre um exército inglês sujo, esfomeado e em menor número e o exército francês com pelo menos  três vezes mais homens, bem alimentados  e  descansados, durante a Guerra dos Cem Anos,  incrivelmente os ingleses ganharam a batalha, entre muitas razões a atuação de seus arqueiros foi fundamental.
Arqueiro inglês
Azincourt  é um romance sobre essa batalha, o herói aqui não é o Rei, nem seus cavaleiros, mas um arqueiro fora-da-lei  e mercenário, Nicolas Hook.  Bernard Cornwell é bem conhecido por seus romances históricos, algumas de suas sagas  têm mais de 20 volumes, esse é um livro solo. O livro começa contando um pouco da vida de Hook e contextualizando o momento histórico, o que é ótimo!  Pouco de nós, pelo menos eu, se lembram o que foi a Guerra dos Cem Anos. Ele explica, de forma prazerosa, como era montado o exército de um rei, cada cavaleiro se comprometia a levar um tanto de  homens  armados e  treinados, sob seu estandarte e todos sob o estandarte do rei.  Henrique V se diz o verdadeiro herdeiro do trono francês, por isso vai lá tomar o que é seu, desembarca com  12 mil homens, cavalos, carroças e provisões na Normandia, se demora no cerco de uma cidade e após passar por ela segue em frente, mesmo que seus homens já estejam praticamente nas últimas, com diarreia, cansados e mal alimentados. O cerco é contado em detalhes, com sua carnificina usual e métodos poucos conhecidos, pelo menos para quem não é militar. Passado  esse obstáculo ele segue em direção a Calais e no meio do caminho está o campo de Azincourt e o encontro com o exército francês. Bernard faz uma sensacional ambientação do século XV na Europa: feia, grotesca, suja, muito suja e desbocada. As batalhas também eram ganhas no grito e na capacidade de ofender o oponente. Neste ponto do livro, você está tão envolvido que já está até sentindo os cheiros. Sangue, mais sangue (de homens e cavalos), descrição bem clara como infligir o maior dano possível ao inimigo, depois de derrubá-lo levante o elmo e meta uma lança bem fundo em seu celebro pelo olho, esse é só um dos métodos. Sujeira por todo lado, a batalha foi em um campo arado onde havia chovido muito, cavalos ficam atolados, homens com armaduras que chegam a pesar 30 kilos também. Homens se mijam e cagam de medo, tripas são expostas e mais sangue. Nunca vi tanto sangue em um livro. Dito assim parece ruim, mas não é. O livro é muito bom de ser lido e nos envolve totalmente.
O livro tem um bônus, Cornwell após o ponto final de sua história coloca um posfácio de Notas Históricas onde explica os ajustes que fez entre a pesquisa histórica e a trama que criou. Vocês devem estar se perguntando e São Crispim onde entra na narração? Bem, nosso herói Hook é um devoto dele, conversa com ele e até o ouve em situações críticas. A Batalha foi ganha pelos ingleses com seus incríveis arqueiros mas o santo é um mártire romano que morreu na  França onde na época era intensamente cultuado.
“A paz é um tesouro que nunca é demasiado louvar.” Duque de Orleans (feito prisioneiro pelos  ingleses  na batalha de Azincourt)

SOBRE O AUTOR
Bernard Cornwell (1944-   ) -  escritor inglês de grande sucesso, mantêm uma legião de fãs pelo mundo. Publicou,  no Brasil , Azincourt em 2009 pela Editora Record.

16 comentários:

Guará Matos disse...

Mais um pra gnte gostar. Mulher boa é essa, sô!

Bjs.

Borboletas nos Olhos disse...

Eita, sou doidinha por este autor. Tenho um monte dele. Já li esse mas não tenho (ainda). Bjs

Inaie disse...

Sera que o anjo fora de moda tambem gosta mais de voce por se sentir mais valorizado? kkkk

Apenas um lugar para ser (Lis) disse...

"Dito assim parece ruim, mas não é." Achei engraçado, pq foi justamente nesse momento da leitura que eu duvidava do prazer em ler essa história... :)

Guerra dos Cem Anos... Realmente, não lembro nada sobre isso, ler a história contextualizada deve nos trazer um compreensão bem mais ampla dos fatos.

Um otimo texto! Parabéns Jussara! Vc escreve mto bem!

Obg pela visita, tenha um excelente dia!

Bjs!

