domingo, 26 de setembro de 2010

Jogo do Contente


POLLYANNA,  Eleanor H. Porter



O livro menina-moça que todo mundo leu, menos eu!
Um – lá pelos 12/13 anos eu estava mais interessada em outro tipo de livro.
Dois – não gosto de livro menina-moça, piegas e cheinho de boa intenção.
Só fui ler lá pelos 25 anos e já mãe, tenho certeza que não comprei, sei lá como veio parar na minha mão. Não gostei, piegas, chorão e cheinho de clichês. Bem... acredito que os clichês foram inventados nesse livro, antes não era clichê. Pollyanna é uma pobre órfã que vai viver com uma tia que é pior, mas muito pior, que a madrasta má da Cinderela e ainda fica aleijada... quer mais? Essa mocinha ainda por cima vive contente, ela não é o tipo que faz de um limão uma limonada, não!  Do limão ela faz uma torta inteira com creme por cima. É o famoso “Jogo do Contente”, é um exagero de otimismo que quase dá diabete e particularmente acredito que se você viver só vendo o lado bom da situação nunca vai sair do lugar, é um jogo do passivo com a vida, de vez em quando uma revolta é bom. O jogo consiste em se tá ruim, encontre algo bom e se apegue a ele.Com o passar dos anos fui aprendendo que às vezes fazer o jogo é uma estratégia de sobrevivência. É o Jogo do Contente que nos garante menos dor de cabeça com a família, trabalho, amigos, vizinhos e etc.
Você levanta de manhã, descobre que seu carro quebrou e o ponto de ônibus (que passa lotado) está a quatro quarteirões, essa é a hora do jogo, pense: “podia estar chovendo”, “andar vai me fazer bem”, “vou poder apreciar a paisagem, afinal vou de motorista (do ônibus)”. Juro para vocês, vão chegar menos mal-humorados no trabalho e passar um dia melhor. Afinal ninguém tem culpa que sua lata-velha quebrou!
Hoje eu acredito que li na hora certa, se tivesse lido aos 12 anos teria chorado baldes e esquecido qualquer lição proveitosa do livro. Como li mais velha e depois disso passei por milhares de roubadas na minha vida profissional, fui aprendendo que depois de gritar e espernear o melhor era me agarrar em algo de bom em volta, pelo menos garantia menos azia e um melhor relacionamento com os companheiros da roubada. Por isso lembrem-se: usar o “Jogo do Contente” em doses homeopáticas, garante uma vida melhor!
Livros não mudam o mundo.Quem muda o mundo são as pessoas. Livros só mudam as pessoas. (Mario Quintana)

SOBRE O AUTOR
Eleanor H. Porter (1868-1920) - romancista americana, começou escrevendo histórias curtas publicadas em revistas populares. Publicou Pollyanna em 1913, com enorme sucesso.

10 comentários:

Silenciosamente ouvindo... disse...

É um prazer estar no no seu blogue e me registei.
Obrigada pela sua visita ao meu.
Gosto de "palavras vagabundas".
Um beijinho/Irene

Macá disse...

Jussara
Eu também li esse livro em torno dos 20 e poucos anos e também achei um verdadeiro melado. Como você bem analisou, podemos usar esse jogo a nosso favor, mas não agir sempre como sendo a Pollyanna.
um beijo

Cintia Branco disse...

Amiga,

Li esse livro e os outros da série quando tinha 29 anos e estava grávida, como tinha que ficar de repouso, não tinha livro que chegasse. Lembro que quando li fiquei revoltadíssima com tanto conformismo, mas hoje concordo com você, é estratégico e garante a sobrevivência em algumas situações.
Beijos e estou te seguindo.

Tathiana disse...

Eu li há muito muito, muito tempo atrás. Devia ter uns 13 anos. Mas tb acho que é bom em doses homeopáticas. Em altas doses gera acomodação.
Bjs.

LUFE disse...

Eu tambem li Pollyanna....rs
Ainda hoje, quando vejo uma moça ingênua, meio bobinha, muito credula, digo que ela tem alma de Pollyana.
Mas o pensamento positivo e o olhar com bons olhos sempre nos farão bem.
Contextualizando, em 1913, esse conformismo da mensagem fazia parte da educação das moças, educadas para o lar e obediencia e serviço ao marido.
As mulheres com sua luta, mudaram isso.
Ainda bem.
bjo

Atitude: substantivo feminino. disse...

Eu li na mocidade, digamos assim..rsrsr
O jogo do contente nunca me convenceu e eu ficava triste quando a personagem utilizava deste artifício.
Mas de fato o livreto arranca algumas emoções.
É bonitinho!

Obrigada por me fazer recordar!
Bjs!!!
(tinha o Pollyana moça tbm)

Pixel Digital disse...

JUJU...uma coisa que aprendi nessa "Fogueira das Vaidades"em que vivemos 12 horas por dia é que o que está ruim pode ficar ainda pior!
Então procurar uma coisa boa de vez em quando não faz mal a ninguém....
Geraldo Santos (não consegui mudar o nome Pixel do meu perfil-o computador se revoltou!!!)

Elaine Gaspareto disse...

Sabe, eu amo esse livro.
E ele me ensinou a ver as coisas sempre pelo melhor lado. O lado ruim tá lá, mas eu é que não vou dar ibope pra ele rsrs
Agora dei um exemplar pra minha sobrinha de 11 anos. Ela gostou não...
Acho que você tem razão: livro de menina que deve ser lido por mulher...

Beijossss

Renata C., UMA ESPOSA EXPATRIADA disse...

Ju! Legal, ne? saber que a gente tem sintonia com um montao de coisas e pensamentos... kkkkk! Nem li o Livro! Arg! Mas minha irma leu... acho que nao fez muito bem a ela... que era menina e deve ter entendido tudo "torto"... ne? Tem mesmo que ser lido com mais idade... kkkk! Como "O Pequeno Principe" que nao e' pra criancinha, nao... ou e'? Ja' escreveu aqui sobre ele? Bjs!

Nana disse...

Oi Jussara,

Eu não podia deixar de comentar essa postagem. Li quando menina e sim, chorei horrores.
Mas só agora na vida adulta resolvi adotar o jogo do contente, no momento em que parecia tudo errado e negativo em minha vida, passei a olhar do modo "poliana" e vi que não, nem tudo estava perdido. Criei um blog para registrar essa incrível descoberta...
Bem sacado por você a quantidade a ser administrada: em doses homeopáticas!

abçs