segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Onde vai o vento?

OS VELHOS MARINHEIROS, Jorge Amado
Eu hoje tô baiana, lenta, lenta... por isso escolhi um livro de Jorge Amado, Os Velhos Marinheiros. Nesse livro há duas histórias a do Quincas Berro D’Agua, a mais conhecida, já fizeram especial e filme,  e a menos conhecida que é a  do Comandande Vasco Moscoso de Aragão, capitão-de-longo-curso. Como a preguiça tá chegando devagarinho e se agarrando nas franjas da rede, só vou falar da história do Comandante.
 Vasco Moscoso de Aragão não era chegado assim as labutas diárias,  como recebe  uma herança  que lhe permite viver, a princípio como milionário e depois somente bem, vai levando a vida pelas ruas, ladeiras e becos de Salvador, através dos amigos do bem viver e com influência  consegue  (praticamente compra) o título de Comandante, sem nunca ter pilotado sequer uma jangada. O título lhe sobe a cabeça, anda fardado, tem uma enorme coleção de coisas náuticas compradas aqui e ali, e conta ao zé-povinho  suas “viagens” pelos mares bravios, frequenta a Capitânia dos Portos,  na verdade se sente um quase Vasco da Gama. Sua farda e seu título também ajuda em suas conquistas amorosas, ele sempre está perdidamente apaixonado... até a próxima morena. Ocorre que um dia... um grande navio perde seu Capitão e o único nome  disponível na Capitânia  é justamente o de Vasco Moscoso de Aragão, não tendo outra saida lá se vai ele comandar. De Salvador a Belém do Pará são  dias de sol, damas para andar de braço no tombadilho, champagne e ... toda a marujada sabe que ele não entende  nada, sequer reconhece  os nomes mais corriqueiros dos apetrechos de um navio. Ao chegarem em Belém  a tripulação resolve expor tão estapafurdio Comandante  e perguntam:  “Com quantas amarras, comandante, vamos amarrar o navio no cais de Belém?”  Essa pergunta traz a humilhação e a glória para nosso Comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão-de-longo-curso.
Os Velhos Marinheiros tem algo em comum,  recusam a vida rotineira, o tédio e o trabalho diário. Escolhem para si a boêmia, a esbórnia e a aventura, mesmo que inventada. Jorge Amado descreve Salvador , ainda uma cidade pacata, sem axé,  sem trio-elétrico e sem turista. Seus personagens transitam por toda parte, dos salões nobres aos bordéis e através deles vamos conhecendo muitos dos habitantes da cidade, seus usos e costumes, seu comportamento. As histórias se passam em um tempo indefinido entre os anos 20 e 40 do século passado.
A obra de Jorge Amado é vasta e bastante conhecida, já fizeram filme, novela, seriado e especial,  mesmo assim vale a pena ser lida pois ele criou personagens emblemáticos como os coronéis da zona cacaueira  e as  morenas que cheiram  cravo e canela,  a mar e aos  perfumes baratos vendidos por mascates.
Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.  Fernando Pessoa

SOBRE O AUTOR
Jorge Amado (1912-2001) – Escritor baiano, um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros, publicou Os Velhos Marinheiros em 1961.

17 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Esse eu li, faz tanto tempo! Que livrão bom!
como você falou, tudo bem que as obras de Jorge Amado já viraram filme e seriado. Mas ler é outra coisa, tem outro sabor.
Maravilhoso!
uma boa semana pra vc, minha amiga! bjs

M. disse...

Tenho vindo a aprender a gostar de Jorge Amado. Num processo de valorização crescente. Verdade que tinha, confesso, algum preconceito fruto, talvez, de sua obra ser transformada em telenovelas. Erro meu de que me penetencio.

Um grande escritor. Sem margens para duvidas.

Borboletas nos Olhos disse...

Gosto muito de ler Jorge Amado, seus livros têm cheiro e sabor.

Rogério Pereira disse...

Jorge Amado, Jorge Por Mim Amado, e uma releitura que hei-de fazer: Talvez estes "Velhos Marinheiros" ou "Os Capitães da Areia" o meu livro do coração ao lado de um outro, português, "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes. Brasileiro que tenha de "Os Capitães..." gostado, ler "Esteiros" é obrigado!

O google falar-lhe-á deste livro.

