domingo, 21 de novembro de 2010

Fofo e Fino

BOLOFOFOS E FINIFINOS, Fernando Sabino

Engraçado o nome desse livro! Lógico é um livro infanto-juvenil e precisa chamar a atenção de seu público, mas o assunto é sério, muito sério.  Bolofofo é um reino onde todo mundo é gordo, fazem inúmeras refeições, dormem a sesta e são bem humorados. Finifino é uma república, onde todos são muito magros, fazem duas refeições frugais por dia e são extremamente rígidos e agitados. Cada qual a sua maneira são felizes, mas... são intolerantes com seus vizinhos e seus modos.  Por uma bobagem, o nome de uma ilha, que está entre os dois países e cada um quer se impor por lá, após uma conferência desastrada entram em guerra. Após a invasão dos finifinos em Bolofofo, os finifinos começam a ver algumas boas coisas na convivência com os bens humorados habitantes locais, os bolofofos também se deslocam para Finigrado, adivinhem capital de onde? E lá começam a abrir confeitarias, cafeterias e descobrem que apesar da agitação os finifinos são bem legais!
Este pequeno conto é contra a intolerância seja de cor, formato ou religiosa. É uma adaptação de um texto de André Maurois (1885-1967), romancista e ensaísta francês.  Hoje, cada vez mais, o mundo se torna intolerante e preconceituoso e isso sem medida, vale tudo. Violência contra mulher, gays, negros, gordos e porque não vesgos, gagos e só escolher a categoria. Aí saímos nós a criar campanhas contra bulling, contra a violência, dia de conscientização negra, parada de orgulho gay, dia da mulher, dia de paz no trânsito e tantas outras. Isso é necessário?  Lógico que sim, mas não seria tão melhor que educássemos nossos filhos para aceitar e apreciar o diferente! Porque com certeza todos nós somos diferentes, eu sou baixa, alguém é alto, outro gordo, fulano magro, sicrano vesgo e o sujeito gago, guri de olhos azuis, meninas loiras , homem careca, mulher de olhos puxados...  esta é a beleza do gênero humano. Este pequeno conto mostra que quando se deixa a intolerância de lado o outro lado pode ser bem bacana.
Eu tenho certa implicância com o “politicamente correto”, entre outras razões por que é reducionista, quer que todos pensem iguais, assim como tenho certa implicância com campanhas (nem acho que essa seja a palavra correta) onde cada um só defende o seu , seja branco, preto, gay, celibatário e etc. Estava conversando com minha filha sobre esse assunto então ela me sugeriu este livro para falar de intolerância e preconceito e, coisa rara, eu não conhecia.
No meu e somente meu, ponto de vista acho que devíamos ter um dia de Conscientização de Ser Humano, onde todos que quisessem poderiam expressar suas ideias, onde todos realmente ouvissem as razões do outro e aprendessem a apreciar as diferenças assim, quem sabe, acabemos todos Bolofinos ou Finobolos.
A amizade supõe a confiança, união de pensamentos e esperança. André Maurois

SOBRE O AUTOR
Fernando Sabino (1923-2004) – jornalista, escritor e contista mineiro. Bolofofo e Finifinos é editado pela Ediouro.

25 comentários:

Guará Matos disse...

Abaixo a intolerância, seja de que jeito for.
E sobre o "politicamente correto", é uma bosta! E gente "politicamente correta" é chata, mal resolvida, dorme de pijama de listrinha ou bolinha...ai, já estou ficando intolerante! Deixa eu recuar.
Bjs.

Fernando disse...

Gostei do texto e achei interessante a premissa do conto. Teu blog é muito bom!

M. disse...

Intolerância? Só contra os intolerantes.

Roberta M. disse...

Huumm, Jussara, falou tudoooo, sou mulher anti-rótulos, detesto denominaçoes e taxaçoes, somos o que somos e basta, beijos

Borboletas nos Olhos disse...

Jussara, esse livro é uma graça. Gostei demais da premissa e do desenvolvimento. Quanto às campanhas e dias de luta, espero eu que a educação vá tornando desnecessários todos eles. Mas a educação tem, na sua maior vantagem: a sustentabilidade, sua dificuldade: a lentidão. No por agora, fazer barulho e tentar um passinho de cada vez. Não sou politicamente correta, arroto alto e acho que a vida humana é muito mais relevante que a vida de qualquer animal e só luto loucamente pela preservação da natureza porque, né? como o homem vai viver sem ela? Mas quando o lance é com gente, aí o buraco é mais embaixo. Enquanto ser uma menina negra homossexual for restritivo dos seus direitos, bom, quanto mais barulho melhor...

Rogério Pereira disse...

Bonito ensinar isso aos mais novos. Nós adultos, falando e escrevendo Português temos as palavras do nosso Nobel, José Saramago, que escreveu "“A busca do Outro talvez seja o caminho pelo qual cada um de nós consegue chegar a si próprio. Para aproximarmo-nos àquilo que somos temos de passar pelo Outro.”

Tati Pastorello disse...

Jussara, eu cheguei de pouco, mas já sou sua fã. Se vejo atualizações por aqui, corro por que sei que tem coisa boa, bom pensamento, boas ideias, que só podem me enriquecer.
Hoje não foi diferente! Amei a ideia do dia da conscientização do ser humano. Seria uma única data, mas todas estas questões estariam contempladas. Realmente, a única coisa que nos falta é tolerância com a individualidade, também não sou nada fã do politicamente correto, numa justificativa de incluir acaba por estimular o preconceito, ao tentar tornar todo mundo umacoisasó! Beijos.

Ivan disse...

Brasil é o país que acolhe a maior Parada Gay do mundo e, ao mesmo tempo, nação onde ocorre o maior número de mortes por homofobia. Precisamos educar as novas gerações para que a intolerância vire apenas lembrança.

