sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Vamos à praia?

Comédias da vida privada, Luís Fernando Verissimo



Dia de ir à praia, afinal já está um calorão, fora os inevitáveis protetor solar, guarda-sol, chapéu e cadeira por que não um livro? A minha dica é Comédias da vida privada, um delicioso livro de crônicas. Lê a primeira crônica, toma um banho de mar, lê a segunda e toma uma cerveja, lê a terceira e pede um petisco e assim vai.  Assim o dia fica mais divertido.
Cada crônica é um recorte bem humorado da nossa vida privada, as situações são em geral ridículas, mas quem nunca?  Seus personagens são nossa família, vizinhos, amigos e desconhecidos que encontramos todos os dias, são pessoas comuns com um cotidiano comum, enfim a grande maioria dos habitantes do país. Vamos passeando nesse cotidiano pelas 101 crônicas, desde um encontro na lixeira do prédio, as férias da família, um encontro de um ex-casal no supermercado, a gostosa do bairro, um flerte na ante sala do dentista, um flagrante na praia e conversas em mesas de bar.
Usando de humor e ironia o autor nos leva a descobrir o quanto já passamos por situações parecidas, afinal todos nós já passamos por situações ridículas, mesmo que na hora não tenhamos achado e hilárias, daquelas que se tornam lendas familiares.  Luís Fernando transforma em sorrisos, risos e gargalhadas as pequenas vergonhas, as paixões grandiosas, mas sem futuro, as brigas em família, as infidelidades, os acasos e os casos que sempre estão presentes em qualquer mínima convivência humana.
Comédias da vida privada é um clássico do humor nacional, foi publicada originalmente em 1994 e já teve inúmeras reedições além de uma edição revista e atualizada pelo autor. Já foi série de TV, consolidando Luís Fernando Verissimo como cronista sagaz do cotidiano brasileiro. Dá para ler na praia no verão, embaixo do coberto no inverno, no parque na primavera e enrolado numa poltrona no outono.

“Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse a você.” Barão de Itararé

SOBRE O AUTOR


Luís Fernando Verissimo (1936 - )  é um escritor gaúcho, humorista, cartunista, tradutor, roteirista de televisão e cronista. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos. Comédias da vida privada é publicado pela Editora L&PM.

*Esta postagem faz parte do desafio proposto pela Borboletas nos Olhos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A viagem do livro

As memórias do livro, Geraldine Brooks



As memórias do livro conta a história do Hagadá de Sarajevo, este manuscrito medieval realmente existe e, ao contrário de outros manuscrito judaicos, tem iluminuras contrariando os cânones religiosos da época.  Se tornando uma obra-prima muito, mas muito valiosa. O Hagadá de Sarajevo é um livro sagrado dos judeus, e conta a história da fuga do Egito liderada por Moisés, é utilizado nas celebrações da Páscoa. Feito na Espanha antes da expulsão de todos os judeus em 1492, acredita-se que por volta de 1350. Sobreviveu a inquisição, intempéries, muitas guerras e um incêndio até ir parar na biblioteca de Sarajevo no final do século 19, procurado pelo exército nazista na Segunda Guerra Mundial, permaneceu escondido por uma família muçulmana. Durante a guerra da Bósnia (1992-95), sobreviveu ao grande incêndio da biblioteca e foi salvo por um bibliotecário.
A autora pega a história real do livro e desenvolve as memórias do livro, por todas as mãos que passou, por todas as atribulações e esconderijos. Sua personagem principal é uma restauradora de livros que se esforça para provar que é real o que ela está vendo, numa cidade praticamente destruída (Sarajevo – 1996).  Através de pistas encontradas no próprio livro vai montado a história do livro, as manchas de vinho são reais, provando que foi muito usado e por muitas famílias. E vai introduzindo as histórias de muitos de seus possuidores, todos eles fictícios, e o porquê que cada um achou que valia a pena correr riscos para preservar esse livro. Portanto As Memórias do livro se torna, em alguns momentos, um livro de contos, no qual várias pequenas histórias ajudam a elucidar a trama principal.
Além de uma leitura agradável, dos mistérios e, como em um bom romance os conflitos internos da protagonista está a história real de um livro salvo pela tolerância religiosa, pelo respeito ao próximo e à sua história. Por duas vezes – na Segunda Grande Guerra e na Guerra da Bósnia – foram bibliotecários muçulmanos os responsáveis pela proteção e guarda da Hagadá.
O livro que faz a gente viajar, nos leva no tempo e passeia em várias cidades e bibliotecas, não pode ser melhor!