Beijo

Celia na Italia disse...

Amo Jorge Amado, sua linguagem fácil bem como a descrição de Salvador e seus personagens .. é único!

Inaie disse...

eu li esse livro aos 14 anos, me lembro de ter me apaixonado por ele. De repente, vivia procurando os seus livros, passava madrugadas a le-los.

bj

Glória Maria Vieira disse...

Mais um pra minha lista interminável de livros que lerei, Jussara. AUSUAHSUAHSUHAUSHAHUS /adorei

Lufe disse...

Jussara,

os seus releases nos instigam a leitura...
Essa historia do Comandante eu ainda não li, embora tenha lido quase toda a obra de Jorge Amado.
Sou fã incondicional destas histórias ricas em regionalismos.
Vou ler.

bjos

Bruno Dezinho disse...

Primeiramente quero pedir desculpas pela demora em passar aqui desde que visitou e comentou meu Letras Mal Escritas. Estava com problemas pessoais, e tive que me afastar por um tempo da internet. Quero, agora, expliado o motivo da demora, parabenizar-te pelo blog. Adoro blogs nesse formato, e gosto de trocar figurinhas sobre literatura, de maneira despretensiosa, sem o pedantismo da academia. Só li de Jorge Amado TERRAS DO SEM FIM, li duas vezes. E você é a segunda pessoa essa semana que me fala dele. Vou voando até a livraria pra ver o que encontro. Beijo. E parabéns pelo blog.

Macá disse...

Olá Ju
Fazia vários dias que não entrava nos blogs. Agora deu um tempinho, corri aqui.
Olha, não li esse não. Já li muita coisa do Jorge Amado, mas esse, passei.
beijos
saudades

Daniel Brazil disse...

Quanta coisa interessante no teu blog, menina! Preciso arrumar mais tempo pra xeretar por aqui. Beijo!

Pandora disse...

Tenho um amigo que é super fã de Jorge Amado, eu não sou tãoooo chegada assim, mas ele tem uma escrita apaixonante, uma coisa que te pega na primeira linha e te leva até sabe Deus onde, sempre uma boa leitura, quando consigo me despi dos preconceitos e me pego lendo um livro dele sempre me impressiono!!!

Misturação - Ana Karla disse...

Estou rindo até agora com seu comentário no Misturação.
Já editei e citei você. (rs)
Enquanto que eu estou corridinha, aqui o clima tá lento.
Acho que vou embarcar nessa, que é assim que gosto, e listar esse livro para 2011(acertei? he he he)
Esse eu não li, aliás, quase nada de Jorge Amado, mas tenho corrido atrás desses grandes nomes.

Obrigada, viu?
Xeros

Paula Li disse...

Oi Ju,
obrigada pela visita. Gostei muito da história do comandante que não comandava nada. A forma que você narrou o livro da vontade de correr para a livraria.
bjs

Apenas um lugar para ser disse...

Que post tão rico! Adorei o comentário. Antes quero agradecer a visita ao meu blog, que bom que se identificou, bom saber que não somos os únicos em alguma coisa. =)
Com relação a leitura, eu nunca gostei de ler qdo criança, na verdade, nunca gostei de ser obrigada a ler pela escola, digo que nunca tive um estímulo legal para a leitura, que sempre esteve relacionada mto mais a estudo que a prazer. Meu noivo adora ler, e atraves dele descobri esse mais novo lazer. Nao devoro livros, de jeito nenhum, ainda nao cheguei lá. =) Mas minha relação com a leitura mudou mto nos ultimos tempos, e meu interesse tem aumentado pela literatura brasileira após ter iniciado minha graduação em Letras.
Voltarei aq. Beijos!

A. Marcos disse...

Tem leituras que nos fazem bem, levam nossa imaginação para longe.

Carla Farinazzi disse...

Lindeza de post, minha querida! Perfeito, já está anotado na minha listinha de próximas leituras, pode apostar! Adoro Jorge Amado, parece que estou na Bahia quando o leio. Me lembro até hoje do Capitães de Areia, um livro lindo. E olha, pode se dizer o que quiser, o cara era um gênio. Essa Bahia nos deu nomes maravilhosos à arte, à cultura, à música e à literatura, e o dele com certeza encabeça qualquer lista.

Beijos

Carla