segunda-feira, 29 de novembro de 2010

AS CHAVES DO REINO, A. J. Cronin

As Chaves do Reino é um dos livros que mais me marcou, é daqueles que ao chegar no fim a gente está chorando baldes e usando lençol como lenço, pelo menos eu estava.  É a história do padre católico Francis Crisholm desde a infância até a velhice e o exercício de seu sacerdócio, em grande parte passada na China como missionário. Um sacerdócio onde impera a simples e pura Fé.  Ao longo do livro ele se sente frustrado, desanimado e com muitas dúvidas; se está realmente fazendo alguma coisa de bom ou produtivo, se está realmente evangelizando. Enquanto ele (como personagem) tem dúvidas nós, como leitores, só nos perguntamos quantos padres, ou pastores, ou rabinos, ou monges tibetanos enfim todos aqueles que se dedicam de corpo e alma a uma religião são iguais a ele, quantos realmente as igrejas os tem? Ele é um missionário da fé, mas passa a maior parte do tempo preocupado com o ser humano independente de qual fé ele professe. E essa generosidade, tolerância e compreensão do próximo faz que sua vida dentro da hierarquia católica seja mal vista e em alguns momentos até mesmo ridicularizada. O que nos cativa é seu respeito pelo humano de cada um independente de religião, casta, raça ou origem étnica, idade, condição física, social ou monetária, pois ele acredita que ao aliviar a dor, vestir, dar de comer e dignidade aos pobres e necessitados você está fazendo a obra de Deus e isso independe de sua condição ou religião.
O livro foi escrito em 1942, portanto bem antes da reforma católica de 1963, e já coloca em cheque toda a política da Igreja e o quão longe está o Vaticano de seus devotos, no caso do livro uma aldeia chinesa. Ao mesmo tempo exalta a bondade  e a simples Fé, a conciliação entre as diferentes crenças religiosas e nesse sentido é um livro ecumênico. É interessante perceber que o personagem tem uma percepção sempre de frustração, dúvida e fracasso, mas que nunca se distanciou de sua vocação sacerdotal, sua fé e seu credo e que em sua infinita bondade e humildade fez exatamente o que se espera de alguém que resolve dedicar sua vida aos outros dentro de um credo religioso.
Os que se interessarem em ler terão que procurar em sebos ou bibliotecas, não encontrei edições recentes e a minha é de umas três reformas ortográficas atrás. Existe um filme sobre esse livro com Gregory Peck e alguns podem ter assistido nas sessões da tarde da vida, mas o filme não tem nem a décima parte da emoção do livro. Esse não é um livro de religião ou sobre religião é um romance, bem escrito, tocante e que faz pensar, tudo que um livro deve ser.
“O Céu tem muitas entradas. Entrareis pela vossa. Eu tentarei entrar pela minha.” Padre Francis Crisholm

SOBRE O AUTOR
Archibald Joseph Cronin (1896-1981) – Médico e escritor escocês, muitos de seus romances falam dos dilemas da medicina. As Chaves do Reino foi publicado em 1942.

17 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Eu já assisti o filme \o/, mas sempre fico com vontade de ler o livro (raramente o filme consegue alcançar todas as nuances...)

Tem brincadeira lá no blog...adoraria ver suas respostas! Beijos

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Gostei muito da resenha do livro, um padre na China ainda nos tempos do Kuomitang e não-comunista!

Confesso que não vi o filme tb, então a história pra mim será totalmente novidade.

Adorei essa dica, já vou procurar o livro.

Boa semana pra vc!
bjs

Anne disse...

Ainn gosto de leituras assim, que emocionam... E é verdade, filmes nem chegam perto daquilo que livros transmitem, mesmo sendo em tese a mesma história.
Gostei da resenha, gostaria de poder ler esse livro...
Beijos!

Fernando disse...

Interessante dica. Eu aprecio muito esse tema.

Roberta M. disse...

Gostei muito da indicaçao Ju, vou procurar na internet, adoro ler, acabei ontem mesmo Pequena Abelha, que recomendo, tb precisa de lencinhos rss, beijocas

Guará Matos disse...

Mas agora você esta sorrindo, não é mesmo!
Sorriaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Bjs.

http://chinanaminhavida.zip.net disse...

Já sabe, né? falou da China já me interessou...hahahaha. mas na realidade amo histórias como essa. Bom, já vou avisando que em março vou pro Rio! Captou? hahaha
Vou pedir para minha mãe procurar para mim, mas se não achar, vou atrás de vc! :)
Beijo, Chris.

M. disse...

Não li. Vou ler.

depois volto...:)

Macá disse...

Olá Ju
Não li e acho que já gostei.
Em janeiro devo ir ao Rio passar uns dias (pode ser na sua casa? rsrsrsrsrs) Será que dá tempo de ler aí?
beijos

Ivan disse...

Parece fascinante! Pena ser difícil de encontrar... Abraço

Inaie disse...

aqui e que eu nao vou achar nuuunquinha...Bahrain peca pela pobreza literaria.

:-(

Guará Matos disse...

De volta pra dizer que o resultado do sorteio esta publicado.

Bjs.

Adelaide disse...

Já gostei desse livro e como boa "rata" de sebo vou incluir na minha lista de desejos.
Grande abraço

Luiz Neves de Castro disse...

Vagabundeando entre palavras e indicações de obras literárias capazes de mudar a nossa maneira de enxergar o mundo. Afetuoso abraço

juremabrasil disse...

É um livro lindo e terminei como você chorando baldes de lágrimas.
Inclusive cogitei a idéia de virar monja no oriente. E, penso que tínhamos incríveis heróis que não estavam nas HQ's mas nos livros.
jurema

Juliana Magalhães Fonseca disse...

Querida
tem um selo pra vc lá no blog. E estou curiosa pra ver como vc vai se sair dessa...rs
Adoro vc
Chega logo em Sampa?
beijos da Juju

Anônimo disse...

Foi um dos mais belos livros que já li. Costumo rele-lo uma vez por ano, talvez por desejo de nunca perder de vista o Padre Francis Chisholm, por querer me agarrar desesperadamente à idéia de que ele é real, de que existe alguém tão profundamente humano como ele. Cada vez que releio o livro, o faço como da primeira vez, saboreando cada palavra. Ao final, deixo que as lágrimas corram soltas, o que é inevitável. É maravilhoso, riquíssimo em detalhes, e aguça a sensibilidade humana. Recomendo também desse mesmo autor A Cidadela,provavelmente seu livro mais famoso nos meios literários. O Castelo do Homem sem Alma também conta uma bela história. Eu quisera ter todos os dias um romance novo de Cronin para ler...