Roberta M. disse...

Mais uma dica muito legal sua !!! Jú, vc nao vai crer, mas eu quase nao tenho amigos goianos, entao ainda nao descobri nada sobre Joan, mas to tao interessada!!! vou ver se falo com um casal já mais velho conhecido nosso, eles podem saber algo!! Beijocass
rss to me sentindo no Cold case kkkkkk

M. disse...

A História conheço. O livro não.

Nota: também não convivo com nenhum santo... Snif:)

Mônica disse...

kkkk, santo tem moda? será? Bem, os meus são os mesmo e acho que eles não estão na moda, não, pois eu tenho conseguido alguns milagres, rs,rs,rs.
Menina, este livro deve ser legal mesmo, adoro vida de santo, eles sofrem, né? Este eu não conhecia. Beijos

Negação de Irene disse...

Sabe o que a descrição desse livro me lembrou? O filme joana D'aec de Luc Besson. Parecia que eu estava a ver as imagens na minha cabeça. Apesar de as épocas serem diferentes, quando se fala em carnificina e brutalidade não muda muita coisa, não é?

Celia na Italia disse...

Ju
Nossa que história!
Não sabia desta "moda" de Santos >)
Belíssimo texto.
A propósito, obrigado pelos comentarios carinho lá no blog, neste momento de mudanças e readaptações, isto funciona como um carinho muito especial.

Glória Maria Vieira disse...

Sério essa do Santo, Juh?!
AUHZAUHSAUHSUAHSUAHSUHAUSHAUHSUHAUSHUHAHSU

Arrasou então. Vou apelar pra um quase esquecido então. AUHSAUHSUAHSUAHSHA

Beijo, sua linda!

Lufe disse...

Jussara,

Seu irmão esa corretissimo, se precisar de um santo, que procure um desocupado....este talvez te atenda....rsrs

Muito boa essa sua de "pegar" pelo santo....rsrs

De Cornwell já li O Rei do Inverno, Excalibur e Senhores do Norte e adorei.
Ele é muito bom.

bjo

Apenas um lugar para ser (Lis) disse...

Oi Jussara, vim aq agradecer seu comentário, obg pelas palavras de apoio. Eu tive q ter coragem sim pra escrever td q passei e publicar, mas eu queria, era a hora. Mtas vezes me pergunto se mais alguem sofre como eu os efeitos de uma experiencia religiosa q posso chamar de traumática.. As vezes a gente se sente sozinho nessa... Mas vou superar mais essa!

Um otimo fds pra vc!

Bjs! :*

Cintia Branco disse...

Ju,

Procurei por aqui e ninguém soube me dizer nada da Joan, mas estou buscando. Sou totalmente a favor da teoria do seu irmão, se agarrar aos santos demodê, rs.
Deixa eu te perguntar algo: sabe alguma coisa da Ni, do blog Coisas minhas? Sumiu, o blog parece ter sido deletado, achei estranho, ela estava sempre presente.
Se souber de algo, me informe, por favor.
Ah, estou participando de uma ciranda de pequenos leitores e o Felipe está no grupo de crianças de 6 a 10 anos, mas estamos com dificuldade de escolhermos os livros, tem alguma sugestão? Porque daí divulgo seu blog para as meninas que fazem parte da ciranda.
Grande beijos e um ótimo final de semana

Carla Farinazzi disse...

Oi Jussara

Eu amei a dica, fiquei com muita vontade de começar a ler imediatamente. Gosto de livros que contam a História, principalmente a História nua e crua.
Gosto desse envolvimento, quase torcida, quando estou lendo um livro, e com este provavelmente isso deve acontecer.

Um beijo

Carla

Adelaide disse...

Jussara, concordo com teu irmão, tem santo que a gente tem que entrar na fila de espera pra ser atendido....rsrs. Eu costumo dizer que enchurrada sempre vem depois de seca, é que o povo reza tudo pedindo chuva e o santo atende todos os pedidos de uma vez só.
Achei fantastica essa dica. Despertou-me a vontade de ler. Vou buscá-lo
Tenha um ótimo final de semana
Abraço

Allan Robert P. J. disse...

a informação sobre o bônus no final do romance me lembrou Camilleri (Andrea Camilleri): de uma notícia perdida e antiga de meia página ele tirou um romance mvoimentado e divertido, "Il Re dei Girgenti". Se tiver a oportunidade, leia. :)