segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Na Marquês de Sapucai

IMPÉRIO À DERIVA, Patrick Wilcken



De uns anos para cá me apaixonei pela história do Brasil, não aquela história oficial que nós estudamos no colégio, mas a nossa historia  com outras abordagens. O período que eu mais gosto é o reinado, afinal nem é um tempo tão grande assim, somente 80 anos. O Império à Deriva, conta a saída de Portugal de D. João VI, a viagem e a chegada no Rio. É uma delícia de ler, quer coisa mais surreal que um rei se mandar da metrópole - diga-se Europa – para um fim do mundo, nós éramos literalmente o fim do mundo, com 10 mil pessoas, em navios caindo aos pedaços, sem conforto, numa viagem de dois meses. Nem carnavalesco é capaz de criar um enredo mais enlouquecido, se não fosse verdade ninguém acreditaria!
Foi 1808 que nascemos como nação, até então éramos um bando de gente falando uma língua que ficava entre o português de beira de cais e tupi-guarani de ouvido, o que acontecia cá, lá nem sequer sabia direito. Uma carta levava meses senão anos para ser respondida, éramos o pior porto das Américas,  nem pirata queria saber, o Caribe era mais atraente com seus galeões espanhóis. E de repente, eis que chega a própria Corte ao trapiche, não tínhamos um porto propriamente dito. O Rei não tem onde ficar, a cidade praticamente não existe, e a nobreza com seus cristais e pratarias – sim eles saquearam Lisboa – não tem onde usar tudo aquilo!
Essa nação  vai se constituindo a trancos e barrancos, o rei deixa seu próprio filho para fazer a Independência, tipo vendo mas não entrego. O rei da independência vira imperador e acaba por abandonar um menor de cinco anos para ser o futuro imperador e  volta para casa – Portugal. Como todo mundo sabe o enredo surreal continua e só estamos só no começo do desfile!
Eu não sou historiadora nem nada, mas acho o máximo essa viagem enlouquecida, quando tudo tiver ruim ache uma saída maluca e ponha em prática. Os personagens são ótimos, uma Rainha Louca, um Rei Bufão, uma Rainha Megera e filhos que só não foram delinquentes juvenis por que eram príncipes.O livro ainda tem um sabor a mais, o escritor é australiano e tem um olhar totalmente novo, pois vem de um país que está no novíssimo continente, nunca foi colonizador e está muito longe da história português-brasileira.
Império à Deriva é um dos livros que faz a gente compreender melhor esse período e me faz pensar se não continuamos um pouco à deriva, de qualquer modo ainda estamos no meio do desfile. Se o samba não atravessar, os carros alegóricos não quebrarem, a bateria fizer o seu melhor, as alas (nós o povo) mostrarem alegria, samba no pé  e evolução tenho certeza que seremos campeões.
"Ninguém mente tanto nem mais do que a história." Marquês de Maricá 

SOBRE O AUTOR

Patrick Wilcken -  antropologo e jornalista australiano atualmente  radicado em Londres.  Publicou Império  à Deriva em 2005.    

20 comentários:

Juliana Magalhães Fonseca disse...

Adorei o post. Não raro escuto a bobagem "ter feito faculdade de história não serviu pra nada né Juliana?"
Oi? Né? rs
A história é fundamental para se entender e atuar com mais inteligência no presente caótico que está ai!
Beijos da Juju

Rogério Pereira disse...

Minha querida amiga,

Parece um livro catita. Tem rigor histórico? Talvez não. Esse é um periodo interessante para os nossos países com a sigularidade da capital do reino de Portugal ter sido estabelecida na capital do Estado do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro, registrando-se o que alguns historiadores denominam de "inversão metropolitana", ou seja, da antiga colónia passou a ser exercida a governação do império ultramarino português. A parte mais relevante para Portugal é o facto de, se a saída de toda a corte não tivesse ocorrido teriamos perdido a nossa soberania...

Beijo

Pandora disse...

Bem, eu sou muito carente de certezasss... para completar não sou bem o que poderiamos chamar de fã de carnaval \o/ Mas, sou louca por história... e atualmente ando navegando muito pelos mares do Império do Brasil, o inicio de nossa história como NAÇÃO, grande parte do que pensamos sobre nós mesmos enquanto nação foi contruido nessa época, uma nação não nasce do nada néh... Enfim... estou me apaixonando por esse periodo e amei sua dica...

E sim, como a Juliana ponderou: "A história é fundamental para se entender e atuar com mais inteligência no presente caótico que está ai!"[2]
___

P.S.: Realmente preciso de um dia de sol!!!

VaneZa disse...

Adoro suas críticas... não tem como não ter vontade de ler com você falando assim. Agora tu já vistes um que o título é só 1808? Tu sabes alguma coisa dele... se é bom ou não? Eu li um resumo e pareceu que era... tipo... uma história falsa montada em cima de uma verdadeira. Entende?

