domingo, 12 de dezembro de 2010

Matemática, argh???!

O HOMEM QUE CALCULAVA, Malba Tahan

É um livro de matemática? É e não é, são as aventuras do calculista persa Beremiz Samir de Bagdá, que viveu no século XIII, o livro é escrito à maneira de Mil e Uma Noites. Cheio de peripécias que sempre acabam em problemas que envolvem números, aos quais Beremiz resolve de maneira extraordinária. O livro ainda nos apresenta muitas curiosidades sobre a cultura islâmica e  lendas locais, a tradução  fez um trabalho primoroso em notas de rodapé ao explicar os usos e costumes do povo árabe.
Existem livros que a sua própria  história é melhor do que a que  está narrada em suas folhas, O Homem que Calculava é um desses livros. Para começo de conversa o autor: Malba Tahan, nascido próximo a Meca em 1885,  tendo estudado no Cairo e em Istambul, feito inúmeras viagens durante sua vida acabou por  falecer em 1921, durante uma batalha na Arábia Central, não existe. Assim como também não existe o eminente Professor Breno Alencar Bianco seu tradutor para o português. Tudo isso nasceu na  imaginação de um prosaico professor de matemática,  que por anos deu aula em colégios públicos do Rio de Janeiro, Julio César de Mello e Souza.
Julio César era formado em Engenharia e deu aulas em várias disciplinas , até se  fixar em matemática, meu terror, o seu e de muitos outros. Ele dizia a seus alunos que a matemática esta em nosso dia-a-dia, ela está presente nas ondas do mar, nas areias do deserto, nas folhas das árvores, no nosso número de célula e em nosso DNA (esse dado é por minha conta), portanto a matemática está dentro e fora de nós. Ele foi um homem muito a frente de seu tempo, começou a dar aulas por volta da década de 20, do século XX, e foi professor e palestrante até o fim de sua vida, segundo relatos suas aulas eram verdadeiros shows! Júlio César, foi o professor que todos nós queríamos ter tido, ele não dava zeros e nem reprovava, em um depoimento afirma “Por que dar zero, se há tantos números? Dar zero é uma tolice! É preciso fazer o aluno entender.”
Ao  criar  Malba Tahan ele acabou  por dar um charme  a  temível  matemática, como suas histórias são pequenos contos, com deliciosas descrições e informações do mundo  árabe, nesse livro ele conta inclusive a lenda do jogo de xadrez,  atiça a imaginação tal qual Mil e Uma Noites , ele  era um grande estudioso da cultura árabe e da oriental. O homem que Calculava é  seu mais famoso livro e vale a pena ser lido, pois quem calcula é Beremiz e não a gente! Malba Tahan publicou 56 livros.
A título de  curiosidade Julio César nunca viu um deserto e talvez o mais perto que chegou de um camelo foi no Zoo do Rio de Janeiro, mas sua extraordinária cultura e imaginação fez dele um professor querido e um autor consagrado.
“O professor de Matemática em geral é um sádico. Ele sente prazer em complicar tudo.” Julio César de Mello e Souza

SOBRE O AUTOR
Malba Tahan (1885-1921) – pseudônimo de Julio César de Mello e Souza (1895-1974), professor de matemática e escritor, publicou O Homem que Calculava em 1939.

31 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

O Homem que Calculava é livro da minha pré-adolescência que me acompanhou por todo o resto dos tempos até agora. Gosto de vários momentos, mas estou me lembrando aqui da divisão dos camelos entre os irmãos (em que o homem que calculava se dá bem e fica com o "camelo extra". Bjs

Guará Matos disse...

A vezes não precisa ir à fote para saber o sabor da água.
Bjs.

Rogério Pereira disse...

Jussara
Não está equivocada
A matemática está
no nosso DNA

(não sei se foi editado em Portugal, mas vou saber...)

Carla Farinazzi disse...

Poxa! Estou gostando cada vez mais de aparecer por aqui! Está se tornando imprescindível, sabia?
Eu amo essa criação do Professor Júlio Cesar, desde que me conheço por gente. Com este livro, aprendi a me interessar verdadeiramente pela matemática, coisa que faço até hoje. Sabe, vou ao supermercado e fico somando mentalmente os produtos que ponho no carrinho. Sempre dá certo, rsrsrs. Se não dá examino a nota inteirinha antes de pagar. Eu gosto de números. Mas aprendi a gostar com O Homem que Calculava...

Um beijo

Carla

TILIDA disse...

Eu adoro matemática...

Daniel Brazil disse...

Maravilhosa lembrança. O único livro sobre matemática que consegui ler até o fim. E gostei!

