quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Podemos fazer

FELIZ 1958 – O ANO QUE NÃO DEVIA TERMINAR, Joaquim Ferreira dos Santos

Esse foi um dos anos gloriosos do Brasil, o otimismo imperava. Eu era uma menininha, muito pequenininha, portanto não o vivi, mas gosto de história da história. Esse é daqueles anos que ficaram na memória de quem viveu, como um dos melhores de suas vidas, a capital ainda era no Rio de Janeiro, o Brasil ganhou a Copa, a bossa-nova estava nascendo, a nova capital estava sendo construída, as vedetes existiam, a TV só tinha 10 anos, o cinema brasileiro era sucesso de público e tantas outras coisas aconteciam e estavam acontecendo, que só caberiam mesmo em um livro.
Sou da geração que quando estava se dando conta do mundo veio a gloriosa revolução de 64 e o golpe final em 68! Só o que restou foi lutar para voltar a ter um mínimo de liberdade, batalhar contra a censura, pelos banidos e exilados e etc. Minha geração não teve um ano inesquecível! Teve sim momentos inesquecíveis, ver a volta dos exilados, inclusive do irmão do Henfil, o fim da censura, o fim das mortes nos porões da repressão, Diretas Já, eleição e morte de Tancredo, ver mais de dois partidos políticos, poder votar para presidente! Engraçado que hoje essas árduas conquistas, pareçam tão banais a tanta gente que veio depois. Bem aqui não é lugar de aula de história ou de tristezas, voltemos a 1958.
Feliz 1958 é uma delícia de ler, é para viajar no tempo e recuperar os anos dourados. O otimismo imperava. Mané Garrincha, Adalgisa Colombo, Juscelino Kubitschek, Maria Ester Bueno, Nelson Rodrigues, Vinicius de Morais, João Gilberto e tantos outros são as manchetes da Manchete! A pesquisa do livro é muito bem feita e extensa, dá para saber até o preço do pãozinho. Segundo Nelson Rodrigues: “o brasileiro deixou de ser um vira-lata entre os homens e o Brasil um vira-latas entre as nações”.
Estou escrevendo sobre esse livro, por que depois de 1958 voltamos a ser vira-lata e muita gente lutou muito para voltarmos a ser uma nação orgulhosa e com um mínimo de direitos para todos. E não estou falando só dos ícones que todo mundo conhece, estou falando de todos os estudantes universitários que se formaram e pautaram sua carreira na ética e na decência, das donas de casa que lutaram no dia-a-dia com contra a inflação, das pessoas comuns que influenciavam suas comunidades para viverem melhor e sem medo. Sou uma otimista nata portanto espero que na próxima década não tenhamos somente um ano de felicidade, mas uma década inteira de felicidade e orgulho. Espero que minha neta um dia leia um livro que diga 2010/20 que década! Para que isso aconteça é preciso que cada um de nós lute por dignidade, combata as injustiças e os preconceitos, inclua quem está fora da sociedade produtiva, estimule e valorize os que estudam, proteja as nossas crianças e as outras, aplauda as vitórias legitimas e vaie as ilegítimas, que os bons tenham realmente Ficha Limpa e os Fichas Sujas sumam na poeira do tempo.
Nós podemos fazer acontecer, a marchinha de carnaval campeã em 1958 dizia: “com o brasileiro não há quem possa”, hoje sabemos que “somos brasileiros e não desistimos nunca”. Não sei em quem você vai votar, mas não deixe de ir!  Muita gente não desistiu para que você possa no domingo exercer sua cidadania.

“Aquele que se envergonha ainda não é incorrigível.” Marquês de Maricá

SOBRE O AUTOR

Joaquim Ferreira dos Santos (1951- ) -  escritor e jornalista carioca. Publicou "Feliz 1958! — O ano que não devia terminar" em 1997 pela editora Record.

23 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Gosto muito de história, das histórias de pessoas, gerações, países. Não li (ainda) mas gostei da proposta do livro e da sua apresentação. Bj (tô achando que ter conhecido seu blog vai me levar à falência financeira, afinal já tenho uma lista de compras)

Juliana Magalhães Fonseca disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Luma Rosa disse...

