quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Charneca



CHARNECA EM FLOR, Florbela Espanca

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

Charneca, que palavra poderosa! Não sabia exatamente o que é, aprendi com o Rogério de Conversas Avinagradas. A gentileza veio acompanhada dessa maravilhosa poeia.

SOBRE O AUTOR
Florbela Espanca ( 1884-1930)-  batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, poetisa portuguesa. A sua vida de trinta e seis anos foi inquieta e cheia de sofrimentos íntimos.

10 comentários:

Daniel Brazil disse...

Poesia é sempre bem vinda!
Mas você não vai deixar de homenagear o novo Nobel, certo? Gostaria de saber sobre o teu livro favorito do Vargas Llosa!

Beijo,

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Que bonito!
adoro os poemas de Florbela Espanca e Charneca é um dos meus preferidos.

Muito obrigado por postar e compartilhar.
bom dia!

Cintia Branco disse...

Jussara,

Vi como é difícil, os moleques (pai e filho) são terríveis, rs.
Muito lindo o poema, não conhecia.
Beijos

Rosana Tibúrcio disse...

Gosto muito de Florbela. Não sabia nome todo dela. Curioso.
Beijocas Jussara.

Rogério Pereira disse...

Jussara

Digo-lhe Florbela, como eu a vejo

uma poetisa do alentejo
Levada pelo vento suão
Antes de o trigo amadurecer
e se transformar em pão

Macá disse...

Ju
Conheço algumas coisas da Florbela, e essa que você ganhou é muito linda.
Aqui em SP, no metrô Ana Rosa, existem várias poesias escritas nas paredes, inclusive uma dela. É muito gostoso parar lá e ler.
um beijo

LUFE disse...

Jussara,

Eu acho que a charneca portuguesa é diferente da nossa. Não vi o que o Rogerio lhe enviou, pois lá, se não me engano é um terreno pedregoso onde nascem as plantas que a caracterizam. Aqui no Brasil, charneca é brejo, já escutei a expressão pelo interior de Minas.

Gosto muito desta ultima estrofe do poema da Florbela.

bjo

Ps. Não te avisei do selo pra lhe fazer uma surpresa...rs

Silenciosamente ouvindo... disse...

Florbela Espanca à minha beira tenho um livro
dela. As pessoas sensíveis que morrem tão cedo...mas permanecem vivas, graças à sua
poesia.
Beijinho/Irene

Beth Blue disse...

Gosto muito da Florbela Espanca. E agora fiquei triste porque tive de deixar dois livros dela no Brasil quando fui embora.

Isso já faz muito tempo (1993) mas agora me lembrei. Na época tive de selecionar meus livros e acabei trazendo só meus dois autores favoritos: Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu.

Por outro lado, minha biblioteca aqui do outro lado do planeta cresce a cada dia...Ler é meu vício!

Edlena Franklin disse...

Também não conhecia seu nome completo, veja só. O curso de Letras em meu tempo não explorou tanto a poesia portuguesa, além de Camões e Pessoa. Mas amei os Contos da Montanha, de Miguel Torga, maravilhosos.
Saudades dessas leituras...