segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Equivocados

O Americano Tranquilo, Grahan Greene
Nas últimas semanas fomos surpreendidos com uma onda de revoltas, reviravoltas e mudanças de governo na Tunísia, Egito, Bahrein e agora chega à Líbia e pelo que tudo indica ainda vem mais por aí. Cairão ditadores, subirão outros (ou não) mas todos têm algo em comum são ou foram aliados americanos e tinham seus governos sustentando por essa aliança.  O Americano Tranquilo é um livro que fala justamente como e onde começa a intervenção americana. A ação do livro é ambientada na Indochina (depois Vietnã) sob o domínio francês, precisamente em Saigon, onde vive o jornalista inglês Thomas Fowler, desiludido, blasé e viciado em ópio durante a guerra colonial contra os franceses (1946-1954).  Aí chega Alden Pyle, o americano tranquilo, formado em Harvard, branco e protestante, repleto de boas intenções, imbuído de sua missão pela democracia e valores americanos, mas completamente ingênuo e com um desconhecimento total da terra, da cultura e dos valores do lugar, passa o livro inteiro sem compreender nada, por isso continua tranquilo. Nunca lhe passa pela cabeça que ninguém queira sua ajuda ou comprar seus ideais.  O livro foi escrito em 1955 e dez anos depois os EUA estão atolados no Vietnã e perderam 180 mil homens até o fim da guerra.
Pyle trabalha para o Serviço Secreto, mas está lá por trás de uma Missão Econômica de Ajuda de fachada, dando força as lideranças locais e procurando aliados, obviamente acredita no que lhe dizem (esquecendo que aliados têm seus próprios interesses) em sua missão quase missionária vai espalhando morte, destruição e tristeza. Cinquenta e cinco anos após o livro ter sido escrito continuam espalhados por aí americanos tranquilos, idealistas pois desejam levar a redenção a povos estrangeiros dos quais nada sabem e lá estão eles no Afeganistão e no Iraque, entraram e agora não sabem como sair. No ponto de vista americano as coisas são bem simples, estilo cowboy, derruba-se um tirano, estabelece-se instituições democráticas e tudo o mais entra nos eixos. E que horror quando o povo “salvo” grita Go home!
Esse é um bom momento para ler esse romance, é bem escrito e é bem atual, é só mudar o nome do país.  Já foram feitos dois filmes sobre esse livro (1957 e 2002), nenhum memorável, me atrevo explicar porque, o livro foi roteirizado por americanos, filmado por americanos e para o público americano, ou seja, todos acreditando naqueles ideais tão impiedosamente ironizados por Graham Greene, pois para ele o espírito infantil e ingênuo dos americanos e a causa dos muitos erros cometidos pelos Estados Unidos em nome de seus princípios ocidentais e cristãos.
Infelizmente não existem edições recentes dos livros de Graham Greene no Brasil, para quem quiser ler deve procurar em sebos, a edição que eu tenho é da Abril Cultural (1981).
“Foram apenas vítimas (civis) da guerra, nem sempre a gente acerta o alvo. De qualquer modo, morreram numa causa justa” Alden Pyle

SOBRE O AUTOR
Henry Graham Greene (1904-1991) – escritor e jornalista inglês, publicou cerca de 60 romances, muitos adaptados pelo cinema. O Americano Tranquilo foi publicado em 1955.

22 comentários:

Pandora disse...

Os norte-americanos me assustam, aliás, a cristandade me assusta sempre e constantemente, eles acreditam demais no que dizem!

palavrasdeumnovomundo disse...

Oi Jussara, adorei a sugestão do livro e a forma como o contextualizou diante da situação que estamos assistindo hoje. Muito bom e acredito que cabe a todos cidadãos do mundo ficar de olhos bem abertos a tudo o que está acontecendo e o que está por vir. Bjs e boa semana. Rosa

Borboletas nos Olhos disse...

Gosto demais do Graham Greene e os filmes não fiam à altura do livro, mas até que Michael Caine não fez feio.

PS. O niver é dia 12.

Sentindo e pensando disse...

Oi Jussara! Vim aqui agradecer por todo o apoio que você deu ao K e por você torcer por minha saúde. Obrigada por suas palavras!

Apenas um lugar para ser (Lis) disse...

Oi Jussara, td bem?

Primeiro quero agradecer suas visitas e comentários. Eu acessei o blog da Adelaide e li o texto, realmente posso aprender mto com ela, parece lidar muitíssimo bem com as mudanças, mto obg pela dica!!

Com relação ao seu post, acho admirável o quanto q vc lê, e leitura de qualidade, conhece-se o mundo através dos livros, não é msm? Eu não tenho o msm hábito, ainda, mas quero msm desenvolver... De fato o livro parece ser uma ótima indicação para o momento atual, e talvez tb o seja daq a alguns anos, infelizmente, a história se repete...

Bjs e um ótimo dia!

A Viajante disse...