Abraço

Giuliana: disse...

Jussara,

Que delícia de post. Adorei lê-lo e a indicação de livro e a ligação dele com a realidade. Mostrar as diferenças e intolerâncias.

Realmente, é necessário reeducarmos e educarmos os jovens de hoje para uma mente menos limitada, coração mais aberto. =]

Beijos.

Wanderson disse...

Obrigado pela visita :)
Estou te seguindo!

abraço

Lufe disse...

Jussara,

O homem é daqui e eu não conhecia esse livro.
Porque não adota-lo nas escolas?
Fica a pergunta....
Quanto ao politicamente correto, nem me fale.
Depois dessa que fizeram com Reinações de Narizinho" falta mais o que?
Daqui a pouco os brancos estarão fazendo campanhas contra a sua discriminação.
XXXXiiii, será que branco pode falar?....rs

bjos

Macá disse...

JU
Desculpe pela minha ausência, mas já estou colocando a leitura dos blogs em dia. Já li sobre o Inês de Castro e agora sobre o BOLOFOFOS E FINIFINOS. Não conhecia mesmo. Mas também, só você pra nos mostrar essas raridades heim?
Adorei o dia da "Conscientização de Ser Humano". Vamos iniciar esse movimento?
beijos, saudades

Cintia Branco disse...

Jussara,

Seu comentário saiu sim, mas estou publicando na medida que estou visitando, como não posso digitar muito, estou liberando alguns comentários e então leio um capítulo de um livro, depois volto aos comentários, e assim estou.
Adorei essa obra, me pareceu divertida e reflexiva, vou dar uma procurada por aqui e ver se encontro, me parece um livro bom para a biblioteca do meu pequeno. Trabalhar a diversidade com crianças é complexo porque nem todas as famílias tem os mesmos valores e princípios, e as crianças convivem juntas, mas é necessário fazermos nossa parte e ensinarmos além do respeito a diversidade, a idéia de lutar pelos ideais e defender seus pontos de vistas coerentemente.
Estava com saudades daqui. Beijos.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Gosto muito dos textos de Fernando Sabino. Mas não li esse livro, fiquei com vontade de ler.
Eu sinto que era melhor a gente se preocupar mais com a educação das pessoas do que com o politicamente correto. Tudo chato demais, ao mesmo tempo que não se oferecer uma "alternativa" mais culta e polida, talvez?
E mesmo sendo extremamente polido, podemos ofender muito mais do que ao usar um simples termo considerado pejorativo.

boa semana!

Ro disse...

Jussara , faço minhas as suas palavras.
Educar as crianças para não ter que punir os adultos é a única solução possível.
Mil beijos e uma linda semana pra você.

Libriana Voadora disse...

Ahhh, parece muito boa essa história!! Adorei os nomes, bolofofo e Finigrado!! =] Bjss

Inaie disse...

eu gosto muito do Sabino, pena nao ter acesso a livros brasileiros aqui na ilha.

Riff disse...

Uauauaua. Estou aqui pela primeira vez e não quero ir embora. Amei seu canto e suas escritas e mais ainda as dicas...Ando lendo muito e nada q. me tirasse do sério...tipo uma leitura forte e contundente ao mesmo tempo sensível e informativa.
Olha, eu sou advogada e tb. adoro escrever é atualmente um dos meus maiores prazeres. Escrevo sem êra e nem bêra com o coração nas pontas dos dedos e isto me faz um bem incrível.
Parabéns, já virei seguidora e voltarei mais vezes posso???
Bjitos mil

Riff disse...

Ah sim, adoro Fernando Sabino e eu e meu marido temos um livro autografado por ele, chama-se O Outro Gume da Faca, nos conhecemos em 1997. Amei e indico este livro.

http://chinanaminhavida.zip.net disse...

Oi Ju,
Lembrei do post que coloquei no meu blog semana passada, da Torre de babel. É exatamente isso: aprender a lidar com as diferenças. E com certeza o preconceito não é só de raça, opção sexual ou cor... Quando eu for ao Brasil vou gastar um monte de dinheiro em livro e a responsabilidade será sua...hauhauahuahuaha
Brincadeira, sempre trago uma mala de livros, mas agora além da minha lista particular, vou incorporar suas sugestões...hahaha
Beijo enorme e obrigada pelo carinho!

Tathiana disse...

Adorei! E é como pretendo educar meu filho. Ele até agora não faz diferenças: gosta da babá magrinha, da faxineira negra, do moço deficiente da lojinha de roupas... E se depender de mim, continuará assim.
Beijos.

Carla Farinazzi disse...

Jussara,

Já copiei o seu link pra passar para uns amigos!
Muito boa dica de leitura e também sua reflexão. Assino embaixo do que você diz, com toda certeza.
Sou contra, totalmente contra, QUALQUER tipo de preconceito, qual seja. E é difícil, pois ele se insinua, silencioso, em muitos ambientes...

Beijo

Carla

Jurubeba disse...

Jussara,

Adorei a descrição do livro e já me interessei em ler.
Tão bom quanto a indicação, foi sua opinião sobre o assunto.
Seria tão bom se vivêssemos em harmonia com todos os credos, raças, sexos, e sem taxar, sem dia específico para comemorar a diferença. Que apenas tocássemos a vida como ela realmente é...

*** Cris *** disse...

OI,td bem? Muito boa essa indicação, comprarei esse livro para meus filhos. Bjs!

Anônimo disse...

Um dos livros que mais gostei de ler na minha infância, quando tinha uns sete ou oito anos. Ficou-me na memória e até hoje (uns 35 anos depois) tenho pena de ter perdido o meu exemplar.

Luís Q.