M. disse...

Boa sugestão. A matemãtica é vista como um bicho papão por culpa do ensino. Mão há nada mais concreto que a matemática. Estã em todo o lado.

Os melhores jogos para os putos, os que têm mais êxito, tem por base a matemática...sí que eles não sabem e por isso gostam.

Há um certo prazer em dizer que a matemática é difícil...Mau início. Mau princípio.

Pandora disse...

Sou apaixonada por cultura árabe e pela literatura dessa gente que vive em desertos, desbravou o mundo e criou uma religião que é seguida por um terço dos habitantes da Terra!!! \o/ Matemática também é uma paixão, mas isso é segredo, não é para contar a ninguém pq não pega bem professora de História apaixonada por matemática néh, mas secretamente amo as ciências exatas, as ciências da natureza são perfeitas... Acho que se as pessoas fossem alfabetizadas matematicamente na escola em vez de metralhadas com formulas estrambóticas que distanciam elas das ciências da natureza séria bem diferente, elas iam entender que matemática não é uma invenção humana e sim uma grande descoberta e que Física e Química são vida circulando em torno de nós, dentro de nós, brilhando na luz, queimando no fogo e em tudo o mais!!!

Esse livro é brilhante,um daqueles que é pra ler e ter e como sempre tu é muito brilhante nas escolhas e na forma de falar dos livros... Show!!!

A. Marcos disse...

Eu nunca consegui terminar de ler esse livro. Há quase 30 anos que me prometo ler...rsrsrs Ainda está na minha estante e na minha lista de livros a serem lidos.

Cintia Branco disse...

Jussara,

Esse matemática aí eu gosto. Adorei o livro, fascinante.
Beijos

Pandora disse...

Jussara gostaria de ter pedir um favor: vc deixa eu usar um trecho de sua postagem sobre o livro BOLOFOFOS E FINIFINOS de Fernando Sabino???? Estou escrevendo sobre bullying e achei que uma das coisas que vc falou caiu como uma luva e se é para parafrasear é melhor citar, mas para citar é preciso perguntar!!! Posso???

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu odiava matemática. Ia mal no colégio, pra variar a professora não gostava de mim e eu muito menos dela hahaha.
dai meu avô me deu esse livro para ler... e assim fiz as pazes com os números. não que eu os ame, mas agora "os perdôo" hahaha.

do mesmo autor li Maktub, Lendas do Deserto e adorei. Malba Tahan é maravilhoso.

boa semana pra vc, querida Jussara!

Roberta M. disse...

Eu adorei esse livro, mas o que eu mais gostei agora, foi de saber dessa estorinha do autor!! Eu nao sabia mesmo!! Que legal!!! E sim, sempre acreditei que o prof. de matemática e incluo os de física e quimica, sao uns sádicos rssss beijocas

Roger disse...

Na minha opinião a Matemática é a forma de filosofia mais pura, pois prescinde de palavras que quase nunca exprimem o que realmente se tem a dizer. Números são confiáveis (quando não manipulados), palavras, quase nunca...

Glória Maria Vieira disse...

Minha nossa! A M E I JUH! Que livro mara! Olha... o nome dele me é familiar, viu?! Mais um pra listinha bem "pequenininha" que tô fazendo. AUSHAUHSUAHSUHAUHSAUHUSHUA

O Homem que calculava... esse título me soa bem.

P.S.: Matemática nunca foi com a minha cara também! UAHSSUAHSUHAUSHSAHU :p

Giuliana: disse...

Já ouvi algo sobre esse livro, mas muito breve, porém pelo seu post dá para perceber o quanto é interessante.

Ótima dica!

Beijos

Luciene Paiva disse...

Blog é informação!
Você não há de ver que, mesmo trabalhando em uma biblioteca universitária e, emprestando esse livro para inúmeros alunos, eu não sabia que Malba Tahan era um pseudônimo, e de um brasileiro ainda por cima.
Sempre fui curiosa a respeito do livro, mas como estava na estante de matemática, realmente, eu concordo com a maioria, argh!!!!
Fiquei mais curiosa agora e, vou colocá-lo na minha grande lista.

Vlw!!!!

Drixz disse...

Jussara, que nostalgia vc me passou agora. Esse foi o primeiro livro "de gente grande" que eu li. Era do meu pai e eu me senti toda toda quando ele me emprestou. Eu não lembrava do autor ser um personagem. Que bacana! Eu queria ter tido um professor de matemática assim. Sou muito ruim nessa linguagem...

Julio disse...

