sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Brilho ofuscado

A Joia de Medina, Sherry Jones

Sabe quando você lê aqui e acolá sobre um livro polêmico? Que traz grandes debates e mexe com a religiosidade de um povo? Que promete mundos e fundos? Pois bem esse é A Joia de Medina. Só que ao ler  só achei uma pocinha rasa de água de chuva. Fiquei bastante decepcionada.
A Jóia de Medina conta a história de A’isha, uma das esposas do Profeta Maomé e uma figura cultuada no islamismo. Ela foi prometida ao Profeta aos 6 anos e se casou aos 9, quando o Profeta já tem 50 anos, até aí nada demais. Estamos no século VII, no Oriente Médio e casamentos sempre foram alianças políticas em qualquer lugar do mundo. Conta a história que ela foi uma das esposas favoritas (ele teve 12) e ficou viúva aos 19 anos. Estamos no começo do islamismo, tudo ainda é muito incerto, mas essa menina acaba por conseguir um lugar na história por sua inteligência e sabedoria, já que detinha conhecimentos médicos e foi uma defensora feroz da palavra e dos atos do marido, é chamada de A Mãe dos Pobres. Uma história e tanto, pena que não se concretize no romance.
Fica difícil de acreditar em algumas coisas que a autora nos coloca: A’isha não é a primeira esposa, é a terceira, como ela quer mandar no harém com 10/12 anos? Um harém em que há mulheres mais velhas e mais experientes. Ela ainda brincava, inclusive com Maomé,  conforme o romance.  O livro diz que A’isha se casou com Maomé  mas cultivava uma paixonite por um garoto com quem brincava, gente não nos faça de besta! Uma menina de 6 anos que passa três  escondida aos olhos de todos até o casamento, vai cultivar uma paixonite!!!!! O livro é escrito em primeira pessoa, mas os ideais e conceitos passados são de uma mulher moderna, ocidentalizada e antenada. Onde está a extensa pesquisa histórica da autora?
Quem me lê sabe que eu amo um livro com fundo histórico ou que retrata uma época, não encontrei isso em  A Joia de Medina. Fiquei sabendo mais sobre o islamismo e sobre a A’isha na Google, porque fiquei tão decepcionada que corri atrás de mais informações. A’isha é uma mulher polêmica no islamismo, existem vários olhares sobre ela, mas isso não faz dela um personagem insosso, pelo contrário.
Toda a polêmica, para mim, com editoras não querendo publicar o livro vem do fato que o livro é   literatura, não é um bom romance histórico e tenta polemizar com o islamismo (procurando polêmica para virar best-seller?).
Sempre posto livros com a intenção que alguém fique curioso e o leia, esse é daqueles que fico na dúvida, ele distrai e entretem? Sim, para aquelas tardes de sábado que não se tem nada para fazer.  Ele nos faz pensar? Sim, aqui em duas vertentes: como essa autora errou a mão ao descrever um belo personagem  ou vou atrás de saber mais e esquecer esse livro rapidinho. Só há uma vantagem: é interessante saber quais foram as esposas de Maomé e como elas eram. Afinal sabemos muito pouco sobre essa religião que hoje influencia o mundo.
“O sucesso é uma consequência e não um objetivo” Gustave Flaubert
SOBRE O AUTOR
Sherry Jones ( 1961-   ) - jornalista americana desde 1979, atualmente trabalha numa agência de notícias, A Jóia de Medina é seu primeiro romance e foi publicado em 2009 pela Editora Record

23 comentários:

M. disse...

Bem...este não vou ler:...Linda a tua expressão:

"uma pocinha rasa de água de chuva"

Borboletas nos Olhos disse...

Já tenho uma lista extensa que este blog incrível me proporcionou...acho que vou ler esse não!

Pandora disse...

Acho que eu vou entrar no clube da M e da Borboleta e esse vou ler não, pq autor que se propõe a tratar de história e religião tem que fazer bem feito e com responsabilidade, pessoas vivem e morrem por causa de fé, não é algo para vender e enganar as pessoas(muito embora isso seja corriqueiro em nossa sociedade aff!!!).

E sim, anacronismo me da dor nos ossos, afeta até minha medula uí!!!

Ah, também adorei a expessão: "uma pocinha rasa de água de chuva" rsrsrsrs As vezes acho que a maioria dos livros aclamados como best sellers não passam disso!

Chero Jussara!

Guará Matos disse...

Fazem um estardalhaço para apenas um "peidin" sô!
Hahahahaha!
Bjs.

Lufe disse...

Adorei sua opinião, seu conceito.
Não vou ler....rsrsrs

bjo

Carla Farinazzi disse...

Obrigada por avisar, rsrsrsrsrs

Esse não vai pra listinha não!

Você já leu A Costureira e O Cangaceiro?
Muito bom!! Lembrei por que você disse que gosta de livro com fundo histórico ou que retrata uma época. Esse é perfeito, vale à pena!

Beijos

Carla

Dama de Cinzas disse...

Então não vou ler... rs

Obrigada por suas palavras carinhosas!