BeijoZzz

Drixz disse...

Tbm adorei o post. Fiquei com uma curiosidade horrível pra ler o livro. Digo horrível pq estou escrevendo minha dissertação de mestrado. Isso foi auxiliado pela ótima apresentação que vc fez do texto. Acho que nós precisamos nos conhecer melhor como brasileiros. Tanto no sentido oficial como extra-oficial.

Bjs!

Guará Matos disse...

A História do Brasil é muito legal de se ler, apesar das contradições. Mas nas dos outos paises, também têm um "q" de "conto da carochinha". Mas é de extrema importância sabermos mais sobre nosso país.

Bjs.

Mariana Dias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mariana Dias disse...

Hum, o livro parece ser interessante... me sinto mal por saber pouco sobre história do Brasil, então obrigada pela dica!
Você já leu o 1808? É realmente ótimo, e muito bem pesquisado. O jornalista pesquisou muita coisa e mostra de uma forma bem clara e gostosa de ler como foi essa mudança da corte pro Brasil. Ele até começa o livro com uma citação interessante do Napoleão, que teria escrito nas suas memórias que o único rei que conseguiu enganá-lo foi D. João VI. Apesar do autor dizer que o rei era um bunda-mole, ele discorda da ideia de que ele era um gordo comilão. haha Você deveria ler, com certeza ia amar!

LUFE disse...

Excelente dica, vou correndo comprar.
Como a Mariana, li o 1808.
Uma visão muito interessante sobre a vinda da Corte para o Brasil.
Este que você fala, tem essa caracteristica da visão de fora, sem nenhum envolvimento emocional ou preconceituoso.
Como antropologo, ele deve ter pesquisado bastante a documentação existente, para basear o seu trabalho.
O que eu acho de mais importante nessas obras é a constatação do fato de sermos uma nação de 200 anos.
O Brasil nasceu literalmente com a vinda de D. joão VI e todas as suas consequencias.
Devemos a Napoleão o nosso nascimento...rs
Temos muito o que aprender como povo e país.

bjo

Mariana Dias disse...

Humm...mas me conta, mesmo com abordagens diferentes, qual vc gostou mais? hehe
Vc já escreveu alguma coisa sobre o Erico Verissimo? Adoro ele e gostaria de ver sua visão sobre os livros dele...bjos!

Um blog por acaso disse...

Excelente post. Eu tbem sou apaixonado por história. Obrigado pela dica do livro. E vou te indicar um que eu li recentemente. "1808" do Laurentino Gomes. Livro excelente, texto maravilhoso e um tanto quanto detalhista. Fala muito bem dessa época. Abraço. João

Lisandra Lavigne disse...

Palavras vagabundas - Vagabundas palavras, adorei o titulo o/ e estou seguindo - enquanto ao post a história rela e não contada é sempre fascinante.

Beijão

@lisandralavigne

Cintia Branco disse...

Jussara,

Vou te confessar uma coisa, tenho um certo preconceito com esse tipo de obra, não que eu seja uma historiador positivista, NUNCA, mas não gosto de história do cotidiano, mas é uma questão bem minha, meu marido diz que não posso ser uma marxista pura, que tenho que adentrar em outras linhas, mas não consigo, rs.
Quer dizer que você costura, que legal! Para mim, a costura é uma terapia.

Beijos

Macá disse...

Ju
Não conheço esse livro mas já li outros sobre a história do Brasil, e são muito gostosos mesmo de ler. Descobrir o nosso país de uma maneira diferente da que é ensinada na escola.
beijos e
saudades

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu tb sou fã de livros assim. Pq não gosto da historinha oficial, toda bonitinha e certinha.

Não digo que esses livros são "verdadeiros", no sentido de que poderíamos confiar que era tudo assim mesmo (bom, como averiguar o passado?). Mas que é uma leitura gostosa, é!

quero ler!
bom dia!

Fernando disse...

Obrigado pela dica de livro e também obrigado por visitar o meu blog.

Jota Sena disse...

Olá Jussara boa noite!

Gostei do texto que aqui nos apresentasse... É muito bom saber que existe escritores lá de fora mostrando interece por coisas nossas.

Um abraço e até +

Jota.

Anônimo disse...

1808.

Um excelente livro.

Gosto muito quando jornalistas, e não historiadores cientificos, desvendam a nossa historia.

"As Barbas do Imperador" é um ótimo livro sobre o segundo império.

Presente da Dona Neta.

Beijos.

Christine disse...

Oi Jussara,
Eu já li 1808 e achei bem interessante a abordagem. O que ele realta da família real parece não ser muito diferente do que vc colocou no post. Com certeza quando for ao Brasil, vou colocar esse na minha lista de compras. :)
Beijo

Anônimo disse...

Já sei qual será o próximo livro que irei comprar...
Identificação não tão anônima, Fatima Valéria