Me interessei muito pelo livro! Também não vivi na época, mas muito me interesso pela História.
Conhecendo a História, compreendemos o homem.
Essa frase do Nelson Rodrigues foi dita em função dos sentimentos que os brasileiros carregavam antes de vencerem a Copa do Mundo de 1958. Escrevi sobre isto, mas não citei Nelson Rodriguês, não por esquecimento, não houve espaço no post. Se quiser ler, segue o link - Viver a vida até o fim não é tarefa para crianças

A. Marcos disse...

Vc se vê como tudo tem dois lados nessa vida? Entre os perseguidos pela repressão estavam Lula, Dilma, Serra, José Dirceu e afins.
Mas uma verdade eclode: o Brasil já foi mais Brasileiro.
O Brasil já foi mais nacionalista e o brasileiro já teve seus dias de chauvinismo.
Hoje devemos recuperá-lo acreditando em nossos costumes, nossa música, nossa cultura, nosso padrão estético...amar-nos para sermos amados.

Guará Matos disse...

Estou aqui cumprindo o meu fiel compromisso de bom seguidor e feliz, hahahaha.

Eu sou do Rio e lembro que as pessoas se interessavam mais em saber, a Cultura fevilhava. Vivi o máximo da década de 1970, aí veio 80 e começou a piorar, entrou noventa e foi se perdendo cada vez mais a qualidade, 2000 virou um lixo. Crescimento das igrejas pentecostais, o Estado largando a população à propria sorte, a educação escolar deformada, apoio à determinadas subculturas, seja lá por ifluência de quem.
Vivemos na sobrevida do que sobrou de antes.
Abraços.

Carla Farinazzi disse...

Gostei muito da dica, com certeza já anotei para as próximas leituras.

Mas, sobretudo, gostei da forma como colocou a questão, sem partidarismo político. Excelente!

É sempre muito bom ler algo com esta lucidez, consciência e reflexão.

Obrigada, beijos

Carla

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu sou saudosista desse tempo que não vivi. Era um Brasil bem "classudo", com força pra crescer, mais culto, nascimento da bossa nova, bons escritos, melhor educação.

dai veio o tempo fechado... eu ainda peguei o final da ditadura, tempos tristes.

Esse é um livro que quero ler muito! adorei a indicação!
bom dia

Mariana Dias disse...

Se eu ficar lendo todos os seus posts, quando eu voltar pro Brasil nao vou fazer nada alem de leeeer e leeer! haha Essa epoca parece ter sido bem bacana mesmo! beijo

LUFE disse...

Oi Jussara,
Mais uma leitura obrigatoria.
Gosto muito dessa literatura, nessa epoca eu ja tinha um pouquinho de entendimento e me lembro de muita coisa. Nessa epoca já estavam montando a fabrica da Volks em São Bernardo que produziu os primeiros veiculos já em 59. Foi o inicio da industrialização do Brasil. Com esta industria automobilistica, Jucelino comeou a rasgar o Brasil de ponta a ponta com as novas estradas.
Era o final dos anos dourados, anos de inocencia e maior rigidez quanto as normas sociais e o inicio dos anos da grande revolução social dos jovens no mundo todo.
Foi quando o Rock começou a aparecer por aqui.
A rigidez da tradição familia e propriedade começava a ruir.Aqui em BH a TV só tinha 2 anos, ela foi implantada em 56 com a TV Itacolomi, dos Diarios Associados. Um novo Brasil começava a nascer com Jucelino. O Brasil entrava de vez na era moderna.O que veio depois é outra historia....E como tem historia!

bjos

LUFE disse...

Parece que a gente combinou as postagens...
È blogagem coletiva?...rsrs

bjo

Ronda disse...

Oi Jussara,
Interessante recomendação! Já houve um tempo onde havia mais nacionalismo. Hoje em dia, para algumas pessoas, exercer a cidadania virou um mera obrigação. Neste primeiro turno, em vários estados, uma abstenção de mais de 20%.
Abraços!!

Alysson-Syn disse...

Por ter nascido bem depois de todos esses acontecimentos (1987), admito que não consigo ver tamanho valor em coisas como o direito (obrigatório?) de votar e nem sou nacionalista ao ponto de bradar “com o brasileiro não há quem possa” ou “somos brasileiros e não desistimos nunca”.

