quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Professora inesquecível

O CORONEL E O LOBISOMEM, José Cândido de Carvalho

Coronéis nordestinos, coronéis mineiros e capitães gaúchos desculpem-me a saliência mas devo-lhes apresentar um verdadeiro coronel fluminense de Campos de Goitacases, neto de Simeão, dois metros de altura, barba ruiva, fortão, voz grossa, invencioneiro, bondoso e apreciador de rabos-de-saia. Ponciano de Azeredo Furtado, coronel da Guarda Nacional, dono de pastos de muitas medidas, gado gordo e uma língua maior que a boca. Seu legado e suas memórias foram devidamente deixados no livro O Coronel e o Lobisomem.
Ponciano é um coronel e tanto, mas o livro é muito mais. Numa linguagem regional, ops... não! É português da melhor espécie, com todas aquelas palavras que nós conhecemos, usadas de forma totalmente inesperadas e deliciosas.Tudo que eu posso falar dele, já falei... de resto só indo às suas memórias.
Porque estou falado desse coronel, hoje até esquecido? Por que ele me foi apresentado pela melhor professora de português que eu já tive. D. Yolanda Yared foi o terror de uma geração inteira que passou em suas mãos em um colégio estadual da cidade de São Paulo e deixou lembranças em todos, não sei se foi em todos os seus alunos, mas certamente foram em mim, meus irmãos e alguns primos. Essa professora exigente e ousada adotou O Coronel e o Lobisomem como livro do semestre na antiga quarta série ginasial e nos guiou passo a passo por ele. Na minha casa, era tanta gente lendo o mesmo livro que tinha várias marcações com nomes. Somos seis filhos, mais pai e mãe quase todo mundo lendo e discutindo ou sendo de proibido de falar por que alguns dos presentes ainda não tinham chegado àquela passagem do livro!
Acredito que um professor tem que ser assim mesmo: inesquecível! D. Yolanda nos deixou um legado de ética, paixão pela profissão e nos tratou como alunos inteligentes, capazes de lerem um livro de 300 páginas escrito em uma linguagem totalmente inovadora e sem censura, mesmo quando o coronel ia para os nheco-nheco dos debaixos dos lençóis.
No dia cinco de outubro, eis que seus alunos saudosos descobrem que ela continua viva e muito da serelepe numa matéria do Estado de São Paulo. Fiquei emocionada e saudosa, pois a escola era realmente risonha e franca e professor era professor, não estava lá para agradar ninguém mas para ensinar. Hoje ela tem 87 anos e é esta na foto do jornal aí embaixo.


Irmãos e primos que poetizam, polemizam e escrevem acho que se ela soubesse se orgulharia.

Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre.Cecília Meireles

SOBRE O AUTOR

José Cândido Carvalho (1914-1989) – escritor e jornalista carioca, publicou O Coronel e o Lobisomem em 1964, 25 anos após seu romance anterior.

20 comentários:

LUFE disse...

Jussara,

Eu li este livro para algum trabalho de escola, mas te confesso ter passado de liso.
Não me lembro nada dele, nada mesmo.Vou rele-lo.
Logo eu que adoro regionalismos, não que este tenha, como você disse, mas me interessei pela forma que a historia é contada.

Adorei ver o selo da campanha no seu blog.
Te agradeço de coração.

bjo

Julio disse...

Puxa vida, fazia tempo que não me lembrava desse livro. Lembro que li e amei. Me lembro que na época Jorge Amado era o máximo da transgressão porque nos livros dele tinha uns palavrões e umas cenas de sexo, então achávamos o máximo "Capitães de Areia". Pra mim, na época achei José Candido de Carvalho me pareceu muuuuito melhor que Jorge. Quer saber? Ainda acho.
PS: Não te perdoo você ter postado sobre Mario Vargas Llosa e não ter escolhido "Tia Julia e o escrevinhador". Um primor na história e na forma. Fica me devendo. beijos. Julio

Pandora disse...

Tenho vontade de ler esse livro, mas ainda não li!!! Amei te ver falando de sua professora, todo professor em inicio de carreira quer isso para si, chegar a determinada idade e saber que marcou seus educandos, imprimiu neles uma marca positiva e é lembrado com saudades enquanto vive sua vida da melhor forma!!!

Cherinhos...

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu li esse livro há tantos anos atrás...livro excelente, nem preciso falar dele aqui.

