quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Inês é morta!

INÊS DE CASTRO, A. do Carmo Reis

Todo mundo conhece a expressão “agora, Inês é morta”, mas quantos se perguntaram quando e porque nasceu essa expressão? Afinal o que está expressão revela é que algo aconteceu e é irremediável.
Ao longo dos anos fui conhecendo mais sobre Inês de Castro, a que foi rainha depois de morta! Mas como não estudamos a história de Portugal, principalmente antes da descoberta do Brasil, ficava sem saber onde entrava Inês nessa história, até que numa Bienal do Livro, no Rio, descobri esse livrinho no estande de Portugal.  É um livro de história para crianças, com bastante ilustração, explicações das expressões de época e linha do tempo da Edições ASA.
Inês de Castro viveu no século XIV e conheceu D. Pedro (1320-1367) ainda príncipe. Ela vai para corte como dama de companhia de D. Constança, esposa de D. Pedro, num casamento de conveniência, o casal se apaixona e começa uma linda e trágica história de amor. Logo começam as intrigas e as fofocas e Inês é mandada para o exílio.  Após a morte de D. Constança, D. Pedro vai buscar Inês e a leva para Coimbra onde tiveram três filhos. Óbvio que o pai, o rei D. Afonso, não acha graça nenhuma e após dar ouvidos a conselheiros e as intriga da corte manda matá-la. Pedro enlouquece de dor, quer arrumar uma guerra com o pai, mas a mãe, como sempre, consegue que eles voltem às boas, mas Pedro não esquece. Após a morte do pai começa sua vingança, mata os executores de Inês com requinte de crueldade e dá a conhecer que havia se casado com Inês em segredo. Após cinco anos traz o corpo de Inês de Castro para o mosteiro de Alcobaça, fazendo um cortejo fúnebre digno de uma Rainha, nascendo assim a lenda que Inês foi coroada como rainha depois de morta. Segundo esse livrinho, D. Pedro nunca mais se casou, mas foi considerado um bom rei. Qualquer erro nos eventos é por minha conta, o Rogério do conversas avinagradas pode e deve me corrigir.
Escrevi este post, para explicar, um pouco, como me interesso por alguns livros e porque parece que só eu os li.  Sou capaz de passar anos arquivando curiosidades, que muitas vezes nasceram de outras leituras, e fico a procura de textos que matem essa curiosidade. Quando acho fico tão feliz, que posso falar dias sobre o assunto. Foi assim com esse livrinho, devo ter comprando muitos livros nessa Bienal (não tantos assim, mas todos que podia) mas só me lembro desse! Guardo com todo carinho e já tive a oportunidade de contar a verdadeira história de Inês para bastante gente.  Depois que sai da escola nunca mais li por obrigação, modismo ou para mostrar qualquer tipo de erudição, só leio pelo prazer da descoberta e normalmente o que compro está atrelado à algum assunto que me interessa, nem que seja uma expressão!
A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas, por incrível que pareça, a quase totalidade das pessoas não sente esta sede.  Carlos Drummond de Andrade

SOBRE O AUTOR
Antonio do Carmo Reis (1942- ) – professor e mestre em história, editor  da coleção História Junior, onde Inês de Castro foi publicado em 1987.

30 comentários:

Juliana Magalhães Fonseca disse...

Oi Ju
adorei aprender com você. Engraçado como passamos a vida escutando expressões sem saber de onde elas realmente vieram. Minha mãe sempre usava essa expressão e quando eu perguntava porque ela dizia apenas: "é isso, só isso"! rs. Usava sem saber porque... quem sabe um dia eu possa contar a ela...
Beijos da Juju

Juliana Magalhães Fonseca disse...

Ah! "Esqueci", meu Cem anos de Solidão no parque da Aclimação!
bjs

Borboletas nos Olhos disse...