Nossa parece ser muito bom o livro, e realmente o povo americano se diz isso e aquilo, mas estão atolados nos seus erros, são medícores e não enxergam os outros povos. Temos que realmente ficar de olho nessas coisas e no que está por vir!

beijos!

A. Marcos disse...

vc é uma beleza nas dicas.

Guará Matos disse...

Grahan Greene tam uma puta narrativa, um belíssimo escritor. E esse deve ser um dos bons dele.

Bjs.

Balzaquiana com 'Z' disse...

É impressionante como o tempo passa, mas a humanidade continua a cometer os mesmos erros ou até acertos... é tanto que livros como esse vão ser atuais sempre.

Gostei da dica... mas sebo aqui na minha cidade não existe. Rá... é sério... não ri.

BeijoZzz

Ah! Depois me diz como você lê os livros... tipo... em quanto tempo... você faz uma lista dos que vai ler no ano... porque eu tô querendo me organizar melhor na leitura, daí tô colhendo dicas de pessoas que leem.

Lufe disse...

Gosto do Greene. Ele tem uma ironia fina.
Caracteriza bem o americano ingenuo, infantil, que acredita ser o salvador do mundo.
Hollywood se encarregou de criar e manter este esteriotipo.
Durante a segunda guerra foram feitos muitos filmes por encomenta ressaltando esse "heroismo" americano.
Aí vieram, Coreia, Vietnam, Cuba, Afeganistão, Iraque onde entraram com essa ideologia e levaram tinta.
Com essa mesma ideologia, de estabelecer a democracia no mundo, eles financiaram todos estes ditadores que estão por ai, e criaram "democracias" como o Haiti.
Este livro vale a pena ser lido.

bjo

Deusa disse...

Exato...disse tudo...os Estados Unidor apoia os ditadores e depois derruba em vista de seus proprios interesses....que o diga o monstro Sadam.
Bjs
Deusa
Obs:SObre os oculos,depois do susto que levei e de ver tudo tão claro,ja não importo mais.Sabe que tenho coleções de livros que ainda não li por causa disto também.Chega,vou me cuidar melhor.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

Misturação - Ana Karla disse...

* Jussara, quando vier a Recife me avise que quero conhecê-la, viu?
Xeros

palavrasdeumnovomundo disse...

Oi Jussara, está desculpada pq eu tbém, às vezes, tbém visito blogs que me encantam e acabo não comentando, não seguindo....é a pressa...rsrsrs.
Mas, agora podemos nos tornar gdes parceiras acompanhando-se reciprocamente, será uma honra pra mim. Bjs. Rosa

Paula Li disse...

Oi Ju, adorei a dica. Tomara que eu encontre um exemplar no sebo para comprar.
Bjs

Ro disse...

Jussara , sabe que li seu post ontem , ligeiramente alcoolizada , e não consegui parar de pensar nele.
Hoje voltei com tempo, para reler e comentar que eu fiquei coçando pra ler e até assistir o filme.
Mil beijos carnavalescos.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

poxa, em casa tinha esse livro...e eu não li. era da minha mãe (quer dizer, ainda está por lá) e agora me arrependo.

eu vejo de perto o que é isso. infelizmente os brasileiros agora estão sendo os chatos da vez com esse negócio de religião: centenas de obreiros tentando converter os japoneses adoradores de estátuas e demônios por aqui.

moro perto de uma enorme igreja evangélica, é complicado.
na hora do tal "descarrego" sei lá como se chama, a gritaria é audível looonge.
baixa polícia, por caus do barulho. e claro, o povo da igreja já levanta a bandeira do "preconceito contra brasileiro, etc".

infelizmente, como vc disse, se trocar o nome do país a história faz sentido. o Brasil tem crescido muito, se desenvolvido e está ficando cada vez melhor. mas a soberba que acompanha alguns sujeitos é de lascar o caneco furado.

bjs

Sentindo e pensando disse...

Ainda não li Nada do Greene, mas será que nem fuçando na net a gente encontra esse livro?

Borboletas nos Olhos disse...

Baby, sua carta já está...http://eusouagrauna.blogspot.com/2011/03/ser-mulher-nao-nos-impede-de-nada-by.html
Eu já disse obrigada? Mas repito. Bjs.

Juliana Galante Magalhães disse...

Vou procurar pelo livro nos sebos de São Paulo... quem sabe né?
Vou viajar com o Ro, e com certeza tbm teremos cervejas!!!rs
Beijos minha amiga

Glória Maria Vieira disse...

Juh! De verdade, saudade de ler suas indicações, viu?! Ando ausente, mas eu acho que você já sabe os motivos. /mais uma vez, "me amarrei" na indicação.

Bom, minha linda! Até breve.

Kelly disse...

Não conhecia e vou procurar saber mais sobre Greene, adorei sua indicação despertou minha curiosidade. beijos

Pentacúspide disse...

Passei anos a tentar ler este livro e a abandoná-lo por diversos motivos, inclusive, ainda nem sequer o filme quis ver antes de ter lido o livro. Greene é uma referência que não falta na literatura americana, o que me desperta sempre curiosidade.