terça-feira, 5 de outubro de 2010

22B Baker Street

O CÃO DOS BASKERVILLES, Sir Arthur Conan Doyle

O primeiro Sherlock Holmes ninguém esquece. Sherlock Holmes me cativou por que ele é insuportávelmente vaidoso, presunsoço e arrogante. O Cão dos Bakervilles reune uma série de elementos que fazem um bom mistério, principalmente quando ele é inglês:  uma morte inexplicável que evolui para assassinato, uma mansão senhorial  enorme e misteriosa, cheia de retratos de antepassados com pelo menos 500 anos, ao lado de uma charneca (amo essa palavra, só na Inglaterra tem charneca!) com muita cerração e personagens bem ingleses, sires que não fazem nada, só administram a fortuna com auxiliares,  mordomo e criados pessoais, um naturalista, um médico, um caçador de borboleta, uma donzela vitoriana e nesse caso um cão misterioso. Ah! Ia esquecendo, é importante,  as linhas de sucessão inglesa  que apesar de ávida leitora de autores ingleses, eu simplesmente não consigo entender. Elementar, meu caro leitor,  Sherlock Holmes resolve tudo com suas brilhantes deduções ajudado por pitadas de cocaína. Ele ainda fuma, toca violino, luta boxe, esgrima, outras artes marciais e uma luta estranha de bengala. Fora seus interesses por quimica e física. Só para lembrar a cocaína era comprada em fármacia e inteiramente legal só se tornou uma substância proibida  em 1930.
É um mundo tão distante de nós, com sua nobreza, seu senso de honra  e o zé-povinho esta lá tão somente para servir, pouquissímos falam nesse livro ou em qualquer outro,  que parece um conto de fadas. Tudo bem! Os livros de Sherlock Holmes foram escritos em plena era vitoriana, “onde o sol nunca se punha no império inglês”. Essa espécie de conto de fadas nos envolve como a cerração da charneca, nos diverte, nos transportam para outra era e a gente ainda fica tentando descobrir o assassino, ou seja, tudo que um bom livro precisa numa tarde preguiçosa.
Todo bom detetive tem um amigo para poder explicar como ele achou o assassino, o amigo é sempre um  bom ouvinte e nós vamos atrás como bons leitores; não tinhamos entendido nada  mesmo antes  da explicação.  O amigo  de Sherlock Holmes é o Dr. Watson, um médido que serviu na Índia, e hoje (1902) não faz nada mais além de frequentar os clubes masculinos para ler o Times e ajudar Sherlock para espantar o tédio. Para desilusão dos fãs em nenhum livro existe a frase : "Elementar, meu caro Watson", ela foi criada no teatro bem depois dos livros terem sido escritos.
A medida de sucesso é feito pelo quanto de um livro fica no imaginário, nesse caso  do personagem. Tenho certeza que muita gente sabe quem é Sherlock Holmes e Dr. Watson mas nunca leu um livro deles. Aliás sherlock hoje é quase um substantivo para designar quando alguém faz uma boa dedução.
Quando eu preciso me distrair ou descansar a cabeça não há nada melhor que Sherlock Holmes.
“Dupla delícia: o livro traz a vantagem da gente estar só e ao mesmo tempo acompanhado” Mario Quintana

SOBRE O AUTOR
Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) – médico e romancista inglês, apesar de várias tentativas nunca conseguiu ser médico, pois os livros tomavam todo seu tempo. O livro O cão dos Baskervilles foi publicado em 1902, a história originalmente foi escrita em capítulos para uma revista semanal.


9 comentários:

LUFE disse...

Jussara,

Sou igualzinho a sua descrição, leio bulas e até obtuarios, se tem letras eu leio....rs
Tenho uma coleção fantastica, em 7 volumes, da editora Jorge Zahar da Edição definitiva sobre Sherlock, comentada e ilustrada.
Foram publicados somente os tres primeiros os outros 4 ainda por sair.
Os tres primeiros são As aventuras de SH, o segundo As memorias de SH e o terceiro A volta de SH. Ainda por sair O Ultimo adeus de SH, O livro dos casos de SH e o sexto e setimo são Os romances de SH.
São maravilhosos, vale a pena ler e ter.
Adorei o seu post, como lazer gosto muito do Sherlock e dos livros da Agatha Christie, que tambem tenho todos.Os misterios ingleses são inigualaveis.

bjo

Rogério Pereira disse...

Olá Jussara,

Saboroso texto. Se eu tivesse tempo para descansar a cabeça, também escolheria um livro de Sherlock Holmes. Só que, entregue à tarefa de salvar o Mundo, não tenho qq intervalo para essas leituras. Tenho um pequeno reparo: Quando diz "...amo essa palavra, só na Inglaterra tem charneca!", não é verdade. "Da minha janela" vejo o Rio Tejo. Na margem esquerda quase vejo a Charneca da Caparica, linda como Inglaterra não tem...

Bom, agora tenho que ir salvar o mundo...

Beijão

Silvana - Interior Adentro disse...

Oi Juuuu!

Desculpe-me a demora em vir aqui visitar essa delícia de blog! Amooo livros e até tento falar deles em meu blog, mas percebi, em mais de um ano, que a galera não gosta muito...rs

Assim como política, vez ou outra me arrisco.

Semana passada ganhei alguns livros antigos da minha tia e, espero que em breve, consiga comentar sobre. São: Zorba o Grego, Terra Niva, Boquinhas pintadas, O Leopardo e mais doisque me esqueci...wow....rs

Na minha cabeceira SEMPRE tem livro. Simplemente não consigo ficar sem ler um livro, é meio vício. Compro até dos catálogos da Avon, acredita?....rs

Eu li o Cão dos B faz muito tempo - e amei. Como tudo do Arthur Conan Doyel, é de uma curiosidade e supsense de nos deixar em arrepiados e com vontade de terminar logo a leitura pra saber como é o fim.

Este escritor, juntamente com Agatha Cristhie, são dos meus favoritos na área de suspense.

Bom, eu escrevo demais, pena que demorei a aparecer né?....rs

Obrigada pelos adoráveis comentários em meu blog.

Beijooooo

Cintia Branco disse...

Jussara,

Nunca li Sherlock, acho que está na hora, principalmente depois de ler seu post, mas, infelizmente, terá que aguardar, o tempo está curto por aqui.

Beijos

Diva L. disse...

Oi, Jussara!
Estou passando para agradecer a visita ao Salto15 e, em tempo, colocá-lo à disposição.

Aliás, não estou só passando, mas ficando...rs
Adorei os teus posts e, em especial, o da Pollyanna me transportou no tempo.

Bjo grande e abraço na alma.
//salto15vermelho.blogspot.com

Borboletas nos Olhos disse...

Minha cara Jussara, seu blog já está no meu Reader e agradeço a essa época turbulenta tê-lo conhecido mas lamento este mesmo tempo não me permitir desvendá-lo como queria (e farei com certeza). Por enquanto meu grato beijo pelas suas palavras,

Rogério Pereira disse...

Jussara
Mandei-lhe um mail com fotos da Charneca e poemas de um livro "Charneca em Flor", para que conheça duas coisas bonitas do meu país...

Beijos

Tata disse...

Li este livro há quase 25 anos. Não lembro do enredo, mas lembro muito bem o quanto tinha gostado. Me deu vontade de lê-lo novamente.
:)

Pentacúspide disse...

Este é o único livro de Conan Doyle que me lembro de ter lido, e, vergonhoso, em adaptação para a banda desenhada. Acho que tentei ler mais outros dele, ou mesmo de tê-los lido, em várias versões, mas não me lembro deles.