Concordo que estivemos numa situação bem pior e que nunca recuperamos o brilho que tínhamos em 1958. Só acho que o pior do Brasil é o brasileiro, que empurra com a barriga os problemas e é adepto do "jeitinho" e da corrupção indiviual, em menor escala, o que inibe a coragem de lutar contra a corrupção em maior escala.

Espero sim que o Brasil melhore nas próximas décadas e tentarei fazer o possível pra fazer parte dessa melhora, inclusive votando. Mas lamentavelmente acredito que, pelo menos nesses 4 anos que vem, a nossa vida de brasileiro vai mudar muito pouco...

Abração Jussara!

Um blog por acaso disse...

depois vou conversar com o meu pai sobre este ano de 1958. Eu realmente não posso falar nada, pois nem sonhava em nascer ainda hahaha

Pandora disse...

Eu não sou muito fã de história contemporânea... sei lá... Me deprime, sempre me deprime as mentiras, as construções de verdades autoritárias... as desonestidades das ditaduras, das politicalhas... Mas, com essa postagem fiquei curiosa de saber um pouco mais sobre esse capitulo do século XX, o século que para mim ainda não acabou!!!

Ah, o que mais gosto em História é que sempre há algo novo a se descobrir especialmente quando a gente conversa com pessoas que também gostam de história!!!
Beijos, Jussara!!!

Cintia Branco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cintia Branco disse...

Jussara,

Filhote manda beijos, rs!
Acredita que caí no conto da Melancia, o tal do best seller que ficou não sei quanto tempo no top da lista do New York Times, mas sou uma anta mesmo, vi o livro, estava em promoção, li a sinopse, e como todo mundo falava maravilhas do livro e precisava de uma válvula de escape enquanto estava viajando e minhas leituras já haviam acabado, comprei o tal do livro. Que vontade de bater na protagonista e em mim por ter caido nesse engôdo!
Beijos

Jota Sena disse...

Olá Jussara!

Que legal, poder aqui relembrar aqueles tempos idos. Quando eu vi a foto das lambretas, percebi que muitas coisas boas eu ia encontrar nesta postage.E não me enganei... Não porque o que li, me fez recordar com muita saudade, dos bons momentos que nesta época eu vivi.

Abraços e até +

Jota.

Ivan disse...

Acabei de ver a notícia que a Dilma será a primeira presidenta do Brasil... Espero do fundo do meu coração que os próximos anos sejam realmente inesquecíveis, mas por coisas boas, lógico! Abraço

Drixz disse...

Toda vez que leio o blog minha lista pendente de leituras aumenta ainda mais. Adorei o post! Eu estava decepcionada com as candidaturas dessa eleição. Não posso dizer que a Dilma era minha candidata por convicção, mas votei no segundo turno porque sei que não podia deixar nas mãos de pessoas que já fizeram o que queriam em outros tempos. Acho hoje que a política exige bem mais participação do que estamos acostumados. Estou tentando fazer minha parte.

Abs!

Silenciosamente ouvindo... disse...

Amiga está contente com a vitória da Dilma.
Deus queira que vá continuando contente.
Por ser mulher, hum...e se tiver uma
surpresa negativa?!!! Esteja atenta.
Bj./Irene

Lúcia Soares disse...

Oi!
Já li por aqui seu nome, Jussara. Gostei do seu comentário no meu blog.
Vou na fé de que a maioria dos brasileiros fêz a escolha certa para presidente.
Espero me penitenciar, dar "minha cara a tapa" e "cair de amores" poe ela. (Ainda não consigo falar seu nome, mas vou conseguir!)
Adoro ler e vou voltar sempre para saber de suas indicações.
Abraços!

Le disse...

Que bom encontrar o seu blog. Sempre quero sugesyoes de livros. Beijos

Fábio Brazil disse...

Ju, esse livro, como tantos outros que suas postagens denunciam,não li. Mas você e ele me remeteram ao "1985 - O Ano em Que o Brasil Recomeçou" de Edmundo Barreiros e Pedro Só - um manualzão bem bacana e bem humorado sobre aquele ano. Juntando os dois, fica um salto sobre o nosso período mais negro, de Juscelino salta para Tancredo. Podia ter sido assim, né?
Beijo gramde, Fábio.