Jussara,

eu SEMPRE uso essa expressão! E, cedo, interessei-me de saber sua origem. Mas tinha esvanecido no tempo...E que lindo seu partilhar sobre como se interessa pelos livros (e consegue fazer com que todos nós nos interessemos também!)
Ah, está acertado, vamos bater um copo quando vieres por aqui ou eu baixar no Rio...Bjs

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu li esse livro há tantos anos... que saudade que deu!
um especial maravilhoso sobre Inês de Castro foi feito pela Cacilda Becker, na Bandeirantes, em 1968 eu acho...
eu assisti qdo a Bandeirantes estava comemorando vinte anos, se não me engano... foi lindo! gravei, mas infelizmente a fita se perdeu...

bom dia!

Denise Lopes disse...

Querida que post mais que interessante e como a História é rica, quanto, todos nós, estamos sempre precisando aprender algo novo...Um beijo em seu coração.

Carla Farinazzi disse...

Jussara,

Adorei a história. Eu também sou meio assim, adoro conhecer a origem das coisas, das lendas, dos ditados, dos ditos e expressões populares... Adoro! E você me proporcionou mais um conhecimento, porque uso direto essa frase, rsrs.
Bom vir aqui,

Beijos

Carla

Edlena Franklin disse...

Na época da faculdade a profa. de Literatura Portuguesa chegou a mostrar fotos da lindeza que são os Túmulos de D. Pedro e Inês no Mosteiro de Alcobaça... Uma história muito bonita, rendeu até um filme, INÊS DE PORTUGAL.

Guará Matos disse...

São essas coisas que me deixam feliz na blogosfera. blofgs uteis como este que além de divulgar uma obra mostra todas e as particularidades.
Só merece aplausos.

Mayra Di Manno disse...

Jussara,
Muito bom esse post. Como é legal compartilhar conhecimento! Não lembrava mais disso!
Adoro saber a origem das coisas também!
Um beijo,

Lufe disse...

É uma historia bem interessante.
Se não me engano, tambem contada nos Lusiadas de Camões.
Como você mesmo disse o Rogerio podera nos falar mais sobre isso, pois infelizmente a gente não estuda a historia de Portugal.

bjo

Lúcia Soares disse...

Jussara, conhecia em parte a história. Se não me engano, existe até um poema sobre ela.
Amores trágicos eram comuns na realeza, já percebeu? Por causa de casamentos de conveniência, todos procuravam seus amores (acho que bem a amioria...) em outros lugares que não em casa.
Vou ver se lei o livro também.
Beijo!

Silenciosamente ouvindo... disse...

Pois é Inês jamais deixará de estar no imaginário dos portugueses.
A História de Portugal é muito rica.
Obrigada pela sua visita ao meu blogue.
Beijinho/Irene

Tathiana disse...

Menina, adorei saber a origem da expressão.
Gostaria de ter tempo para ler mais, no momento as coisas só me atropelam.
Bjs.

Jussara e Jurema Brazil disse...

Lufe acho que você tem razão,minha mãe declamava uns versos sobre Inês que me parece são do Lusíadas
bjs
JUssara

A. Marcos disse...

Caraca, adorei saber ahistória e até me interessei por comprar o livrinho.

Fernando disse...

A história é muito boa. Nem imaginava que seria isso. Valeu pelo texto.

Rogério Pereira disse...

Grande responsabilidade me dá...
Tudo certo.Junto uma coisa muito bonita, por sugestão do LUFE, que referiu Camões:

LUSIADAS Canto III

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que fortuna não deixa durar muito.
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e ás ervilhas
O nome que no peito escrito tinhas

Do teu principe ali te respondiam
As lembraças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite,em doces sonhos que menriam,
De dia,enfim,cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria

Assi como a bonina,que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lactivas maltratada
Da menina que a trouxe na capela
O cheiro traz perdido e a cor murchada;
Tal está,morta,a pálida donzela,
Secas do rosto as rosas e perdida
A branca e viva cor, co a doce vida

Liz Dantas disse...

Oi amiga
Adorei saber o porquê dessa "expressão" existe uma pessoa no meu ciclo familiar,que gosta muito de usa-la,mas nunca procurei saber porque o faz e se ela própria sabe o que diz
Vou fazê-la essa pergunta rsrsrs
Beijos

Tati Pastorello disse...