“No lugar onde se queimam livros, no fim se queimam homens.” Heinrich Heine

SOBRE A AUTORA


Geraldine Brooks (1955 - ) -  jornalista australiana, hoje vivendo nos EUA. Como jornalista, cobriu conflitos e crises na África, nos Bálcãs e no Oriente Médio. Em 2005 ganhou o Prêmio Pulitzer de Ficção. As memórias do livro foi escrito em 2008 e editado no Brasil pela Ediouro.

sábado, 10 de outubro de 2015

Um novo olhar sobre a vida

Em tempo de reciclar, reciclemos. Publiquei a resenha desse livro em julho de 2011, então às vésperas de completar 60 anos, ele mudou a minha maneira de ver a vida. Hoje mais próxima dos 61 só melhoro, rs
Para a Luciana.



Um toque na estrela, Benoîte Groult




Há umas duas semanas fui ao centro do Rio, como moro longe (mais ou menos a 40 km) e estava sem compromisso com hora marcada, aproveitei o passeio. Vendo vitrine, olhando a moda, as pessoas (todas apressadas), enfim, aproveitando o dia, cheguei ao paraíso: um enorme sebo. Aquele cheirinho de livro, prateleiras e mais prateleiras, com direito a ler algumas páginas bem sossegada, resultado: uma sacola de livros.  Entre eles: Um toque na estrela, o que me chamou atenção primeiro foi o nome da autora (da qual não sabia nada!), depois uma recomendação na capa da Lya Luft e por último a foto da simpática senhora que é a autora, abri, li três linhas e foi para sacola. Em casa fui dar uma olhada mais cuidadosa, comecei a ler e... amanheci lendo a última página.
Um toque na estrela fala da velhice, não da meia-idade 50/65 anos, mas sobre aqueles que já passaram dos 70, 75 anos. É um romance, Alice a protagonista tem pouco mais de 80 anos, seus filhos estão entrando na casa dos 60, é uma velha jornalista, casada, com netos e um bisneto. É genial a escolha do nome, pois há muito, muito tempo ela saiu do País das Maravilhas. Uma velhinha lúcida, sarcástica, irônica, que não teve medo de viver e não tem medo de morrer. Benoîte escreveu o livro com 86 anos, portanto sabe muito bem do que está falando e não tem o menor medo das palavras, com bom humor e muita ironia fala do envelhecimento nessa aurora do século XXI, sendo ela uma mulher do século XX: fala das restrições físicas e das expectativas impostas pela sociedade. Atenção o livro não é didático, não é lamentoso e tanto a autora como a personagem não estão arrependidas de nada! Nem mesmo querem o passado de volta!
Benoîte (adoro escrever o nome dela, parece Boa noite) é uma feminista francesa de primeira hora, que passou boa parte da vida lutando pelos direitos e respeito pelas mulheres, militou anos na imprensa voltada para o público feminino. No livro (que tem toques feministas e é dedicado às filhas e as netas) ela se auto sacaneia dizendo que Alice e ela são muito meia-oito (1968), o que não a impede de ver, compreender e criticar a modernidade. Não que a modernidade seja ruim, ela se utiliza bem dela, o caso do computador é ótimo, ela faz uso dele mas deixa exposta e aberta sua velha máquina de escrever, para não esquecer que já teve tempos piores, rs  Uma velha senhora que não tem papas na língua e se pergunta a certa altura, criticando, entre outras coisas, as roupas das meninas: quando as meninas deixaram de serem crianças para virarem pré-putas e passarem na adolescência a serem Superputas? Como ela não disse, digo eu: se no fim seremos todas putas velhas!
Um toque na estrela é um hino à vida e deixa como mensagem: não deixe de viver, seja em que idade for! Você dirigiu anos seu carro, aprenda a dirigir seu andador e se jogue. Quando eu ficar bem velhinha quero ser igual a ela.

“Explicar o que é a velhice é como tentar descrever a neve para quem vive nos trópicos.” Benoîte Groult

SOBRE O AUTOR

Benoîte Groult (1920 -   ) – jornalista e escritora francesa, em 2010 recebeu a Ordem Nacional da Legião de Honra do governo francês. Publicou Um toque na Estrela em 2006, no Brasil pela Editora Record.