E aprendi a gostar de ler justamente por ter uma professora com o mesmo espírito da professora que vc teve. Uma professora que tb soube dar para a gente a paixão pelo livros, pelas letras, pelo conhecimento.

Dá saudades...
vc deve ter ficado mto feliz ao ver que sua professora continua bem e saudável. A gente pega por elas um carinho familiar, não é?

bom dia!

juremabrasil disse...

Que saudade da Professora Yolanda!!! Ela é inesquecível. Ensinou muita coisa e este livro foi mesmo maravilhoso!
O livro trás uma ótima história, mas para nós alunos da D. Yolanda trás mais ainda, trás a nossa juventude.
Um beijo e obrigada pelas boas lembranças.

jurema

Cintia Branco disse...

Jussara,

Não li o livro, mas fiquei interessada, será que Ponciano bate o capitão Rodrigo? rs.
Beijos

Tathiana disse...

E foi um lindo post de homenagem ao dia do professor. Uma profissão tão importante deveria ser mais valorizada.
BJs.

Guará Matos disse...

Legal o reencontro, mesmo que visual. Que maravilha isso.

Bjs.

Guará Matos disse...

Ah, coneça o site criado por mim para promover informações sobre Artes e Cultura:
http://sites.google.com/site/blablablaseafins
Bjs de novo.

Claudia disse...

Oi Jussara
Muito interessante seu blog,leitura é sempre fascinate e envolvente
Obrigada pelo comentário em meu blog,esteja sempre a vontade para visitar,comentar...
Será sempre um inenarrável prazer
Abraço
claudiaaoextremo.blogspot.com

Elaine Canha disse...

Oi

Obrigada pelas visitas! Volte quando quiser!

Beijos

Anne disse...

Nossa, eu li esse livro no tempo de escola e nem lembro mais... Fiquei curiosa novamente... Sempre boas tuas dicas literárias, eu sou apaixonada por leitura!

Ahhh, obrigada pelo teu recadinho e vc tem razão, eu estou sempre esperando por Edu e Deus tá vendo isso...

Agora vamos torcer pra ele se recuperar direitinho, do jeito que tem que ser!!

Beijos e lindo fds pra vc!

VaneZa disse...

Nossa!!! Maravilha ter tido uma professora desse naipe... coisa cada vez mais rara hoje em dia. Você nunca a procurou, não? Ela iria gostar de saber que você lembra dela com tanto carinho assim. Palavra de professora.

Quanto ao livro...eu não o li... ainda... mas espero poder ler tudo que tenho vontade... tem muitas na fila. Mas vi o filme... pena que não é a mesma coisa.

BeijoZzz

Monica™ disse...

Sou muito relapsa quando o assunto é leitura ... Adorei seu blog, sem dúvida será uma referência.
Beijo e obrigada pela visita e pelo coment.

so sad disse...

confesso nunca ter lido o cronel e o lobisomem, assisti o filme só...
eu amo esta citação da cecilia...demais!
beijo!

Malu Machado disse...

Olá Jussara,

Prazer em te conhecer. Li o Coronel e o Lobisomem e vi algumas partes da minissérie da Globo. mas o que mais me marcou no seu texto foi D.Yolanda. Vc me fez lembrar das minhas donas Yolandas. Tinha uma que era diretora da escola que estudei e usava até apito. Outras não eram tão bravas, já sinalizando mudanças na educação, no entanto, não menos dedicadas.

Bom que sua Dona Yolanda anda sorridente por aí. E você, anda por aí exercitando o que de melhor pode aprender com ela: Cidadania em bom texto.

Fica o convite para conhecer o meu cantinho. Ficarei muito feliz com sua visita.

Bjs,

Libriana Voadora disse...

Ah, se todos os professores fossem assim, né? =] Achei belíssima a maneira como a frase da Cecília que escolheste casa com o texto! E sobre esse livro... ele virou filme, não virou? Amo literatura, mas infelizmente sou mais próxima da estrangeira. Por isso gosto muito do teu blog!! Ele fala de autores que ainda não li! (mas logo vou consertar isso, hehehe) Bjs

Fernando disse...

Fiquei interessado por esse livro. Prabéns, gostei do teu blogue.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Não li o livro e não deve estar à venda
em Portugal. Obrigada pela sua visita
e comentário.O Blogger muita vez não
deixa, isso está a acontecer-me com
muita frequência.
Bj./Irene

Daniel Brazil disse...

Mais um inesquecível, Ju! Grande e dupla lembrança, do livro e de dona Iolanda, também minha professora.
Beijo,