Oi Jussara, confesso que tive a curiosidade, mas não fui buscar as respostas. Adorei lê-las aqui. Também já li muitos livros que parecem não interessar a ninguém e adoro contar estas histórias e curiosidades, adoro ouvi-las também. Aqui me senti assim: ouvindo história.
Muito bom!
Beijos.

Misturação - Ana Karla disse...

Ju, comecei a tomar gosto por leitura já adulta e muito devagar. Hoje eu tenho uma cede imensa, e as vezes até fico decepcionada comigo mesma por não conhecer quase nada de grandes autores. Fico até envergonhada, mas busco dia a dia essa "água" para matar essa "sede".

Assim como essa história.

Xeros

Ronda disse...

Oi Jussara,
O seu blog é um dos mais culturais que eu frequento. Sempre algo novo e interessante para aprender.
Gostei de conhecer a história da Inês :-)
Abraços!!

Lufe disse...

Jussara,

Permita-me agradecer aqui ao Rogerio por nos trascrever este belissimo CantoIII dos Lusiadas.
Valeu a pena.
Lembrava-me vagamente desta parte, mais pela sonoridade...

"Assi como a bonina,que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lactivas maltratada
Da menina que a trouxe na capela"

Anônimo disse...

Maravilhoso!!!!!!!!! Agora quem ficou curiosa fui eu!Lá vai tb uma linda coisinha para a caixinha de histórias lindas que esperam ser reveladas...
Abraços
Nem tão anônima, Fatima Valéria

Libriana Voadora disse...

Oiii! Olha,vou ser sincera... até então nunca tinha ouvido falar dela e, se ouvi, não tinha marcado na memória, mas agora não vou esquecer! =D Eu também só li por obrigação na escola e na faculdade, e eram livros mais teóricos ou didáticos. Mas ler por prazer é a melhor coisa! Meu gênero favorito é ficção! =] bjss

Deusa disse...

Gente que história interessante,adorei,vou comprar,amo esses livros assim cheios de emoções fortes e bonitas.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

M. disse...

História de Portugal...

O grande amor da História de Portugal (depois do meu)

Foose este episódio de um outro país e não faltariam filmes made in Hollywood...


Assim...

Valha-nos o Brasil...

Pandora disse...

Aaaahh!!! Também amo a história de Inês, conheci ela lendo Os lusíadas, deu até uma dozinha quando li o comentário do Rogério Pereira, é uma história tão triste, eu fui uma adolescente emotiva de doer! Só a misericordia!

Mas, adorei relembrar Inês pq quando alguém conta a história dela é como se ela revivesse, é como se a vingaça de Dom Pedro se repetice e mesmo que a tenham assacinado a História dela não morrerá... Sim, eu sempre levo para o pessoal essa história rsrsrs...

Como disse a M. se fosse "este episódio de um outro país não faltariam filmes made in Hollywood"!!!

Lindo post Jussara, quero ser como vc quando eu crescer \o/

Deusa disse...

E por isso que devemos proteger nossas crianças....são anjos...só anjos...
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

htpp://chinanaminhavida.zip.net disse...

Oi Ju, eu já conhecia essa história, mas não tão bem contada...hehehhe
Mas também adoro descobrir os porquês das coisas e em especial pq usamos certas expressões, como essa da Inês. se vc pensar bem, falar ela isoladamente não faz sentido algum...rs
Nessa linha recomendo um livro, que meu filho, sempre curioso, apesar de preguiçoso para ler, uma vez pediu para minha mãe, mas quem acabou lendo fui eu: "Mas será o Benedito?" de Mário Prata. Se vc ainda não leu, é bem interessante, além do que Mário Prata é muito divertido! :)
Beijo. Christine

raquel disse...

cá em portugal toda a gente conhece a história de amor de pedro e inês, que é comparada à
de romeu e julieta.. com a diferença que é uma história veridica. mas eu nunca ouvi essa expressão! nem em que contexto é utilizada.