Ps: Ela continua viva e bem.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Um livro, um amigo

O tempo entre costuras, María Dueñas



O desafio de hoje é um livro que você indicaria para um novo amigo. Eu vivo indicando livros para os amigos, para cada amigo um livro. Procuro sempre agradar o gosto do freguês e em geral acerto. Para um novo amigo é preciso de algum tempo para não errar, nesse exercício de um amigo imaginário, escolhi não um ou uma, mas todas as amigas. O tempo entre costuras é a história de uma mulher que se atirou na vida sem temores e soube fazer de cada derrota uma alavanca para frente. Os amigos também vão gostar, pois tem espionagem, política e guerra.
O romance mistura a biografia da protagonista, pois é escrito em primeira pessoa, com a história da Espanha que antecede a Guerra Civil até a Segunda Grande Guerra, com personagens reais e imaginários, suspense, aventura e drama. O tempo entre costuras, é um livro que fala de como pessoas simples, comuns e acuadas podem evoluir e se tornarem donas de sua própria história, mesmo que em um momento conturbado de seu país. Neste livro, os acontecimentos históricos são quase personagens e é por eles que se constrói a história de Sira, a costureira.
O livro é dividido em quatro partes e segue o amadurecimento de Sira, desde criança até ter seu próprio negócio e autonomia para se envolver em qualquer coisa que queira e morar onde bem quiser, de Madrid ao Marrocos, pois é vivendo de suas habilidades com a costura que ela acaba se envolvendo no mundo sofisticado, glamoroso e perigoso da espionagem, traições amorosas e políticas, sem perder um ponto. As descrições são magnificas, pois nos colocam dentro do clima, do local e do tempo histórico, nem parecem descrições! O livro é uma delícia de ler, leve mas não simplório, sério mas não sisudo, triste mas não choramingas e o melhor é muito bem escrito. Fica uma saudade quando ele acaba!

“Talvez nem sequer tenhamos chegado a existir. Ou talvez sim, mas ninguém percebeu nossa presença. Afinal de contas, sempre estivemos por trás da história, ativamente invisíveis naquele tempo que vivemos entre costuras.” Sira Quiroga

SOBRE A AUTORA

Maria Dueñas (1964- ) -   doutora em Letras e professora titular na Universidade de Murcia, em 2009 lançou seu primeiro romance O tempo entre costuras, que já foi traduzido para mais de vinte idiomas, editado no Brasil pela Editora Planeta.

* O livro se tornou uma mini série de sucesso na TV espanhola.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Um soco na consciência