Olha, outra blogueira já reclamou dessa última postagem que está tendo um problema, simplesmente não sei o que é. Deve ser algum problema com o próprio blogger, já que outras pessoas estão conseguindo comentar... Infelizmente não sei como resolver.

Beijocas

APPedrosa disse...

Também não vou ler. E acho que, tão importante quanto instigar seus leitores a procurarem determinados livros, é mostrar os que não valem a pena. É triste quando um autor joga fora um belo personagem ou uma bela história.

Carlos Medeiros disse...

Pelo que vi aqui, vc gosta muito de livros. Fui viciado neles, e até hoje leio muito, mas não como antes. Sinto falta do tempo que não podia ver uma banca ou uma livraria, que era parada certa. Fora que os visitava todos os fins de semana.

Christine disse...

Oi Jussara, ando sumida...hahaha
Mas hoje coloquei em dia a leitura. No mês passado li um livro que me fez lembrar muito de vc. Cada vez que pegava ele nas mãos, velho, amarelado com cara de sebo, que ficou esquecido anos numa prateleira...hahaha
Foi a Mulher Imperial de Pearl Buck. Adorei! se bem que ultimamente tudo que conta um pouco sobre a China eu devoro, é a maneira que encontrei de tentar entender a lógica desse povo que não faz sentido para nós. Bom, mas a edição era de 1963, mais velha que eu...hahaha e uma linguagem super atual, apesar de contar um estória do fim do século 19 e começo do 20.
Vou para o Brasil em março e óbvio que já comprei alguns outros livros dela para saber um pouco mais.
Beijo enorme...
Pena que não vou conseguir ir ao Rio dessa vez...

Edlena Franklin disse...

Jussara
Polêmica gratuita não é mesmo a minha praia... O islamismo é assunto pra se aprofundar, não pode ser tratado de forma superficial, mesmo em termos de romance. O mundo em que vivemos pede uma melhor compreensão dessa religião tão cercada de fanatismo e tragédias. Aguardo dica de obra mais esclarecedora.
Beijão

Bruno Stern disse...

Pelo relatado lembra alguns filminhos bobos em que os dramas e os diálogos são atuais, mas se coloca os personagens em roupas e profissões de época.

Macá disse...

Ju
Li o seu post e também todos os comentários e a que conclusão cheguei? A que eu sempre falo. Você, com sua forma clara e leve de comentar, consegue fazer as pessoas ficarem com vontade de ler - ou não - os livros que posta.
E esse por exemplo, vou fazer companhia para as outras pessoas. Não me interessou.
Vamos fazer o seguinte: Faz um outro post nos contando sobre todas as mulheres de Maomé? rsrsrsrs
beijos, saudades

Monica™ disse...

Olá td bem ? Vim agradecer seu carinho nos comentários e dizer q tem selinho pra vc no meu blog. Espero q goste. Beijo.

Mônica disse...

Não se decepcione,tudo é aprendizado. Acho que pra mim valeu muito ler seu post e compartilhar de sua experiência, bjs

Reflexo d Alma disse...

Puxa, que belo espaço,
estive ausente de visitar blogs
e nessa segunda venho aqui conhecer, que delicia!
Vou reler seu post e ler outros.
Estou lendo o Livro do Amor da Rocco, interessante, mas acabo assim deixando a historia para ler
as lendas,
muito interesssante.
Vou te seguir e volto depois,
pra me deleitar mais.
Bjins entre sonhos e delírios

Cintia Branco disse...

Ju,

é a terceira vez que escrevo este comentário, na hora de escrever dou um comando errado e entro no google, kkk, a idade é fogo.
É por isso que não gosto de livros históricos escritos por não historiadores, o cara sempre pisa na jaca. Prefiro uma leitura menos pretensiosa, em que utiliza a história apenas a título de informação do que essas obras que se intitulam frutos de longa pesquisa histórica, mas que são apenas chamativo para vendas, me fiz entender?!
Filhote está bem, está cursando o 1º ano, segundo ele, a série das galinhas, é o que fala para todo mundo quando perguntam em que série ele está. É que a turma dele trabalha no projeto das galinhas, portanto, série das galinhas, eu mereço.
Beijos e ótima semana

Apenas um lugar para ser (Lis) disse...

Hum... q coisa nao?
Mto boa a sua crítica, seus motivos realmente me convenceram. Pelo q vc diz buscou-se de fato o sucesso...

P.S. Mto obg pelas visitas e pelas palavras de apoio. =)

Parabéns pelo blog!

Carla Farinazzi disse...

Oi Jussara!

Passei para agradecer seu carinho lá no meu PBI!

Um beijo

Carla

Misturação - Ana Karla disse...

Esse eu também não vou ler.
Mas vou atrás da história que é bem interessante.
Jussara um xero grande!

Misturação - Ana Karla disse...

Quero dizer também, que é muito importante uma boa crítica, seja ela positiva ou negativa, até mesmo para compararmos com outras opiniões.
Parabéns,,, grande atitude.
Xeros

Paula Baiadori disse...

Olá,
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Abraços.

Tathiana disse...

Uma pena que o autor não tenha se esforçado por mostrar a personagem de maneira crível, comprometendo o livro...
BJs.