Oi Ju.
Me lembro até do dia que li esse livro. É um dos grandes livros da minha adolescência e não me fez gostar mais de matemática, mas me fez gostar muito mais de literatura. Mais do que isso, ao lê-lo adorei descobrir que por trás dos números existe uma mágica maravilhosa. Até hoje guardo na memória uma das primeiras histórias do livro, onde Beremiz resolveu uma herança entre três irmãos na divisão de camelos e até hoje não entendo como ele conseguiu dividi-los e ainda por cima.... não! Não vou contar o final. Quem quiser saber, vai lá ler. É o máximo.
Beijos

Deusa disse...

Oi linda

Sabe que tenho toda a coleção deste autor,adorav quando era mais nova,mas os meus livros são muito diferentes,bem antigos...ganhei de uma tia a muitos anos.
Pois e menina...a gente vê os filhos sofrerem e isso acaba com a gente...ela esta super jururu,ate dormiu a tarde...mas também..neste calor não poder tomar banho,nem dançar(na escolinha)nem pintar...dei um daqueles banhos de gato nela e a bichinha dormiu de tanto tedio.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

yanne passos disse...

Oi Jussara,
Menina, ainda estou em estado de choque, meus olhos brilham tanto, meu coração disparou, são as sensações que tive ao entrar aqui, senti até cheirinho de livros.Eu que tanto amo ler, desde pequena, leio tudo que encontro pela frente, não escapam nem as bulas de remédios.
E esse livro, O homem que calculava, é simplesmente maravilhoso, lembro que minha filha teve que ler no colégio mas a bichinha diferente de mim, não gostou de ler não, o que é uma pena. Ainda me resta a esperança, de quando a leitura deixar de ser uma obrigação imposta pelo colégio, a minha menina procure a leitura por simples prazer.
Beijos e tudo de bom.

Andréa disse...

Ah amiga,pode acreditar,é ciúme dos brabos.
Aqui é assim,ele odeia meus paninhos e minhas agulhas de tricô,mas não assumi.
Faz o discurso de que eu tenho que ter um hobbie,mas na hora que eu tô aqui distraída com as minhas tralhas,fica valando um monte.
haha
Esses homens viu.
Beijão.

Bruno Stern disse...

Esse livro foi lido e relido lá em casa. Acho até que tinha sido indicado pela escola, na turma do meu irmão.

Não sabia mesmo da história do autor.

Mas do livro não esqueço da divisão da herança de 35 camelos (1/2 para o mais velho, 1/3 para o segundo e 1/9 para o caçula), nem do cálculo dos grãos de trigo no tabuleiro de xadrez.

'Lara Mello disse...

Obrigada pela visita..Sorte!

Adelaide disse...

Nossa esse livro eu lia a mui...digo, (recentemente quando ainda adolescente....kkkk) mas não sabia da história do autor (ou não lembrava) vou busca-lo para que minha filha o leia... valeu pela dica.
Obrigada
Grande abraço

Paula Li disse...

Oi Ju, na minha casa tem esse livro, meu marido adora, mas eu só li alumas páginas.
Detesto matemática, mas se o livro tem o poder de mudar essa visão, vou lê-lo em 2011!!!
P.S: só tive coragem de ir até a casa do caloteiro, por que ele usou de má-fé é um tremendo trambiqueiro e eu não podia engolir aquele sapo!!!
bjs

Lua Nova disse...

Olá... a primeira vez que ouvi falar nesse livro deve fazer uns 35 anos e foi meu pai quem me disse que o livro era sensacional. Logo depois eu o li e nessa época eu devia ter uns 20 anos. Entretanto é uma ótima pedida para uma releitura e acho que vou aplicar... rs
Adorei seu blog e acho que as palavras aqui não têm nada de vagabundas. Cumprem muito bem sua função de informar, divertir e encantar.
Adoraria se vc fosse conhecer meu blog e saborear um mousse de chocolate comigo.
Beijokas.
Seguindo...

Inaie disse...

:-)

gostaria de encontra-lo em ingles, mas fui dar uma espiada e nao achei nao. :-(


obrigada pela dica sobre o meu blog lotado

Christine disse...

Adorei a história do autor. Já havia ouvido alguma coisa sobre o nome ser pseudonimo, mas não sabia a verdadeira história.
Valeu! :)
Beijo

Adriana Alencar disse...

Olá! vim retribuir a visita e vi este post: eu li este livro, ele é maravilhoso!
O seu blog é muito interessante, já fui como você, lia compulsivamente, mas com o nascimento dos meus filhos deixei este hábito um pouco de lado, o que não é bom reconheço... Quem sabe o seu blog não me dá um empurrãozinho?
Passarei por aqui mais vezes!
Bj
Adri

Tathiana disse...

Tenho este livro... Comecei a ler mas ainda não pude terminar...
Bjs.