Minha casa do outro lado do Atlântico, Helene Cooper



O desafio de hoje proposto pela Luciana é um livro que é um soco no estomago, a minha escolha talvez seja um pouco estranha, por que esse livro não foi exatamente um soco, mas uma abertura em que levei um soco no estomago e na consciência.
Helene Cooper é liberiana, uma moça negra oriunda da elite do país. Vivia confortavelmente, numa ilha de paz e prosperidade quando em 1980 estoura uma revolução na Libéria, que levou a duas guerras civis e que durou 20 anos. Então aos 14 anos sai do país e vai viver nos EUA, se torna jornalista, 23 anos depois volta ao seu lar africano, este livro são suas memórias e seu relato quando volta para lá. O que mais me incomodou foi a pouca visão crítica do verdadeiro caos que é a Libéria, desde 1822!
Passei as duas últimas semanas vendo e lendo tudo que podia sobre a Libéria e levando variados socos no estomago. A Libéria nunca existiu, é um país artificial, criado em bases equivocadas e racistas.
Vamos a uma rápida situada, em 1816 os americanos criaram a Sociedade Americana de Colonização que o objetivo principal de “repatriar” escravos libertos, pois de acordo com a opinião predominante de alguns setores da população dos Estados Unidos da época, os negros não seriam capazes de se integrarem na sociedade do país. Em 1821 enfiaram 65 ex-escravos em um navio e partiram para a costa africana, escolheram um ponto sem nenhum interesse para as potencias da época, os poucos que lá aportavam eram os portugueses que compravam pimenta e escravos. Se assentaram e descobriram logo que existia gente lá, precisamente 16 tribos. Com dinheiro e armas, principalmente armas, compram um pedaço de terra de uma tribo e nos próximos anos chegam 12 mil ex-escravos. E eles, a maioria nascida nos EUA, reproduzem exatamente o que viam no país de origem, exploração ao máximo da gente da terra.  Se tornam um país em 1847 e dizem as más língua que a constituição foi escrita em Washington. A autora é descendente direta de um dos poucos sobrevivente da primeira leva, seu tetravó é considerado um dos fundadores da pátria. Essa elite dominou o país por mais de cem anos, ignorando totalmente as gentes da terra, algumas tribos sucumbiram e se tornam empregados domésticos, agricultores em terras da elite e outras profissões menos votadas, mas a tensão sempre esteve presente principalmente entre as tribos e de todas as tribos com a elite. Na década de 20, sem dinheiro e sem recurso a Firestone empresta cinco milhões de dólares ao país em troca de uma concessão de terras para as plantações de borracha da companhia, se tornando um poder paralelo, em um país que, ainda hoje, é considerado o país mais corrupto do planeta. Em 1980, vem o golpe, as tribos tomam um lado e começa a guerra civil. Em 1989 vem o contragolpe, com apoio americano, tudo só piorou e se tornou uma das guerra civil mais sanguinária do século XX, até terminar(?) em 2003 com um precário acordo de paz. Essa guerra matou 400 mil pessoas e fez 1 milhão de refugiados.
Por que você nunca ouviu falar dela? Talvez até tenha visto em uma nota de jornal ou uma notícia rápida na TV. Porque eles são pobres, de um país   africano pouco maior que Pernambuco, não têm petróleo, um pouco de diamante que não se compara ao de outros países africanos, as terras são constituídas de florestas de mangues no litoral, enquanto no interior o que predomina são pastagens secas e agricultura de subsistência se tanto. Não dá mídia. Quem se preocupa?
O livro não é mal escrito, afinal Helene é uma jornalista, mas tudo que está escrito acima não está no livro dela. Vale a pena ler o livro?  Para mim valeu. Desde as primeiras páginas me incomodava a visão da elite e com isso me abriu as portas da curiosidade sobre um país que pouco ou nada sabia. Acredito que um livro deva fazer isso, mesmo quando não concordamos com nenhuma das palavras escritas, abrir portas para o mundo. Um mundo que está vendo milhares de refugiados e que ninguém pode ignorar.
Se alguém quiser saber como é a Libéria hoje, o documentário The Cannibal Warlords of Libéria, rodado quase 10 anos após o fim da guerra pelo menos não faz julgamentos, onde 70% das mulheres já sofreram estupros, 80% são desempregados e a maioria viciada em cocaína e heroína, onde a AIDS e o vírus Ebola é uma realidade inclemente, onde 50% são de analfabetos e onde não há qualquer saneamento básico e nem rede elétrica. Soco no estomago!


“...ao introduzir as artes da civilização e as benção do cristianismo em meio a uma raça de indivíduos que têm, até agora, vivido em uma escuridão pagã, destituída da luz do Evangelho e do conhecimento do Salvador ...”  Ephrain Bacon (Comissário Assistente dos EUA para a África, 1821)

SOBRE A AUTORA


Helene Cooper (1966 -  ) – jornalista nascida na Libéria e hoje cidadã americana. Foi correspondente de guerra e atualmente é correspondente diplomática do New York Times. Minha casa do outro lado do Atlântico foi editado pela Editora Nova Fronteira.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O livro que vale um filme

Quando o amor transpõe o oceano, Winifred Ethel Netto



O que deve conter um filme: uma boa história, uma aventura, um romance, ser envolvente e bem feito. O Brasil está cheio de histórias reais e imaginárias que dariam excelentes filmes, o que falta é o eterno problema de dinheiro, bons roteiros com boas histórias que empolguem o público, pois dinheiro tem que fazer dinheiro. Tenho esperança que nossos produtores, roteiristas e cineastas ainda acharão as boas histórias. Já publiquei uma aqui, que conta um pedaço de nossa história.  Hoje, no desafio da Borboleta nos Olhos, publico outra. Nem todo livro vale um filme, mas este vale.
Quando o amor transpõe o oceano, tem aventura, uma história de amor que durou mais de 60 anos e conta a história da fundação e o progresso de uma cidade – Maringá no Paraná. Qual a possibilidade de um taxidermista brasileiro casar com uma inglesa nascida e criada na ilha de Santa Helena, é esta mesma que você está pensando a do exílio Napoleão e perdida no meio do Oceano Atlântico? Pois bem Winifred conheceu Odwaldo, na ilha em 1924, se apaixonaram e se casaram em menos de um mês, se separaram uma semana depois, ele seguiu viagem e ela ficou grávida. Fim da história? Que nada! Aqui é que começa a aventura. Eles se reencontram nos EUA quase três anos depois e partem para o mundo, voltam para o Brasil, vão para Santa Helena, passam pela Argentina e África do Sul, voltam para o Brasil, não param e em 1947 ouvem falar das cidades novas que estão sendo fundadas no oeste, gostam da ideia e partem, já com sete filhos e terão nove, em direção ao norte do Paraná, chegam a Maringá com menos de 2 mil almas, ruas de terra e nada mais! Sim, nenhuma casa na cidade, só alguns esqueletos em vários níveis de construção. Essa viagem é uma aventura, levou 7 dias em um caminhão com uma lona de cobertura (verdadeiro pau-de-arara), levando a mudança da família e (pasmem!) um projetor e demais equipamentos para montar um cinema! Em Maringá montaram o cinema, um armazém, tiveram uma fazenda e uma pequena companhia de táxi aéreo, ajudaram a fundar hospitais, cooperativas e clubes sociais. Criaram os filhos e sempre tiveram a ousadia e a coragem de se lançarem em novas aventuras e empreendimentos. Ao se “aposentarem” em 1973 pegaram uma Belina e foram passear pelo país, acampando e tomando o chá das 5 hs! É o painel de um Brasil que crescia. Odwaldo viveu 89 anos e Winifred viveu 100 anos. Winifred contou essa história a sua filha Délia que ajudou na confecção do livro juntamente com outros membros da família. Não vale um filme?

“Fé, amor e coragem conduziram a longa vida dessa mulher”. Fabio Lopes Bueno Netto (neto de Winifred e seu editor)


SOBRE A AUTORA


Winifred Ethel Netto (1906 – 2007) – aventureira, empreendedora, mãe e pioneira inglesa, casada e apaixonada por um brasileiro que não acreditava em ficar parado esperando acontecer. Quando o amor transpõe o Oceano, foi publicado pela editora 24x7 Cultural.


Winifred - 2002 (Arquivo de família)





terça-feira, 6 de outubro de 2015

Espanando a poeira



Muito mais de um ano se passou, muito trabalho, outros interesses, muita preguiça e muitos livros depois estou de volta!
Ontem me emocionei ao rever uma antiga página do blog postada no Facebook da Luciana, ela propunha um desafio aos amigos e a usou como exemplo, fiquei orgulhosa e morri de saudades. Com saudades e desafiada, voltei! Pelo menos nos próximos oito dias, cumprindo o desafio proposto.

O Poente é um abraço!

Contos do Poente, Luciana Nepomuceno e Rita Paschoalin


Atualmente se fala muito pouco de literatura nacional, as críticas literárias em jornais e revistas estão escassos quando não são meras cópias de releases preparado pelas editoras. A literatura brasileira atual existe, inunda o mercado de livros, mas é pouco divulgada e pouco conhecida. Contos do Poente é desses livros que é preciso ser lido e relido, bem escrito, bem ilustrado e cheio de ternura.
Contos do Poente contém 18 contos, alguns escrito pela Luciana Nepomuceno e outros tantos pela Rita Paschoalin.  Todos falam de mulheres, meninas, moças, velhas, bonitas, feias, loucas ou sãs, fala das angústias, devaneios e desejos delas, de um momento em suas vidas, de um tempo de suas vidas ou de toda suas vidas. Emociona sempre, tira lágrimas, tira pequenos sorrisos e nos leva para dentro de nós como deve ser um conto bem escrito.
Não há como dizer qual o melhor, pois a cada leitura há um sentido diferente das palavras escritas, peguei o livro a primeira vez em fevereiro de 2014, com direito a dedicatória das autoras, li em um só folego, gostei mais de uns que de outros. Reli alguns durante esse ano que passou e ontem reli todos novamente. Outro momento e outras experiências fez com que eu lesse outros contos.  Por ter sido tímida, quieta e adoentada na infância me identifico com a Aninha em A Festa, por amar livros amo a Bia em As asas de Bia, por ter já me sentido inadequada e gostar de sombra de árvores gosto da moça em O Casulo, por gostar de mistérios e crimes queria saber mais sobre a moça na cela em Água Quente, Sangue Frio. Gostaria de abraçar todas elas. Duvido que você não ache um conto para chamar de seu nesse livro!

“O amor e a arte não abraçam o que é belo, mas o que justamente com esse abraço se torna belo.” Karl Kraus


SOBRE AS AUTORAS

Luciana Nepomuceno – cearense e doutora, para saber mais basta visita-la em Borboleta nos Olhos
Rita Paschoalin – paraibana, morando em Florianópolis e andando sempre pela Estrada Anil, vai lá andar uns passos com ela.

O livro foi editado pela editora Sinergia em 2013 e pode ser adquirido com as autoras.